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Homem andando de moto no deserto

O que um consultor McKinsey aprendeu atravessando a Austrália de motocicleta

Por Tradução do LinkedIn

"Ano passado, ao completar 40 anos, fiz algo que pode ser um pouco previsível: comprei uma motocicleta com a intenção de levá-la para a estrada e atravessar toda a Austrália, de leste a oeste"

Um dos líderes globais do time de Prática Estratégica da consultoria McKinsey, Chris Bradley é naturalmente um especialista em estratégia. É também fã de motociclismo e do livro “Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas”, em que Robert Pirsig transforma uma viagem em uma reflexão sobre a vida.

Quando fez 40 anos, inspirado pela obra, o consultor decidiu comprar uma moto e atravessar o território australiano. Em um post recente no LinkedIn, ele explica o que aprendeu na tentativa em uma versão contemporânea do clássico. Confira abaixo a tradução do Na Prática:

Ano passado, ao completar 40 anos, fiz algo que pode ser um pouco previsível: comprei uma motocicleta com a intenção de levá-la para a estrada e atravessar toda a Austrália, de leste a oeste. A primeira tentativa foi um grande fracasso (não é o assunto desse post!), mas eu subi novamente na gigante de aço e voltei esse mês de uma aventura épica com alguns amigos próximos, que me levou de Darwin a Sidney, evitando asfalto quase totalmente. Um total de 6030 quilômetros em 13 dias.

Na faculdade, um de meus livros favoritos era “Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas”. Na famosa obra de Robert Pirsig, de 1974, o personagem autobiográfico Phaedrus usa a manutenção de motocicleta como um jeito de falar sobre o significado de qualidade. Comprometido com essa ideia maluca de motocicleta e aventura, num país tão grande e árido como a Austrália, precisei aprender o suficiente sobre minha moto para solucionar problemas e fazer uma manutenção básica já que as coisas inevitavelmente quebram.

Conforme eu lutava para subir a curva de aprendizado íngreme (que frequentemente envolvia desfazer meus erros involuntários), vi muitos paralelos com meu trabalho numa consultoria estratégica. Juntei essas reflexões aqui – lições do mundo de manutenção de motocicleta que devem ressoar com outros estrategistas. Foram todas adquiridas à moda antiga: com dificuldade.

consultor mckinsey conserta moto

1. Diminua a velocidade e assegure-se de que está resolvendo o problema certo
Quando sua moto quebra no meio do nada, você pode entrar em pânico. Isso te leva a utilizar a primeira solução imaginada de maneira impulsiva conforme você tenta ser rápido e eficiente. O problema é que ir rápido é com certeza o jeito mais lento de consertar uma moto. Pior ainda é tentar consertar a parte errada ou com a ferramenta errada porque você “não tem tempo” de arranjar a certa. Ao correr para mudar uma embreagem (a primeira embreagem que eu via e mudava na vida), quebrei totalmente uma junta e isso me atrasou em uma semana.

2. Trabalhe a partir da fonte do problema
Imagine que seu pneu está murcho e não está enchendo (bikers fora da estrada constantemente ajustam a pressão dos pneus para lidar com terrenos diferentes, especialmente quando se trata da temível areia). Muitas pessoas pulam para o fim do problema (“Preciso trocar os tubos”, um trabalho difícil que envolve tirar o pneu e colocá-lo de novo manualmente). Isso é um erro. Você precisa começar do começo, que nesse caso é compressor de ar, então partir para a válvula e depois para o tubo. Como eu disse, aprendi do jeito difícil. Imagine como nos sentimos ao ficar em pé naquela estrada de terra após 45 minutos de esforço trocando um tubo que no fim estava bom! Claro, era a bomba que estava com problema. (Teste simples: teste a bomba do seu amigo.)

