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Gestão horizontal

Gestão horizontal: como funciona o método organizacional que Google e Netflix adotam

Por Suria Barbosa

Por que o Elon Musk está apostando na gestão horizontal para resolver os problemas da Tesla Motors? Entenda o que é exatamente esse modelo organizacional e quais os benefícios que traz às empresas.

Depois de ver as ações da Tesla Motors despencarem 25% desde setembro do ano passado, o CEO Elon Musk, anunciou a seus funcionários que adotará uma gestão horizontal. A notícia veio a partir de um e-mail do magnata divulgado pela imprensa em abril.

A baixa nas ações é uma consequência de uma série de acontecimentos recentes envolvendo a Tesla. Entre eles, problemas de fábrica e acidentes envolvendo seus carros de direção autônoma e preocupações financeiras.

 

O Model S da Tesla Motors foi protagonista de um acidente fatal envolvendo piloto automático, na Califórnia / Reprodução Electrek

 

Embora não tenha utilizado o termo “horizontal”, Musk descreve mudanças na comunicação que, tipicamente, fazem parte desse tipo de gestão. Por exemplo, como acontece no seguinte trecho de sua mensagem (traduzido pelo Na Prática, confira o original aqui):


“A comunicação deve percorrer o caminho mais curto necessário para fazer o trabalho, não através da ‘cadeia de comando’. Qualquer gerente que tente impor a comunicação baseada na cadeia de comando logo estará trabalhando em outro lugar.”

Mas, porque o CEO bilionário acha que “horizontalizar” – pelo menos, a comunicação – vai ajudar a companhia a se reerguer? Confira o que é e o que faz, realmente, a gestão horizontal.

A gestão horizontal

Método organizacional, a gestão horizontal tem seu princípio básico em uma estrutura sem valorização de relações de poder. Assim como o nome mostra, contrapõe a gestão vertical (derivada da hierarquia) como uma forma mais participativa, em que as decisões são tomadas em conjunto e, portanto, tem a responsabilidade dividida entre os membros do time.

Por isso, não é incomum que os profissionais sejam incentivados a se posicionar e expressar sua opinião. Da mesma forma com que acontece com a responsabilidade, também ganham mais autonomia sobre seu trabalho.

Basicamente, esse modelo de gestão se apoia na ideia de que os trabalhadores são mais produtivos quando são envolvidos nos processos de decisão do que quando são supervisionados por uma cadeia de chefes.

Não existe só um jeito de implantar essa estrutura. Na realidade, as empresas podem adotar diferentes níveis de horizontalidade, dependendendo do quanto eliminam da hierarquia.

Estrutura de gestão vertical e de gestão horizontal
Estrutura de gestão vertical X gestão horizontal / Reprodução OrgChart

Efeitos da horizontalidade

“Uma das principais fontes de problema é a falta de comunicação entre os departamentos. A maneira de resolver isso é permitir o fluxo livre de informações entre todos os níveis. Se, para fazer algo entre os departamentos, um colaborador individual tiver que falar com seu gerente, que fala com um diretor, que fala com um vice-presidente, que fala com outro vice-presidente, que fala com um diretor, que fala com um gerente, que fala com alguém que realmente está fazendo o trabalho, então ‘coisas estúpidas’ vão acontecer.”

O trecho acima, que também faz parte do e-mail de Musk, deixa claro um dos problemas que o magnata espera resolver com a gestão horizontal. Podemos comparar o fim da hierarquia na comunicação, o que o CEO pretende fazer, à diminuição da burocracia, por exemplo. Ambos significam menos processos até o resultado esperado. Ou seja: simplificar a comunicação pode facilitar a resolução das questões.

Por aumentar o senso de responsabilidade dos funcionários, esse método também afeta a intenção de contribuição de cada um. Algo similar ao chamado “sentimento de dono”. A diferença é que aqui o profissional não se sente proprietário (necessariamente), mas sim que suas ações são determinantes para o sucesso da companhia. Por isso, na teoria, trabalha para que a empresa cresça no mercado.

A colaboração também pode ser mais fácil, sem a “competição” derivada da preocupação com o crescimento hierárquico.

Leia mais: Você se adequaria a uma startup?

Com diferenças fortes em relação às estruturas consideradas tradicionais, a gestão horizontal necessita de profissionais que se ajustem ao seu modelo. Quer dizer que, para funcionar, precisa de funcionários com perfis proativos, que se deem bem com a autonomia e liberdade – o que não acontece sempre.

Quem é fã desse método de gestão

Não é só Musk que vê benefícios em horizontalizar sua companhia. Esse método de gestão é adotado por muitas startups. No início, quando os processos ainda não foram delimitados, elas se beneficiam da flexibilidade e foco na atuação pessoal que ele proporciona.

No Brasil, a plataforma de recrutamento online Vagas e a Semco, que produz equipamentos tecnológicos para indústrias, são exemplos das que aderiram à gestão horizontal – sendo que a Semco é uma das pioneiras nesse quesito no país e a Vagas foi premiada internacionalmente pela sua estrutura. 

Entre as empresas globais, o Google foi um dos responsáveis por popularizá-lo, embora não tenha abandonado completamente a hierarquia. Outra gigante que o adota (também parcialmente) é a Netflix.

Sua gestão e cultura ficaram famosas a partir de uma apresentação divulgado por Reed Hastings, CEO e cofundador. “Netflix Culture: Freedom & Responsability” foi considerado “o mais importante documento a sair do Vale do Silício” pela COO do Facebook, Sheryl Sandberg.

 

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