Um Projeto: Fundação Estudar
Homem vestido de maneira formal gesticula em frente a um laptop (Matéria sobre consultoria)

Quais são os prós e contras de trabalhar em consultoria? Veja o que dizem profissionais da área

Por Redação, do Na Prática

Quatro consultores de empresas como BCG, Bain e AT Kearney dão dicas para processos seletivos e conselhos profissionais aos jovens interessados na carreira

O NaPrática.org já abordou muitos aspectos sobre a carreira em consultoria estratégica. Como é o dia a dia, como passar nos processos seletivos e como resolver cases, por exemplo, são conhecimentos que você pode adquirir agora.

E se quiser se aprofundar ainda mais nas possibilidades de uma carreira em consultoria e descobrir como é o trabalho, também pode participar do nosso curso Carreira Na Prática Consultoria, que acontece periodicamente em diversas cidades brasileiras e atualmente está com inscrições abertas no Rio de Janeiro.

É uma opção profissional recompensadora para quem gosta de dinamismo e desperta grande interesse entre estudantes de Engenharia, Administração e áreas afins.

Esse prestígio está em grande parte relacionado ao rigoroso processo seletivo, altos salários e clientes importantes que escritórios costumam atender. Desafios constantes e crescimento acelerado também são fatores que contribuem para essa atratividade. 

Contudo, esses não devem ser os únicos fatores considerados pelos jovens na hora de decidir pela profissão.


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“Mais importante do que buscar prestígio é entender a rotina de trabalho dos consultores estratégicos e o que você vai fazer durante as horas que passa dentro e fora do escritório”, explicou o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Marcelo Binder, em uma entrevista sobre o assunto.

Dado que o cotidiano é mesmo intenso – não é raro que uma jornada supere 12 horas –, saber seu estilo de trabalho e pesquisar sobre esse mercado são passos fundamentais para entender se essa é ou não a carreira certa para você.

Como todo trabalho, claro, a vida de consultor tem seus prós e contras. E quem sabe melhor quais são que os próprios consultores?

Confira abaixo as experiências e conselhos de 4 deles, todos integrantes da Líderes Estudar, rede de jovens de alto impacto da Fundação Estudar:

Como é trabalhar em uma consultoria

Daniel Azevedo, sócio do Boston Consulting Group (BCG) em São Paulo
Daniel Azevedo, consultor do BCG

 

  • Em 2003, se formou em Engenharia da Computação pela Unicamp
  • Começou a carreira como consultor no último ano de faculdade
  • Em 2010, com um MBA da Stanford University Graduate School of Business, ingressou no BCG em São Paulo

 

Como se preparou para o processo seletivo?

Confesso que fui surpreendido. Na minha época não havia cultura de consultoria na Unicamp, então não tinha a menor ideia do que esperar. Prestei alguns processos e acabei aprendendo a resolver casos durante as entrevistas. Fui pior nas primeiras, mas fui melhorando e, ao final do primeiro ciclo de recrutamento, recebi algumas ofertas de estágio.

Quais são as melhores e as piores partes do trabalho como consultor?

A melhor parte é fácil: trabalho com temas superinteressantes e com pessoas incríveis, o desafio intelectual é constante, dinâmico e que traz uma carreira acelerada global, de exposição precoce e muito desenvolvimento.

Como outras profissões de alta performance, você se entrega de corpo e alma para o desafio momentâneo. E como quer entregar seu melhor, às vezes é difícil equilibrar isso com a vida pessoal. É preciso constante reflexão para garantir uma sustentabilidade de longo prazo.

Abaixo, sócio e diretor do BCG no Brasil explica o que é preciso para um consultor se tornar sócio da empresa:

Qual foi o melhor conselho profissional que já recebeu?

Buscar trabalhar com as pessoas de que gosto, com as quais me identifico e que me inspiram. A jornada profissional é longa e fazê-la ao lado delas a torna muito mais prazerosa.

Que conselhos daria para os jovens que querem ter uma carreira de sucesso em consultoria?

