Um Projeto: Fundação Estudar
Objeto do Projeto Mão Amiga com mão de impressora 3D

Participantes do LABx desenvolvem projeto de prótese para deficientes

Por Rafael Carvalho

Inciativa da Fundação Estudar estimulou jovens de Teresina a criarem o projeto 'Mão Amiga', que pretende mudar a vida de deficientes por meio de próteses em impressão 3D

Superar dificuldades, dar o primeiro passo e ajudar a transformar o mundo. Sonhar grande! É essa a inspiração de um grupo de jovens que decidiu empreender de uma forma diferente: ajudando a melhorar o mundo. Em pouco mais de duas semanas, nove universitários desenvolveram e imprimiram uma prótese de mão 3D. O projeto, intitulado ‘Mão Amiga’, trouxe de volta a esperança a um adolescente de Esperantina, cidade no interior do Piauí. Filipe Gabriel Costa, um dos desenvolvedores do projeto, explica que o grupo pretende ampliar e melhorar a prótese. “A ideia é fazer muito mais”, conta com satisfação.

O Projeto Mão Amiga surgiu no ano passado durante a edição em Teresina do LABx, programa de desenvolvimento de lideranças promovido pela Fundação Estudar e voltado especificadamente para jovens que querem ser a mudança que o país precisa. A proposta é aprender, por meio da troca de experiências, a alinhar sonhos e objetivos profissionais para ter uma carreira de sucesso.

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Multiplicar talentos “Eles acreditam que desenvolvendo as pessoas elas desenvolvem o país”, comenta Júlia Evangelista, uma das organizadoras do programa, sobre os fundadores da Fundação Estudar: Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira.

Durante o LABx os jovens são potencializados para transformar o Brasil. Nos dois encontros, os selecionados devem passar pelo salto, um momento prático em que deve-se alinhar a carreira e o que faz sentido para si. “Em um mês os selecionados devem dar o salto e começar a realizar um sonho que estava guardado”, declara a organizadora Júlia.

Foi o desejo de desenvolver um projeto 3D que despertou o interesse de Filipe a criar o projeto Mão Amiga. A ideia foi apresentada aos nove participantes como proposta para o salto em grupo e foi carinhosamente abraçada por todos. “Todo mundo topou, mas a gente mal sabia por onde começar”, relata.

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Conexões na rede Alguns dias depois, Filipe foi apresentado a uma pessoa proprietária de uma impressora 3D. Ao saber da ideia, Leonardo Ibanez apoiou o projeto e decidiu contribuir. “Ele não cobrou nada, só o material”. A prótese, que custou ao grupo cerca de R$ 170, foi desenvolvida a partir de um código aberto de uma professora da Europa que o criou para o filho que nasceu sem a mão. O valor da mão mecânica teria saído ainda mais barato se a primeira impressão não tivesse sido descartada. “A primeira prótese ficou com o plástico mole, então ia ficar muito frágil. Descartamos a primeira, mudamos a configuração e conseguimos fazer a segunda”, conta Filipe.

A prótese exige que o usuário tenha pelo menos o pulso, para poder realizar os movimentos de abrir e fechar a mão. Para encontrar a pessoa ideal, os universitários entraram em contato com o Centro Integrado de Reabilitação (Ceir) que também decidiu colaborar com o projeto e apontou um possível candidato. “Quando nós contamos para ele [o candidato] sobre a nossa proposta, nós vimos o brilho no olhar dele. Ele ia ter a esperança de poder pegar alguma coisa novamente”, relata Filipe, que acrescenta que o sentimento do jovem surgiu num momento em que nem era possível saber se o projeto ia mesmo dar certo.

O candidato a usar a prótese perdeu os dedos da mão aos 22 anos, após ser acometido por meningite. A doença o fez perder também uma perna e um pé. “Mesmo que seja limitado, ele tem novamente uma possibilidade”, afirma Filipe. A mudança no mundo estava acontecendo e o grupo foi alertado disso. “Você vão lhe dar com uma coisa muito importante, isso vai mexer com ele, vai mexer com a mente dele. Vocês têm que se se esforçar ao máximo para que isso dê certo, porque vocês estão lidando com uma pessoa que tem a chance de ter movimentos novamente”, alertou um dos funcionários do Ceir.

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Próximos passos Ao fim da primeira fase, o projeto sem fins lucrativos ganha agora novos ares. Filipe Gabriel Costa, juntamente com os amigos que o LABx lhe apresentou, está desenvolvendo uma maneira de tornar a prótese mais leve sem comprometer a resistência do material. Ao fim desse passo, o grupo vai cobrir a mão mecânica com uma luva de silicone e finalmente entregar para o candidato.

“Às vezes a gente se limita demais. Às vezes a gente quer fazer alguma coisa e pensa logo que não vai conseguir. Lá no LABx o que me despertou mais foi isso. Eles despertaram em mim que eu tenho possibilidade de fazer o que eu quiser fazer”, responde Filipe, ao ser questionado sobre a grande lição que o programa lhe ensinou.

Este artigo foi originalmente publicado em Capital Teresina 

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