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Homem cultivando grama

O dia a dia de um engenheiro agrônomo

Por Rafael Carvalho

A rotina de trabalho inclui visitas diárias a cooperativas e a produtores locais, fornecendo recomendações que se ajustem às necessidades de cada um deles

Em outubro, no dia doze, foi comemorado o dia do engenheiro agrônomo. Foi nessa data, em 1933, que Getúlio Vargas sancionou o decreto-lei regulamentando pela primeira vez a atividade no Brasil. Segundo o Censo da Educação Superior, existem hoje 252 cursos de Agronomia ou Engenharia Agronômica reconhecidos pelo Ministério da Educação (o MEC acolhe as duas terminologias), oferecendo um total aproximado de 20 mil vagas em instituições públicas e privadas. Quem abraça essa opção de carreira precisa encarar cinco anos de faculdade e, depois de concluída a graduação, continuar sempre se atualizando sobre o que há de novo e melhor em relação às tecnologias e práticas agronômicas.

Os agrônomos vivem para o campo, mesmo quando mudam de função e passam a trabalhar no escritório. A paixão por ajudar os agricultores a produzir alimentos nutritivos e acessíveis é enorme. Com uma formação técnica bem ampla, esses profissionais são fundamentais para o desenvolvimento sustentável da agricultura no Brasil.

“No meu trabalho, tenho a missão de aproximar a empresa dos produtores, levando produtos e tecnologias aos nossos clientes”, afirma Luciano Ferronatto, 39 anos, um dos Representantes Técnicos de Vendas (RTVs) da Monsanto espalhados pelo país. “Acima de tudo, é preciso estar muito próximo do agricultor, entendendo as suas reais necessidades e levando informação de qualidade para ser reconhecido por ele e por toda a cadeia que cerca o nosso negócio”.

Esse pacote de “informação de qualidade” inclui tendências de mercado, dados sobre meteorologia, técnicas de manejo da lavoura e orientações de planejamento. Luciano enfatiza ainda que, para um representante técnico de vendas, é essencial conhecer a fundo sua região de atuação e ter um entendimento afiado sobre os produtos da empresa.

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Relação com os produtores 

Natural de Três Palmeiras, no norte do Rio Grande do Sul, Luciano é engenheiro agrônomo formado pela Universidade de Passo Fundo (RS) e hoje reside em Chapecó (SC). Sua área de atuação é o Oeste catarinense, que tem como características a pequena propriedade e forte presença do sistema cooperativista.

A rotina de trabalho inclui visitas diárias a filiais de cooperativas e aos principais produtores locais, ajustando as recomendações às necessidades de cada um. “Como em nossa região predomina o plantio de milho verão, de agosto a fevereiro as visitas ocorrem no campo”, diz Luciano. “Já na entressafra (março a julho), as visitas têm o objetivo de planejamento com o produtor e definição de compra e venda de sementes”.

Casado e pai de dois filhos pequenos, ele reconhece que, às vezes, é difícil conciliar o trabalho e a família. “Quem escolhe essa função tem que abrir mão de certas coisas. Há períodos do ano em que a necessidade de estar com os produtores no campo é muito grande, o que faz com que eu esteja mais ausente. Mas a família entende muito bem, sabe que eu faço isso com entusiasmo – e essa alegria eu levo quando retorno para casa”.

A relação com os agricultores também é muito positiva. “Eles compreendem a nossa função, sabem que estamos ali para ajudá-los no desafio de produzir cada vez mais, com mais qualidade e respeito ao meio ambiente”. Respeito é o que define e fortalece a confiança entre as partes. Luciano explica que não só os produtores, mas também os técnicos e gerentes das cooperativas, veem os agrônomos como profissionais que levam informação e tecnologia ao homem do campo.

Estratégia e Gerenciamento 

A função de Representante Técnico de Vendas não é a única que pode ser exercida por um engenheiro agrônomo na Monsanto ou em outras empresas – longe disso. Funcionário da Monsanto há quase três décadas, o carioca Felipe Hasselmann, 58 anos, é formado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e hoje é gerente da área de Estratégia e Gerenciamento de Produtos, encarregado do processo de avanço de novos produtos e gestão de portfólio.

“A minha rotina é cíclica”, diz Felipe, revelando que o ambiente do escritório, entre quatro paredes, também é um terreno fértil para o trabalho do profissional da área. “No primeiro ‘round’ sou responsável pela agenda de reuniões de consenso das áreas envolvidas ou impactadas pelo lançamento de novos produtos, como Melhoramento Genético, Manufatura e Marketing. O ‘segundo round’ é em campo, percorrendo regiões que cultivam milho, coletando dados de performance e posicionamento técnico”.

No escritório ou no campo, é de enorme importância manter o contato de perto com os clientes. “Contratamos e consultamos pesquisas de mercado para ouvir os nossos clientes, mas precisamos estar junto deles para ter empatia e entender seus anseios e necessidades”, afirma Felipe. “Uma leitura malfeita nos leva a caminhos errados e uma correção de rumo no nosso negócio pode tomar muito tempo”.

Veterano, ele chama a atenção para a necessidade de constante aperfeiçoamento. “Temos que estar sempre atualizados. Somos cobrados e incentivados a estudar, ler e aprimorar o conhecimento”.

 

Este artigo foi originalmente publicado no Projeto Draft

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