Os processos estão cada dia mais competitivos e uma boa preparação de estudos de caso é muito importante para ter sucesso nas entrevistas.

Depois de ingressar na consultoria, meu conselho é dedicar-se para desenvolver as habilidades tão valorizadas na profissão: solução de problemas, capacidade analítica, estruturação, habilidades de comunicação, etc.

Mas não se esqueçam do poder da determinação: é a chave do sucesso.

Assista ao bate-papo com Christian Orglmeister, sócio e diretor do BCG no Brasil

Dorival Bordignon Junior, gerente na A.T. Kearney em Dubai
Dorival Bordignon Junior, consultor da AT Kearney

  • Em 2006, se formou em Engenharia Mecânica pela Unicamp
  • Iniciou a carreira no setor um ano antes de se formar
  • Em 2013, obteve seu mestrado na Booth School of Business da Universidade de Chicago e ingressou na A.T. Kearney.
  • Em 2015, foi transferido para Dubai e hoje atua no Oriente Médio

Como se preparou para o processo seletivo?

Utilizei ferramentas que a escola de negócios disponibilizara, como um livro de cases de anos anteriores, e treinei com colegas brasileiros. Já melhor preparado, comecei a fazer mock cases com quem havia voltado de estágios de verão em várias consultorias.

Olhando para trás com os olhos de quem entrevista agora, sei que o mais importante na resolução de qualquer case é entender o contexto do cliente, as dinâmicas da indústria em que ele se encontra e desenvolver o melhor framework de resolução utilizando os conceitos de negócio mais apropriados.

Criatividade é sempre importante, mas deve ser ancorada em uma estrutura clara e flexível para incorporar novas informações do case.

Quais são as melhores e as piores partes do trabalho como consultor?

As melhores partes são aprendizado constante e crescimento profissional acelerado. Cada situação é diferente, principalmente nos primeiros anos. 

A velocidade da carreira é acelerada com base no seu desempenho. Se você começar como analista e estiver desempenhando de acordo com a evolução esperada, pode chegar a uma posição equivalente a de diretor em menos de oito anos.

As piores partes são as viagens – estar perto do cliente resulta em falta de rotina em casa – e a visualização dos resultados, visto que em geral você não participa da implementação total das suas recomendações, que podem durar anos.

Qual foi o melhor conselho profissional que já recebeu?

Não importa a posição, indústria ou idade, ninguém faz tudo sozinho e comunicação efetiva é a melhor ferramenta para convencer outros a se juntar ao seu barco.

A comunicação efetiva começa por entender qual é a agenda das pessoas do outro lado e ajustar a mensagem e argumentos de suporte com base nisso. 

Que conselhos daria para os jovens que querem ter uma carreira de sucesso em consultoria?

É uma carreira que requer resiliência e flexibilidade para receber muito feedback e atuar rapidamente para mudar. É o que determina grande parte do seu sucesso, já que o profissional tem que evoluir rapida e constantemente.

É importante sempre buscar conhecimento com consultores mais experientes que já passaram pelas mesmas situações e alavancar as ferramentas de desenvolvimento internas, como mentoria e treinamentos.

Uma atitude confiante sem arrogância é fundamental para persuadir clientes internos e externos e assegurar que as recomendações sejam aceitas e implementadas.

Finalmente, escolher uma consultoria com uma cultura corporativa alinhada com a personalidade do candidato cria uma sinergia importante, que faz diferença no longo prazo para catalisar o desenvolvimento profissional. O candidato deve ser muito diligente para não cair na armadilha de seguir o que os amigos ou o mercado pensam ser melhor para ele ou ela.

Leia também: Veja como é o dia a dia de trabalho na A.T. Kearney

Eduardo Roma, sócio da Bain & Co. em Londres

Eduardo Roma, consultor da Bain & Co

  • Em 1996, se formou em Engenharia pela Escola Politécnica da USP 
  • Em 2002, fez seu MBA na London School of Business em 2002 e ficou na cidade
  • Em 2009, tornou-se como parceiro no escritório londrino da Bain & Co.

