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Camilla Mathias

‘Transformar as empresas é inspirador’, diz analista de private equity

Por Rafael Carvalho

Camilla Matias, bolsista da Fundação Estudar, conta como a experiência com ações sociais a levou ao mercado financeiro

Hoje entusiasmada com seu estágio na área de private equity, a estudante Camilla Matias, bolsista da Fundação Estudar, chegou ao mercado financeiro por um caminho inusitado: através de ações voluntárias e do trabalho no terceiro setor.

Cursando o último período de Engenharia Mecânica no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos, ela tem os pés firmes nos fundos de investimento, mas sua trajetória até aí envolve uma experiência empreendedora precoce e uma dedicação intensa a atividades de impacto social.

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Camilla tinha 9 anos de idade quando, para ajudar os seus pais, começou a encapar livros durante as férias escolares. Foi sua primeira experiência empreendedora, e manteve esse negócio de férias por dez anos, junto com sua irmã. “Éramos até famosas na cidade”, ela conta.

“Essa parte de ser responsável financeiramente veio de muito cedo”, explica. Ao que tudo indica, a habilidade de atingir bons resultados financeiros também: nos dois meses em que não tinham aulas, ela e a irmã faturavam em em média dez mil reais com o negócio de encapamento.

Camilla frequentou o ensino fundamental e médio em uma escola particular de Fortaleza com bolsa de estudos, devido ao desempenho em olimpíadas acadêmicas de computação, matemática e física, tanto nacionais como internacionais. Quando se formou, a boa performance nas olimpíadas acabou a motivando a seguir carreira na área de exatas.

Foi assim que Camilla ingressou no curso de engenharia do ITA, um dos vestibulares mais concorridos do país, e mudou-se para o estado de São Paulo. “Minha ideia era ficar muito rica e ajudar as pessoas”, ela brinca ao responder o que se passava em sua cabeça na época. Em Fortaleza, já era bastante envolvida com atividades sociais. Foi, inclusive, uma das idealizadoras de um projeto social que existe na capital até hoje, chamado Alegria.

Já no primeiro ano da faculdade, associou-se ao CASD Vestibulares, uma ONG com mais de 100 voluntários e um orçamento anual que na época passava perto de 200 mil reais, e que Camilla conseguiu dobrar através dos novos projetos que coordenou.

“Cuidar de um negócio desse tamanho e desse alcance quando você ainda está na faculdade é uma experiência muito produtiva”, conta Camilla, que acabou ocupando a diretoria e depois a presidência da organização. “Lá me deram muita responsabilidade, e era ainda mais forte porque era uma responsabilidade com outras pessoas”, ela comenta, fazendo uma comparação a experiência proporcionada por empresas juniores – para ela, algo totalmente diferente.

No CASD, um cursinho preparatório para alunos de baixa renda, além do cargo máximo de gestão, ela trabalhou como professora e com recursos humanos, “lidando o tempo todo com gente”.

Camilla com os alunos do CASD [acervo pessoal]

Como a educação tinha tido um papel transformador na sua vida, ela queria proporcionar essa mesma experiência para outras pessoas. “Minha vida era muito educação e ações sociais, mas eu não sabia direito com o que eu queria trabalhar”, conta.

Foi no CASD que ela teve um de seus primeiros contatos com mercado financeiro, numa época em que a área ainda não figurava entre suas primeiras opções de carreira.

O cursinho popular participou junto com outras ONGs de um edital do Instituto Carlyle Brasil, braço de responsabilidade social do Carlyle Group, uma das maiores firmas de private equity do mundo. O CASD acabou sendo escolhido para receber um aporte financeiro do instituto, nos moldes de um investimento de private equity, porém com cunho filantrópico (o Carlyle não toma participação nas ONGs que apoia, como acontece quando investe em empresas, e tampouco aplica as mesmas pretenções de retorno financeiro).

Leia também: Entenda a indústria de private equity no Brasil

Os trâmites da operação chamaram a atenção de Camilla para essa área do mercado financeiro. À frente da organização, ela pode acompanhar de perto todo o processo de investimento e implementação de melhorias no cursinho.

“De repente para mim aquilo se encaixou. A questão é que o mercado financeiro é muito dinâmico, algo que eu sentia falta no ambiente de burocracias que é essa interface entre o setor público e as ONGs que eu vinha fazendo. Você toma decisões rápidas e que realmente impactam na economia”, explica Camilla. Para ela, a vontade de impactar as pessoas – algo que sempre a motivou – continua presente na sua carreira em finanças.

“Transformar as empresas é inspirador, olhar como elas eram e ver no que elas se transformam depois da nossa saída”, conta sobre sua atuação em private equity, área do mercado financeiro que investe em empresas com o objetivo de alavancar seu desenvolvimento e posteriormente vendê-las com lucro.

Camilla realizou um estágio de um ano no Pátria Investimentos, entre os maiores fundos de private equity do Brasil, e que também possui outros produtos financeiros. Hoje ela migrou para um outro fundo, com uma equipe menor e foco na América Latina, mas continua no mesmo segmento.

“É mais do que retorno sobre um investimento. Eu sinto realmente que estou agregando valor. Quando você faz um trabalho correto, você cria na empresa investida um ambiente para as pessoas crescerem, gera emprego, movimenta a economia. Para mim, isso é um grande impacto”, ela esclarece, adiantando que também pretende continuar se dedicando a ações sociais.

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