Por que só 37% das pessoas confiam em CEOs no mundo?

Atualmente em sexto lugar entre 27 países no novo ranking do “Trust Barometer“, um relatório anual da Edelman, o Brasil sofre com uma crise de confiança em seus CEOs: apenas 48% da população acredita neles.

Embora mais otimistas que os japoneses (18%), franceses (23%), alemães (28%) e americanos (38%), entre outros, os brasileiros estão em sintonia com os cerca de 33 mil entrevistados.

Quedas foram registradas em todos os países pesquisados, inclusive México e Índia, que lideram a lista com índices de 61% e 70% de confiança em seus líderes executivos, respectivamente.

O relatório aponta para uma tendência global, que vai além do setor privado e engloba a credibilidade das instituições no geral.

Em 2016, 49% de todos os entrevistados disseram confiar em seus CEOs. Em 2017, o número despencou para 37%.

Em tempos turbulentos social, economica e politicamente, empresas, governos, imprensa e até ONGs acabam encarando os mesmos desafios: a desconfiança é generalizada e a culpa das crises é de todo mundo.

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“Nesse clima, as preocupações sociais e econômicas das pessoas, incluindo a globalização, o ritmo da inovação e a erosão de valores sociais, viram medos e incentivam a ascensão de ações políticas populistas que hoje acontecem em diversas democracias ocidentais”, escrevem os autores.

A Edelman usa como exemplos o Reino Unido, que votou para deixar a União Europeia, e a eleição de Donald Trump como presidente. Ambas foram disputas muito acirradas, em que os vencedores fizeram campanhas baseadas na ideia de passar a limpo um sistema atualmente desonesto e corrupto, que trabalha contra a maioria da população.

E foi também em 2016 que o Brasil passou pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, que figura na capa do novo relatório e foi outro capítulo atribulado para o mundo democrático. (Apenas 24% dos brasileiros, aliás, confiam no governo – e em 2016 esse número era três pontos menor.)

O que CEOs podem fazer?

Certamente não ajuda que, nos últimos anos, escândalos que atinjam os mais altos executivos tenham surgido com certa frequência, como os dados falsos sobre danos ambientais da Volkswagen e os vastos esquemas de corrupção denunciados pela Operação Lava Jato em grandes empreiteiras brasileiras.

Segundo o relatório, entre as coisas que mais danificam o quadro de confiança para líderes do setor privado estão justamente pagar propinas, além de oferecer bônus muito grandes aos executivos, fugir de impostos e reduzir a qualidade de produtos para reduzir custos.

Mas nem tudo está perdido. Os autores sugerem que as empresas – que, apesar dos números baixos, ainda são mais confiáveis que as outras instituições – criem modelos operacionais novos e mais integrados, que tenham as pessoas no centro e abordem seus medos honestamente.

Os entrevistados também dizem que, para resgatar a confiança do público, é preciso tratar bem seus funcionários – e a opinião de um trabalhador hoje em dia é mais confiável que a de um porta-voz, CEO ou acadêmico, para a maioria dos entrevistados –, oferecer produtos e serviços de alta qualidade, escutar seus clientes, pagar seus impostos e fazer negócios de maneira ética.

“Nenhuma ação está mais interconectada com a construção da confiança que ‘tratar bem seus funcionários’. E o que essa ação significa hoje é algo muito mais complexo que um bom salário e benefícios, vai além de pesquisar seu engajamento”, escreve Ben Boyd, CEO da Edelman para Canadá e América Latina. “As melhores empresas estão os ouvindo atentamente e integrando esses insights de maneira estratégica para delinear o futuro de seus negócios.”

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