Mudança de carreira: de designer de revista ao empreendedorismo com moda

“A parte boa é que sou eu quem define quando e como as coisas serão feitas, e esta liberdade é muito importante para mim. Pela primeira vez na vida me sinto realizada profissionalmente”

Frederico Machado , do , em 03.09.2016
Mesa de costureira com itens de trabalho [AcervoPessoal]

Quem visita o site e adquire uma blusa ou um vestido da Malgosia pode perceber como a marca possui um estilo característico. Talvez pelo fato das peças possuírem em seu “DNA” muito da trajetória da empresária Juliana Scapucin, que deixou a carreira de designer em portais e agências para abrir sua estamparia. Mais livre, ela encontrou no próprio negócio a oportunidade de mostrar o seu verdadeiro estilo.

Juliana Scapucin formou-se em publicidade e propaganda pela UFPR e fez pós-graduação em Design Gráfico pela Universidade de Belas Artes de São Paulo. Assim que terminou a graduação, mudou-se para São Paulo para trabalhar no maior mercado do país.

Foi web designer em alguns grandes portais e agências até que, em 2004, teve a oportunidade de trabalhar na marca de roupas “amp amulherdopadre”, onde tinha mais liberdade para exercitar seu estilo próprio. De lá foi chamada para a equipe da Revista Capricho, da Editora Abril.

“Minha rotina como designer era bem corrida, mas tinha muito prazer em desenvolver os projetos. O que mais me incomodava era a falta de liberdade para exercitar meu estilo, pois quando você trabalha com comunicação, é necessário se expressar com a alma do cliente, e não com a sua. Mas não acredito em conhecimento em vão, tudo o que aprendi está sendo usado no meu dia a dia e faz parte do que sou hoje”, analisa ela.

juliana scapucin
Juliana Scapucin [AcervoPessoal]

Depois da experiência na Revista Capricho, resolveu colocar em prática um sonho de infância: ter sua própria marca de roupas. Ali nascia a Malgosia, marca de roupas de perfil contemporâneo e urbano, que usa uma base de modelagem simples e minimalista com estampas exclusivas criadas por Juliana Scapucin.  Os modelos estão disponíveis em uma loja virtual na internet, onde os clientes fazem os pedidos que chegam pelos correios.

“Decidi colocar esse projeto em prática em 2012, pois, desde a infância, flertava com a área. Mas, por algum bloqueio, não tinha tido coragem de encarar a vocação. Em todos os anos que trabalhei como designer gráfica nunca fui realmente realizada, sempre faltava alguma coisa. Na época em que trabalhei na “amp amulherdopadre” tive contato com a área de estamparia e vi que era mais meu perfil, de um trabalho mais solto, até mais artístico, e sem tantas expectativas de comunicar uma mensagem explícita”.

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Multitarefas Para criar sua própria marca de roupas, Juliana necessitava aprender mais sobre corte e costura. E foi à luta. “Em 2013 tirei alguns meses para fazer vários cursos relacionados à área. Fiz cursos de férias na Central Saint Martins, em Londres, em diversas disciplinas que achei que me ajudariam (ilustração, pintura, gravura, estamparia). De volta a São Paulo, cursei um básico Corte e Costura e Modelagem no SENAC e depois continuei estudando sozinha, com cursos online e livros. Ainda estou evoluindo em todas as áreas, tenho um longo caminho pela frente”, afirma.

O aprendizado é diário, acompanhado de muito trabalho centralizado em suas mãos. “Eu montei e administro a loja virtual, fotografo as peças, trato as imagens. Para desenvolver as estampas eu uso os mesmos programas que usava quando trabalhava como designer gráfica, então nisso não comecei do zero. A parte mais complicada está sendo a que não tinha conhecimento nenhum, de modelagem e costura, que ainda estou evoluindo”, pondera.

O próximo desafio é contratar alguém que possa ajudar na parte mais operacional do negócio, deixando sua mente livre para criar os modelos. “Como ainda não tenho alguém fixo para me ajudar, a cada dia vou resolvendo as tarefas de acordo com sua urgência. Vai desde entregar as encomendas no correio a criar a próxima série da Malgosia. O desafio agora é encontrar alguém que possa me ajudar nas tarefas de produção para que eu possa me dedicar mais à criação e à comunicação da marca”, projeta a empresária.

Apesar da certeza de muitos obstáculos pela frente, ela se sente feliz como nunca à frente de sua própria marca, onde dita as regras e os caminhos.  

“A parte boa é que sou eu quem define quando e como as coisas serão feitas, e esta liberdade é muito importante para mim. Pela primeira vez na vida me sinto realizada profissionalmente. Tenho tido orgulho de mostrar meu trabalho e observar a sua evolução de tempos em tempos. Tenho alguns amigos que já tiveram este tipo de negócio e já fecharam. Não me influenciou, mas é óbvio que me dá uma pontinha de medo. Mas, nessa etapa da vida, eu já entendi que se você quer tentar realizar algo, você corre o risco do fracasso. E o fracasso não me assusta mais, pois finalmente eu entendi que ele, no mínimo, traz experiência de vida”, conclui.

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