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3. Seja empírico
Um mecânico de interior coberto de tatuagens com cerca de quatro dentes, uma barba longa e nenhuma camiseta era o candidato menos provável a me ensinar o valor do empirismo. Encontramos-nos numa estrela remota em Arnhem, um território aborígene no extremo norte australiano. Eu tinha feito algo burro: tentado cruzar um riacho sem ver o fundo. O que aconteceu em seguida foi ficar com água até as coxas e com a moto enguiçada. Depois disso, ela não ligava mais. O mecânico estava passando por ali, nos viu no rio, deu uma risada e, como se faz por aquelas partes, foi nos ajudar.

Tínhamos muitas teorias sobre qual era a fonte do problema, mas esse cara (lembre-se da lição #2) focou em testar a fonte do problema. Primeiro: o ar estava passando pelo motor ou a água tinha entrado na caixa? Teste: ver se um pouco de ar passa pelo escapamento quando a moto liga. Sim. Segundo: a eletricidade estava chegando à vela de ignição? Teste: puxar o cabo da vela para fora, colocar um cabo novo e ligar o motor. Não ligou. Solução: esperar uma hora enquanto secava e tentar novamente. Funcionou perfeitamente!

O ponto é o seguinte: o mecânico de interior não perdeu tempo com teorias e pulou direto para angariar dados. Mas não de maneira aleatória: ele tinha uma série organizada de hipóteses e concebeu os testes mais simples possíveis para eliminá-las sistematicamente.

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consultor mckinsey atravessa rio de moto

4. Mantenha a dúvida viva
Seu maior inimigo ao tentar consertar uma moto é autoconfiança excessiva. Isso cria um olhar estreito e te cega para soluções melhores. Fique de olho naquele pensamento inicial que se torna uma âncora para seu raciocínio. Passei um dia muito frustrante guinchando a moto para consertar “bobina do estator” (parte da estrutura interna do sistema elétrico), que soava cara, quando o problema real era combustível insuficiente chegando à mangueira (um conserto de cinco minutos). Por que? Porque alguém disse: “Ah, já vi isso antes, é definitivamente a bobina do estator”, que se tornou então a hipótese dominante.

Hipóteses dominantes como essa são contagiosas, especialmente quando vem de alguém que soa confiante. É uma boa ideia ter pessoas que duvidem e contestem, mesmo que sejam chatas!

5. Distancie-se do problema
Em algum momento, você vai ficar preso numa rotina. Tome um chá, desça da moto e pense sobre o que está fazendo. Um loop rotineiro de entrar no problema e então sair dele parece ser a chave para a eficiência. As coisas que o impedem de sair são a confiança excessiva (veja acima), a pressa, a raiva ou o pânico. Mantenha a calma!

6. Seja organizado
Ao contrário de mim, bons mecânicos mantém sua área de trabalho limpa. Acho que isso acontece porque, quando confrontados com a ambiguidade de uma moto que não funciona, você precisa estar cercado de ordem. Quando o mecânico passa tanto tempo procurando ferramentas quanto consertando o problema, você sabe que está na presença de um amador. Uma analogia para estratégia: não pegue atalhos num processo disciplinado.

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7. Planeje-se para o melhor mas se prepare para o pior
Você nunca planeja quebrar, mas precisa estar preparado para qualquer coisa. Motociclistas de aventura experientes têm kit portáveis de ferramentas e peças comuns extras, colas e cordas que podem ajudá-los a sair de uma encrenca em qualquer lugar. Esse pequeno kit evolui com cada acidente e se torna mais sofisticado, mantendo-se o mais leve possível e maximizando a preparação.

Só porque você planeja para casos de falha não significa que deva planejar para falhar. Mas muitos planos de negócios, numa tentativa de projetar uma aura de confiança, não deixam espaço para o chamado “estepe”. Também acho que a busca sem fim por eficiência pode reduzir a habilidade de lidar com chateações – esses estepes parecem ser desnecessários quando não são usados!

Meu empurrão de meia idade rumo às motocicletas me tirou da minha zona de conforto e me jogou em novas circunstâncias com novos professores. Há algo em se tornar novato de novo que, pelo menos para mim, traz uma grande sensação de renovação. E lá fora, na paisagem aberta do outback australiano, você tem tempo para refletir.

Artigo originalmente publicado no LinkedIn e traduzido pelo Na Prática

 

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