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‘Criatividade é a alma de qualquer negócio’, diz CEO do Cirque du Soleil

Por Rafael Carvalho

O que um dos maiores grupos de entretenimento do mundo, com uma equipe de mais de quatro mil artistas, pode te ensinar sobre criatividade no trabalho e nos negócios

Daniel Lamarre, presidente do Cirque du Soleil, acredita que muitas empresas seriam mais bem-sucedidas se dessem voz à criatividade de seus funcionários. Segundo o presidente da famosa trupe de circo canadense — hoje um negócio multimilionário presente em mais de quarenta países — uma pesquisa recente mostrou que somente 25% dos funcionários de empresas norte-americanas se sentem estimulados a ser criativos. Em outras palavras, três quartos de toda empresa acham que sua criatividade não é necessária ou valorizada.

Para ele, esse é um dos grandes problemas da mundo corporativo atualmente, pois empaca a inovação e torna o ambiente de trabalho menos estimulante. “Isso é um desperdício enorme da energia e do potencial das pessoas”, ele explica. Na sua visão, empresas que não estimularem a criatividade estão fadadas a ter sempre uma performance mediana, e jamais se tornarão líderes de seus mercados. “É preciso reinventar o que você faz hoje para preparar sua empresa para amanhã”, alerta.

O próprio sucesso do Cirque du Soleil está ligado à inovação promovida pelo grupo dentro da indústria do entretenimento. Para se destacar e virar líder em um setor que respira criatividade, o grupo tinha o desafio de ser ainda mais criativo que os demais circos do mercado. Para isso, apostou na estratégia de diferenciação competitiva chamada blue ocean, uma tática baseada na inovação e que desafiou todas as convenções da indústria circense. Para fugir do modelo convencional de circo e surgir com algo diferente, o circo eliminou elementos que acreditava estar desgastados, como o uso de animais, e redesenhou o modelo de negócios, acrescentando elementos de show, teatro e da música. 

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A frente do grupo desde 2001, Daniel Lamarre compartilhou algumas lições e aprendizados sobre criatividade durante o HSM ExpoManagement, evento em que o Na Prática este presente. Veja a seguir o que a trupe tem a ensinar às demais empresas:  

1. Criatividade não é só para diretores

“Os gestores precisam sinalizar para seus funcionários que eles também precisam ser criativos, que isso não é algo só para diretores ou lideranças”, explica o executivo. Ele defende que, para se manter competitiva, a empresa deve estimular a criatividade em todos os níveis — se isso não acontece, a lição de casa para os vice-presidentes e CEO’s fica maior ainda.  

2. As ideias loucas precisam ter espaço

“Nossos espetáculos nascem sempre de ideias loucas”, ele explica. Foi assim que surgiu o Ká, espetáculo em cartaz desde 2004: a ideia inicial era fazer algo com um palco flutuante que mudasse de posição ao longo de todo o espetáculo. Quando a ideia surgiu na cabeça de um dos integrantes do circo, parecia realmente conversa de doido — não havia tecnologia para executá-la, nem nada parecido havia sido feito antes. “Damos espaço e investimos nesse tipo de ideia”, conta Lamarre. “Nós estamos sempre buscando o novo, e para isso é preciso manter a mente aberta.”

3. Faça as parcerias certas

Um dia George Harrison estava tocando guitarra com os músicos do Cirque de Soleil em uma festa e, alguns meses depois, Lamarre estava em uma reunião com os remanescentes d’Os Beatles para bolar um espetáculo baseado nas músicas da banda. O show saiu do papel, e hoje é apresentado em Las Vegas toda semana sob o título Love. Outras parcerias são incentivadas no grupo, como a equipe de Michael Jackson e o diretor James Cameron.

Da mesma forma, há uma parceria forte do circo com mais de vinte universidades nos Estados Unidos e Canadá. Lamarre explica que é necessária essa proximidade com os engenheiros e pesquisadores mais visionários da academia para conseguir fazer as inovações saírem do papel. “Eu falo para os estudantes de engenharia: ‘Quando você me entregar uma cadeira que voa, eu compro’. E eles fazem!”, brinca o executivo. Para o próximo espetáculo, o Cirque utilizará drones — ideia que surgiu de olheiros a partir da pesquisa de um professor na Suiça.      

Mas, claro, estamos falando do Cirque de Soleil… Como ser criativo assim em um banco, ou em um escritório de advocacia? “Qualquer um pode ser criativo, independente da indústria em que trabalha”, propõe Lamarre, em tom de desafio. “Se você for o advogado mais criativo, será o melhor. Se você for o banqueiro mais criativo, você poderá acabar conseguindo a conta do Cirque de Soleil“, finaliza.

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