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crianças brincando em parquinho

O trabalho de professora em uma das escolas mais inovadoras do mundo

Por Rafael Carvalho

Nos últimos 9 anos, Célia Senna realizou projetos utilizando realidade aumentada, estudou os ET’s e diz ter já praticamente um “doutorado em pum”, assunto pelo qual as crianças são fascinadas

Doutora em Biologia Molecular pela Universidade de São Paulo (USP) e pela Universidade de Brasília (UnB), Célia Maria Piva Cabral Senna dedicou duas décadas e meia de sua carreira a ensinar estudantes de graduação e pós-graduação os assuntos mais cabeludos nas áreas de Bioquímica e Biofísica. Além disso, formou professores de biologia, fez pesquisa, foi coordenadora de curso e assessora da reitoria.

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Escola Lumiar

Em 2006, recebeu um inusitado convite profissional: a Escola Lumiar, onde estudam crianças de 4 meses a 14 anos de idade, na capital paulista, pediu que ela preparasse um projeto para os estudantes do ensino fundamental. Se os alunos gostassem da proposta de Célia, ela colocaria a mão na massa com eles durante dois meses. Sim, só se eles aprovassem.

Diferente de outras escolas, a Lumiar propõe um currículo em mosaico e uma aprendizagem personalizada. Um dos reflexos dessa abordagem heterodoxa é que, na escola, os alunos não são separados por série nem sentam em cadeiras enfileiradas. Em vez de apenas provas ou testes, as avaliações são feitas também por meio de observações, interações e diálogos. O currículo tampouco segue a divisão tradicional em disciplinas, já que o foco está na construção e expansão de competências e habilidades. Saiba mais no vídeo abaixo:

Instigada pela novidade e, ao mesmo tempo, um bocado desconcertada pela possibilidade de ter seu trabalho rejeitado por crianças, Célia empenhou-se em preparar um projeto “maravilhooooso” sobre reciclagem, conta, enfatizando.

A experiência foi tão boa que, ao longo dos anos, a cientista foi abrindo mais e mais espaço na agenda para os projetos da escola: de duas horas de trabalho semanal passou a diretora pedagógica do Instituto Lumiar, que inclui, além da escola particular na capital, outras duas unidades em Santo Antônio do Pinhal, no interior paulista – uma bilíngue e outra pública, constituída via parceria público-privada. Em 2012, Célia deixou a universidade de vez.

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Lumiar hoje

Atualmente, a professora cuida da gestão da Lumiar, sem abandonar a sala de aula, “por medo de emburrecer e envelhecer” ao perder contato com os alunos. “Em geral, as pessoas que pensam e gerenciam a educação no Brasil, nunca estiveram na sala de aula ou estiveram há muito tempo. Então, tratam de uma educação que não conhecem. Com isso, acabam nem conseguindo ter legitimidade junto aos professores”, analisa.

escola lumiar

Escola Lumiar [reprodução]

Nos últimos 9 anos, Célia já realizou projetos utilizando realidade aumentada para desenvolver os conceitos de duas e três dimensões na Matemática, estudou os ET’s e diz ter já praticamente um “doutorado em pum” – um assunto pelo qual as crianças são fascinadas e a ajudou a trabalhar a experimentação em laboratório e a explicar o caminho da digestão dos alimentos no corpo, com seus fenômenos químicos e biológicos.

A Escola Lumiar foi eleita, em 2007, uma das 12 escolas mais inovadoras do mundo, segundo um ranking elaborado pela Microsoft, UNESCO e Universidade Stanford. Célia, que enfrentou muitos questionamentos ao trocar o ensino superior pela educação básica, no sentindo de estar regredindo em termos de status, hoje reafirma o acerto de sua escolha.

escola lumiar

Escola Lumiar [reprodução]

“Essa ideia da professora de educação para crianças como ‘professorinha’, no sentido de algo menor, é um grande engano. O ensino nas séries iniciais é muito importante e requer professores com uma formação sólida”, pondera. E conclui: “Na Lumiar, eu me encontrei. Gosto de dar aula de qualquer maneira, mas a educação básica me dá mais prazer porque é dela que o país mais precisa”.

Os interessados em experimentar o sabor de trabalhar na educação básica podem fazer algo semelhante ao que Célia fez: propor um projeto de dois meses para desenvolver com os alunos da Lumiar. Claro, precisa ser algo que o candidato faça bem e, além disso, que passe pelo crivo da coordenação e das crianças da escola.

Célia Senna participou do Imersão Educação, programa de preparação e decisão de carreira promovido pelo Na Prática. Quer conhecer melhor as oportunidades de carreira no mercado de educação que transforma o Brasil? Saiba mais aqui.

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