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Pessoa fazendo contas

Entenda como funciona a análise de crédito e teste seus conhecimentos na área!

Por Rafael Carvalho

O setor de análise de crédito é uma das partes mais importantes no funcionamento dos bancos, e possibilidade de carreira promissora para quem deseja trabalhar no mercado financeiro. Mas o quanto realmente você sabe sobre esse assunto?

Você está no bar com vários amigos se divertindo. Sempre tem aquele amigo que “esquece a carteira” e nunca ajuda a dividir a conta (e quase sempre pede as bebidas mais caras). O problema é quando ele pede para você pagar a parte dele que no dia seguinte ele vai lhe transferir o dinheiro.

Essa cena é comum e sempre deixa algum dos envolvidos em uma situação um pouco constrangedora. Se você não pagar a parte do outro, pode ser taxado de “mão de vaca”, mau amigo, entre outros adjetivos pouco lisonjeiros. Mas se pagar, pode não reaver a quantia.

Se o amigo que sempre paga a parte que lhe cabe, por algum motivo, tivesse feito a mesma requisição, o sentimento seria um pouco diferente. Provavelmente você não se preocuparia em pagar a conta.

Análise de crédito no dia a dia Intuitivamente você fez uma análise de crédito dos dois amigos, e constatou que no primeiro caso, o risco de não receber o pagamento era grande e no segundo, era muito baixo.

Todas as pessoas que alugam um apartamento passam pela mesma situação. É preciso que algum proprietário de imóvel, no mesmo estado do apartamento em questão, seja o fiador do contrato de aluguel. O papel do fiador (pode variar em alguns casos, mas no geral segue o mesmo raciocínio) é simples: se a pessoa que alugou o apartamento não pagar o aluguel por alguns meses, o proprietário do imóvel fica responsável pelos pagamentos. Caso não tenha dinheiro suficiente, será obrigado a vender o próprio imóvel para quitar essa dívida.

Quando um amigo lhe pede um dinheiro emprestado e promete te pagar no final do mês, ao receber seu salário, você não vê grandes problemas em fazer esse adiantamento para ele. Quando um outro colega, que está sem trabalho há algum tempo, pede um dinheiro emprestado, você provavelmente não se importa em ajudar. Mas nesse caso, você sabe que há uma grande chance de não receber o dinheiro de volta. Como alguém sem salário conseguirá repagar a dívida?

Os trabalhadores com carteira de trabalho assinada no Brasil têm direito a uma poupança compulsória do seu salário, o FGTS. São poucas as situações nas quais os cidadãos podem usar essa poupança forçada. Quando você quiser comprar uma moradia ou se já possui um imóvel, mas quer reformá-lo, poderá utilizar esse fundo. Independentemente, se for uma reforma ou a aquisição de um imóvel, os fundos só podem ser utilizados em um imóvel por vez.

Acabamos de descrever situações do cotidiano onde alguns fatores influenciam a chance de sucesso ao se pedir dinheiro emprestado, alugar um apartamento ou utilizar os fundos de uma poupança forçada.

Os agentes que emprestaram ou não dinheiro nessas situações utilizaram, em grande parte, a intuição. Existem profissionais no mercado financeiro que trabalham exclusivamente com a análise de crédito de pessoas, empresas, países e emissões de dívidas. Esses profissionais não podem se valer apenas da intuição para tomar suas decisões. Suas análises são feitas com base em processos comprovados.

Existem vários processos para analisar a capacidade creditícia de alguém. Um deles envolve a análise de todas as situações descritas acima. No primeiro parágrafo o amigo fez uma análise do caráter de quem fez o pedido. Ele buscou informações do passado para avaliar quantas vezes o requerente pagou o não o prometido. Dessa maneira, ele medirá a vontade do amigo de honrar seus compromissos.

No segundo parágrafo vimos um caso clássico de colocação de algo em garantia para se pedir um empréstimo. Quem aceita algo como garantia deve fazer a análise do preço e situação desse bem. Por isso a exigência de que o imóvel esteja no mesmo estado do alugado.

No terceiro parágrafo analisamos a capacidade dos amigos repagarem suas dívidas conosco. No primeiro caso existia uma probabilidade maior, pois ele tinha salário e podia utilizá-lo para quitar seus débitos. Já no segundo caso o amigo sem salário não tem condições próprias para fazê-lo. Por último analisamos uma situação onde um contrato para utilização do FGTS coloca limitações sobre o indivíduo que retira o dinheiro do fundo. Ele não pode utilizar os fundos para o que bem entender.

O papel nas organizações financeiras O analista de crédito é essencial para um banco. Ao fazer análises em escala de pessoas físicas, pequenas empresas ou grandes conglomerados para minimizar o nível de inadimplência da carteira de empréstimos, seu trabalho influencia diretamente o resultado do banco.  Ele também pode trabalhar em agências de rating emitindo o rating (escala de medida de situação de crédito, quanto maior o rating menor a chance de não pagamento da dívida) de empresas ou países.

Existem também fundos de investimento especializados em comprar dívidas que hoje estão sendo negociadas com desconto por conta de falta de pagamento. O trabalho do analista de crédito é procurar dívidas como essas que no futuro voltem à normalidade e seu preço deixe de ficar descontado. Esse tipo de operação é chamada distressed debt.

Existem várias outras necessidades do analista de crédito em empresas, bancos, seguradoras etc. Mostramos apenas um modelo para a avaliação do crédito dos diversos existentes, pois para cada produto específico, deve se enfatizar um ponto da análise.

A seguir, você encontra algumas questões sobre análise de crédito elaboradas pela FK Partners exclusivamente para o Na Prática. Se quiser saber mais sobre essa profissão, a FK Partners realiza um curso específico sobre análise de crédito de empresas. É possível obter mais informações entrando em contato com a instituição.

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1. Calcule o EBITDA da empresa XPTO dados os seguintes índices:
Lucro líquido = R$ 4.200
Impostos = R$ 700
Depreciação = R$ 150
Juros = R$ 400
Amortização = R$50

A. R$ 4.200.
B. R$ 4.900.
C. R$ 5.150.
D. R$ 5.500.

2. Uma empresa tem a seguinte estrutura:
I uma distribuição de passivos de 70% em dívidas e 30% em equity
II custo de equity vale 12%
III custo de debt vale 15%
IV alíquota de imposto de 25%

Com base nessas informações, podemos afirmar que o custo de capital dessa empresa (WACC) vale:

A. 15,0%.
B. 12,0%.
C. 14,1%.
D. 11,4%.

3. Existe 20% de chance de uma empresa não pagar suas dívidas e se isso acontecer historicamente ela pagou apenas 30% da sua necessidade, nesse caso uma pessoa que emprestou R$ 1.000.000,00 para essa empresa deve fazer uma provisão de perda de:

A. R$ 60.000,00
B. R$ 140.000,00
C. R$ 800.000,00
D. R$ 1.000.000,00

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