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ética no trabalho

O que é ética no trabalho e que práticas éticas devem ser implementadas nas empresas

Por Tatyane Mendes

A ética é uma diretriz importante para as organizações que utilizam normas para direcionar o comportamento dos colaboradores, contribuindo para o bom funcionamento das operações da empresa. Entenda mais o conceito e como aplicá-lo na sua vida profissional.

Para os filósofos, a ética é o conjunto de princípios que orientam o comportamento humano. Dentro do ambiente de trabalho, o termo já se relaciona mais às regras que ditam como um indivíduo ou grupo devem agir. É importante estabelecer a ética no trabalho para que as organizações funcionem corretamente e os colaboradores saibam o que é esperado deles, o que também funciona como um canal de transparência para a sociedade.

A importância da ética no trabalho

Sócio da S2 Consultoria especializada em prevenir e tratar atos de fraude e assédio, Renato Santos afirma que a ética no trabalho é importante não só por uma questão moral, mas também por motivos econômicos e de desenvolvimento social. “Quando eu tenho profissionais éticos, a chance de ocorrer uma fraude interna, furto, suborno, assédio ou desvio diminui. Todas as organizações querem que seus colaboradores sejam éticos, mas a busca por resultados às vezes se sobrepõe a isso”, aponta.

Ele complementa que, em relação à sociedade, a ética diminui a possibilidade de corrupção. “Quando a gente vê esses grandes escândalos como a Lava Jato, por exemplo, tudo se origina em uma decisão humana, de um sócio ou executivo. Isso impacta a sociedade como um todo, causando prejuízo. O indivíduo antiético também se prejudica, podendo responder criminalmente pelas suas ações, além de sofrer sanções administrativas”, exemplifica.

 

 

Renato também ressalta que existem pesquisas que mostram que cerca de 5% da receita bruta anual das empresas é desviado por conta de situações antiéticas. “Quando a gente está falando de uma organização em que o lucro gira entre 5% e 10%, pode ser que a companhia nem consiga se sustentar, por causa da falta de ética no trabalho ou de reforço de comportamentos éticos. É muito importante que a alta gestão dê o exemplo nesse sentido”, pondera.

Ele percebe que não adianta as empresas terem um código de ética, o divulgarem bem e fazer campanhas, se a liderança não agir de acordo com esses parâmetros. “Porque as pessoas observam comportamentos e é o exemplo que convence, não as palavras. A partir do momento que eu percebo que o gestor não pratica o que ele fala, isso vai aumenta a chance dos colaboradores de repetirem a mesma ação antiética. Todo mundo precisa agir de forma ética, mas para os gestores isso tem um peso maior ainda”,  avalia.

E, para as empresas, é cada vez mais difícil não adotar práticas éticas. “Até então, isso era um diferencial de mercado. Hoje eu acredito que seja um pré-requisito. Dificilmente uma organização antiética sairá ilesa desse modo de operar, provavelmente vai ter alguma consequência. E isso vem do mercado, das ações, dos investimentos e também de clientes e consumidores, além da questão judicial com a Lei Anticorrupção”.

Desenvolvendo boas práticas éticas

Apesar de as lideranças terem um papel fundamental em incentivar a ética no trabalho, cabe a cada profissional estabelecer um conduta ética a partir de suas crenças e objetivos. Confira algumas sugestões dos especialistas para ter ética no trabalho.

Denuncie práticas antiéticas: Não é suficiente ter atitudes éticas, é preciso também denunciar qualquer tipo de comportamento que vá contra o padrão ético, de acordo com o Renato. “Se alguém pede para você alterar um número para ganhar um bônus maior, não basta só não fazer. É preciso reportar esse tipo de situação no setor de recursos humanos ou compliance para evitar que se repita de outras formas”, sugere.

Faça treinamentos periódicos sobre o assunto: Se as empresas querem que seus colaboradores tenham ética no trabalho, elas precisam capacitá-los para isso e reforçar as diretrizes de tempos em tempos. “O que geralmente acontece, infelizmente, é ter uma semana ou um dia no ano inteiro para discutir o assunto. Isso é um erro porque o resultado é maior quando existe um treinamento e concentração contínua. Nem que seja uma vez por mês, as empresas precisam reciclar esse conteúdo, principalmente no que tange o que é esperado desse colaborador”.

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Desenvolva humildade moral: Os pesquisadores Maryam Kouchaki e Isaac Smith cunharam o termo em suas pesquisas sobre moralidade e ética no trabalho. Ele se refere a capacidade de reconhecer que todo mundo pode, eventualmente, ser antiético, mesmo por falta de atenção. A dupla defende que essa noção encoraja os profissionais a serem éticos porque os leva a buscar o desenvolvimento de caráter.

Conheça seus valores: Ainda segundo a dupla, quando você conhece bem os seus valores, tem uma noção melhor de como agir no futuro e isso pode ajudar a tomar melhores decisões quando necessário. Outra questão importante a ser analisada é a flexibilidade que se tem enquanto esse valores. Em alguma ocasião específica, você abriria mão deles? Esse processo pode ser facilitado com objetivos profissionais bem delimitados, segundo os pesquisadores, que devem ser reforçados com hábitos estruturados. 

Planeje-se para possíveis situações de conflito: Pensar no que você faria caso algo acontecesse é uma prática recomendada pelos estudiosos. Eles aconselham que se pense em respostas simples, mas específicas. Um exemplo é que se um superior pedir para fazer algo que você considera antiético, antes de agir você vai buscar conselhos com alguém de fora da empresa. Leve em consideração as consequências que a sua atitude pode causar e evite fazer qualquer coisa impulsivamente. 

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