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Bain: entenda as etapas para chegar a sócio da consultoria

Por Rafael Carvalho

Funcionários da Bain & Company, uma das maiores consultorias estratégicas mundiais, explicam como funciona o crescimento na carreira

Uma das marcas registradas das consultorias estratégicas, do ponto de vista de carreira, é a possibilidade de rápido crescimento profissional. Por meio de um sistema de promoção conhecido como up-or-out, em os que permanecem na empresa são aqueles que sobem de cargo, o ápice dessa escalada é o convite para se tornar sócio da consultoria. Algumas levam esse modelo mais a sério do que outras, embora seja uma tendência atual incorporar certa flexibilidade na carreira.

De qualquer forma, chegar ao topo leva anos dedicação intensa e muito aprendizado. Se nem todos que entram na consultoria completam esse ciclo, os que saem costumam assumir excelentes postos em outras indústrias, constituindo uma bem-sucedida rede alumni.

As etapas até a sociedade na Bain

Com a Bain & Company, uma das consultorias estratégicas de maior prestígio, não é diferente. Na unidade de negócios da América do Sul, administrada a partir do escritório de São Paulo, cerca de 10% da equipe é composta por sócios. O Na Prática conversou com funcionários da consultoria para entender cada etapa dessa escalada na carreira:

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Associate Consultant

O cargo de associate consultant (AC) costuma ser tratado sob o mesmo status de “analista”, e corresponde a uma preparação para o cargo de consultor – dura de dois a três anos. A típica carreira na Bain tem início aí, embora estágios estejam disponíveis para estudantes de qualquer curso a partir do penúltimo ano da faculdade. “Uma parte importante de seus associate consultants foram estagiários”, comenta André Chaves, gerente na consultoria.

“O analista dá suporte ao time, começa responsável por formar uma massa de dados quantitativos e tem uma parte importante no Excel”, explica Daniela Carbinato, hoje consultora. “Conforme ele vai ficando mais sênior, entra uma parte mais qualitativa, de análise mesmo”, completa. Ela entrou na Bain como AC em 2011, enquanto realizava mestrado em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e em 2013 teve sua promoção.

Dada a grande diversidade de clientes da Bain, os AC’s têm oportunidade de aprendizado em diversas indústrias, desde automobilística até telecomunicações, de private equity a bens de consumo. O começo de carreira é bastante generalista, e só nos cargos mais altos começa a ocorrer certa especialização.

Desde o início, o AC já tem contato com o cliente e está bem envolvido no projeto. “No meu primeiro ano como associate consultant eu cheguei a fazer apresentação ao presidente de uma empresa. Já estava bem confiante no assunto. Também fui a uma reunião de board de uma das maiores empresas do Brasil”, conta Rafael Martines, que no momento realiza MBA na Columbia Business School e é case team leader. Ele está na Bain há sete anos, quando se formou em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP).

Consultor

Os consultores, segundo a Bain, estão envolvidos em todos os aspectos do projeto, desde o desenvolvimento de um plano para resolver os problemas em questão e a realização de análises, até a tradução dessas análises em recomendações reais e o estímulo para que os clientes as coloquem em prática.

Na ponte entre os cargos de AC e Consultor, Vitor D’Agnoluzzo, hoje case team leader, realizou um MBA na Harvard Business School patrocinado pela Bain. “Realizar um MBA nesses termos é muito interessante, porque você já tem uma oferta muito boa de emprego para voltar, e isso te dá uma grande liberdade para testar lá o que você tiver vontade”, explica Vitor, que sempre gostou de empreendedorismo. Durante o curso no exterior, abriu uma empresa online de casamentos.

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Case Team Leader (CTL)

Os CTL’s são, a grosso modo, gerentes em treinamento. Eles gerenciam todo o processo de análise de dados e informações, e começam a se especializar em certas operações ou indústrias. É o momento de começar a se tornar um expert, e ser capaz de dar recomendações de alto impacto. Apesar de ajudar na parte de gestão de time e projeto, o case team leader ainda tem uma participação limitada na construção de relacionamento com o cliente.

Manager (Gerente)

Os managers são um dos pontos principais na execução de um projeto de consultoria. É deles, junto com os sócios, a responsabilidade de entregar resultados para o cliente. Desde a identificação dos problemas cruciais até a apresentação de uma solução que seja implementável, são os gerentes que – como o próprio nome sugere – devem gerir cliente e equipe para que o projeto seja bem-sucedido.

“O gerente passa a proposta negociada com o cliente para as demais pessoas da equipe e começa a parte de development do projeto”, explica Rafael Martines, complementando que um dos desafios dessa carreira é exatamente uma exposição maior ao cliente. “Na primeira semana o gerente aloca quem vai fazer o que dentro do time, quem está em cada frente de trabalho e quais são elas”, conclui.

“Os gerentes são mais experientes, aprendem a ter uma sensibilidade, um faro para consultoria, e por isso têm a função de alavancar o trabalho da equipe”, acrescenta Daniela Carbinato. Para ela, como se trata de um time de pessoas muito qualificadas, a própria ideia de gestão ganha novos contornos.

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Partner (Sócio)

Receber o convite para se tornar sócio é o maior reconhecimento de mérito profissional dentro da consultoria. Nesse momento, você passa a ser, de fato, dono da empresa, e sua remuneração é variável, dependendo do desempenho tanto da empresa como individual. Depois de ter se tornado consultor, a proposta para ocupar o posto de partner pode demorar de cinco a sete ou mais anos.

Os partners assumem um papel mais amplo dentro das operações globais da Bain, tomando as decisões de negócios da própria consultoria, e liderando o estabelecimento de um bom relacionamento com clientes novos e existentes. Apesar dessas funções mais generalistas, o sócio continua bastante envolvido com o trabalho sendo feito pelos times responsáveis por cada projeto, sendo o responsável por liderar intelectualmente o tema e dar suporte às equipes com o conhecimento e a expertise que adquiriu ao longo da carreira.

“Os projetos, no final das contas, começam com o sócio, que é quem vai fazer a proposta para o cliente”, explica Rafael. “Nessa parte, é necessário mostrar que temos ideia do problema e que podemos propor soluções”, completa. Uma vez vendido o projeto, o sócio também definirá time e prazos. Esse cargo exige um bom conhecimento prévio da indústria de que seus clientes fazem parte (cada sócio fica a cargo de certos mercados), assim como disponibilidade para viajar.

Esta reportagem faz parte da seção Explore, que reúne uma série de conteúdos exclusivos sobre carreira em negócios. Nela, explicamos como funciona, como é na prática e como entrar em diversas indústrias e funções. Nosso objetivo é te dar algumas coordenadas para você ter uma ideia mais real do que vai encontrar no dia a dia de trabalho em diferentes setores e áreas de atuação.

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