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Iniciação científica: um caminho para formar lideranças inovadoras

Por Rafael Carvalho

"Não dá para fazer inovação sem se aproximar da ciência", defende professor universitário da USP

Participar de um programa de iniciação científica pode ser considerado uma das experiências mais importantes que se pode ter durante a graduação. Não apenas por preparar possíveis futuros cientistas, mas também por formar profissionais com visão de liderança.

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Formação de lideranças “Ao estimular o aluno a identificar um problema, aplicar um método científico para resolvê-lo e analisá-lo para transmitir seus resultados à sociedade, estamos ajudando a formar lideranças, pois este aprendizado é fundamental para qualquer área do conhecimento”, afirmou o reitor da Universidade de São Paulo, o prof. Marco Antonio Zago, na abertura do Simpósio Internacional de Iniciação Científica da USP.

Para Zago, a universidade tem obrigação de criar e transferir conhecimento, e de formar profissionais competentes e com visão de liderança. “É lamentável que a maior parte da nossa juventude, por falta de uma educação de qualidade, não tenha acesso a esse momento de desenvolvimento econômico”, ressaltou.

O Brasil, lembrou ele, não está sendo capaz de formar mão-de-obra qualificada em número suficiente para levar o País a um patamar mais elevado de desenvolvimento, que não seja o de grande exportador de commodities. “A USP, como principal universidade da América Latina, tem obrigação de formar bons profissionais, mas também de alertar para esses problemas”, continuou.

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Bolsas de apoio Segundo a Prof. Maria Inês da Rocha Santoro, coordenadora do Programa de Iniciação Científica da USP desde 2009, dos cerca de 58 mil alunos matriculados na graduação da universidade, quase três mil recebem bolsas de iniciação científica.

As bolsas são concedidas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e tecnológico (CNPq), pelo Banco Santander e pela própria USP. “O número de alunos beneficiados representa 5%, mas pode alcançar 10%, se somarmos aqueles que fazem iniciação científica com bolsas de outras instituições ou mesmo sem apoio financeiro”, afirmou.

Os dez por cento que fazem iniciação científica vêem nessa experiência um divisor de águas. O Prof. José Roberto Castilho Piqueira é um exemplo. “Em 1970, quando cursava a Escola de Engenharia de São Carlos, tive a honra de ser aluno no professor Sérgio Mascarenhas e mais tarde ser bolsista de iniciação científica no Instituto de Física. Foram duas experiências marcantes, que transformaram minha vida e me impulsionaram para a pesquisa”, afirmou.

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Empreendedorismo “Cada vez mais a engenharia se aproxima da ciência básica, e não dá para fazer inovação sem se aproximar da ciência básica”, acrescentou Piqueira. O presidente da Comissão de Pesquisa da Escola Politécnica da USP, Antonio Mauro Saraiva, concorda. “A iniciação científica abre caminho para a inovação e para o empreendedorismo”, disse.

O físico Sérgio Mascarenhas também compartilha da mesma opnião. “O século XXI tem um novo paradigma, que é a economia do conhecimento”, frisou. “Nessa era, a união do humanismo com a ciência é fundamental para a inovação”, disse. Em sua opinião, a interdisciplinaridade, que possibilita a combinação de diversas fontes de conhecimento, é a base para a inovação.

Este artigo foi originalmente publicado no portal de notícias da Escola Politécnica

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