Como se preparou para o processo seletivo?

O primeiro elemento foi conhecer melhor cada uma das empresas. Já havia trabalhado como cliente de consultorias antes do MBA e tinha alguma noção das diferenças, mas achei importante ter uma ideia do estilo de trabalho, tipo de clientes e projetos, cultura e apoio que iria receber no meu desenvolvimento.

Li bastante, assisti apresentações e também conversei com consultores de cada uma das empresas para formar minha opinião.

O segundo elemento foi a preparação para os estudos de caso. Estudei materiais do consulting club, recursos na internet e pratiquei com amigos.

Quais são as melhores e as piores partes do trabalho como consultor?

A cada ano que passa, acho meu trabalho mais interessante que no ano anterior. Gosto do aprendizado contínuo, do grau de liberdade para focar nas áreas em que tenho mais interesse e da possibilidade de conhecer nova empresas, culturas e pessoas interessantes. Acima de tudo, gosto da capacidade de ser independente e objetivo nas minhas recomendações.

A intensidade e o número de horas talvez sejam os pontos mais difíceis. Sinceramente, isso melhora bastante com a experiência e senioridade e sinto que hoje tenho muito mais controle da minha agenda.

Qual foi o melhor conselho profissional que já recebeu?

Escolha algo que goste de fazer.

Que conselhos daria para os jovens que querem ter uma carreira de sucesso em consultoria?

A carreira em consultoria pode proporcionar excelentes oportunidades de aprendizado e desenvolvimento profissional, mas “consultoria” em si é um ramo muito amplo e diverso. Portanto acho que o mais importante é entender melhor as diferentes empresas, estilos, culturas e diferentes áreas de atuação.

Leia também: Entenda as etapas para chegar a sócio da consultoria Bain & Company

Sara Castanheira, fundadora da consultoria Castanheira em Curitiba


Sara Castanheira, consultora autônoma

  • Em 2000, se formou-se em Estatística pela Universidade Federal do Paraná
  • Em 2005, fez seu MBA na The Ohio State University Fisher College of Business
  • Em 2012, abriu sua própria consultoria, a Castanheira
  • Em 2016, se mudou para a Itália e fechou seu negócio

 

Por que decidiu abrir sua própria consultoria?

Sempre gostei de aprender coisas novas e gostava de trabalhar em coisas com começo, meio e fim. Descobri também que tinha jeito para tirar as coisas do papel, implantar programas e ajudar outras pessoas nas empresas a fazer o que é recomendado. A consultoria faz tudo isso. ​

Após um ano em que optei por me dedicar à minha filha, busquei voltar ao mercado. Naquele momento, duas pessoas que já haviam trabalhado comigo me pediram ajuda para implantar em suas empresas programas similares aos que já havíamos implantado em grandes companhias. A oportunidade bateu na minha porta e eu abri!

Abaixo, Marcel Telles fala sobre a importância de tentar algo novo:

Quais são as melhores e as piores partes do trabalho como consultor?

​A melhor parte é o aprendizado. A cada projeto, você conhece novas empresas, novos ramos, novas pessoas… Outro ponto positivo é ter certa flexibilidade para recusar projetos e montar uma agenda mais adaptada à necessidade ou ao desejo de cada um.

​A pior parte, na minha curta experiência até agora, foi controlar a frustração quando me deparei com situações em que a empresa [cliente] não quis mudar uma prática enraizada e ruim. Sabendo o que seria melhor para a empresa, simplesmente seguir em frente e não ajudá-la a mudar foi um bocado difícil.

Qual foi o melhor conselho profissional que já recebeu?

Agilidade e transparência são primordiais para corrigir um erro. Quando erramos, temos que ser rápidos e honestos para corrigir o erro. Isso aumenta a chance de pessoas continuarem confiando em nós e de não estragarmos um trabalho brilhante por conta de um erro pequeno.

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