O que o megainvestidor Warren Buffett busca em um líder?

Em carta direcionada aos acionistas, Warren Buffett lista as características que levou em conta para buscar seu sucessor, e aproveita para elogiar membros da rede da Fundação Estudar

Rafael Carvalho, do , em 04.03.2015
Warren Buffett [Fortune Live Media]

Em carta anual aos acionistas da holding Berkshire Hathaway, cujas diversas empresas subsidiárias somam 330 mil funcionários, o megainvestidor Warren Buffet adiantou quais características buscou em seu sucessor na liderança da companhia, mas sem revelar o nome do próximo CEO (Chief Executive Officer) – a pessoa já foi selecionada e, ao que tudo indica, trata-se alguém vindo da própria equipe.

A carta, que soa um pouco como uma despedida, comemora também os 50 anos desde que Buffett escreveu a primeira, em 1965. Entre muitos agradecimentos e comentários sobre todos esses anos, Buffett também deixa claro os elementos de liderança que admira nas pessoas com quem trabalhou nesse tempo.

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Veja a seguir um resumo do que ele considera essencial em um bom líder:

Calma e autoconhecimento “As tarefas a serem feitas na empresa demandam que o CEO seja uma pessoa calma, que tenha uma ampla compreensão do negócio e, ao mesmo tempo, bons insights sobre o comportamento humano”, escreveu Buffet. Para ele, também é importante que o novo líder tenha uma noção clara seus limites, exemplificando o raciocínio com uma fala memorável de Tom Watson, fundador da IBM: “Eu não sou nenhum gênio, mas sou inteligente em alguns pontos e focarei apenas neles”.

Reconhecimento de valores e cultura empresarial Dar continuidade à cultura da companhia é essencial. “Se por acaso nossos valores não-econômicos se perderem, nossos resultados econômicos também entrariam em colapso”, escreveu. Ele também revela que é tranquilizante ter a certeza de que a cultura de que ele fala já está internalizada nas lideranças e nas equipes da Berkshire.

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Firmeza de determinação “Meu sucessor terá de ter um importante ponto forte, que é ser bom em lutar contra o ABC da deteriorização dos negócios: arrogância, burocracia e complacência”, explica o investidor. Para ele, a combinação desses três fatores é o “câncer” que cresce nas grande empresas, mesmo naquelas que parecem as mais fortes e estáveis, e faz com que elas falhem. “Somente um CEO vigilante e determinado é capaz de afastar essas forças debilitadoras conforme a Berkshire continuar crescendo”, conclui.

Integridade e comprometimento O bom CEO deve estar totalmente comprometido com a companhia, e não com ele mesmo. “O CEO não pode evitar ganhar muito mais dinheiro do que ele precisaria, quaisquer que sejam suas necessidades. Ainda assim, é importante que nem o ego e nem a cobiça o motivem a equiparar seu pagamento aos de seus colegas que são exageradamente recompensados, mesmo se suas realizações forem superiores às demais”.

Para ele, o líder deve servir de exemplo para o resto da companhia. “O comportamento de um CEO tem um enorme impacto sobre os diretores e todo o resto da empresa”, avalia.

Liderança feminina Warren explica, na carta, que usou o artigo masculino para se referir ao que busca no futuro CEO simplesmente por uma questão arbitrária de linguagem. Para ele, não há nenhuma razão impedindo que seu sucessor, na verdade, seja uma sucessora. “Características de gênero jamais devem pautar quem assumirá o cargo de CEO”, escreve.

Nunca estar satisfeito Em outro momento da carta, Warren Buffet elogia a liderança dos brasileiros Bernardo Hees, ex-bolsista da Fundação Estudar, e Alexandre Behring – respectivamente CEO e Chairman da Heinz. “Eles mantém padrões de desempenho extraordinariamente altos e nunca estão satisfeitos, mesmo quando os resultados superam de longe os de seus concorrentes”.

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Na carta, o investidor também reservou um espaço especial para elogiar o empresário Jorge Paulo Lemann, com quem diz se sentir sempre bem em qualquer tipo de parceria – e adianta que espera fazer mais negócios junto com o 3G Capital, fundo de investimentos de Lemann. Eles trabalharam juntos em operações envolvendo a aquisição da Heinz e do fast food canadense Tim Hortons. Ao lado de Beto Sicupira e Marcel Telles, Jorge Paulo Lemann é um dos fundadores da Fundação Estudar