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escritório do Ifood

Como é trabalhar em uma startup? 5 delas respondem

Por Colunista do Na Prática

Já se perguntou como é o dia a dia em uma startup? Profissionais da IFood, EBANX, Gympass, Quero Educação e idwall contam sobre sua rotina, o perfil procurado e particularidades dessas empresas.

Dresscode livre, cerveja de graça, sala de descompressão com videogames e um escritório com uma estrutura que promova a conexão entre as pessoas e estimule sua criatividade são alguns dos elementos típicos de uma startup.

Além desses benefícios, esse tipo de empresa virou o desejo de muitos profissionais do mercado brasileiro por privilegiarem processos inovadores e ágeis, fugindo da burocracia inevitável a companhias maiores.

Mas essa estrutura também requer habilidades específicas de quem trabalha nela. Assim, vale se perguntar: será que todo mundo tem o perfil certo para trabalhar em uma startup?

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O dia a dia em uma startup 

A velocidade no desenvolvimento do negócio é o que baliza o cotidiano de uma startup. Isso se reflete em todas as áreas da companhia, influenciando desde o ritmo de contratação de novos funcionários até a forma com que os colaboradores precisam se adaptar a mudanças. “É preciso ter flexibilidade, agilidade e, mais do que resiliência, ser um promotor de mudanças”, defende Luciana Carvalho, Diretora de People do iFood. A companhia brasileira que começou como uma startup hoje faz parte do seleto grupo dos unicórnios, empresas que valem mais de 1 bilhão de dólares.

Toda essa rapidez na tomada de decisões e uma equipe enxuta para desempenhar funções no início da trajetória da empresa faz com que seja depositada muita confiança em cada profissional. “É necessário entender que nem tudo está pronto e que, muitas vezes, você será a pessoa responsável por criar determinado processo”, diz Heloisa Sayuri Kobori, People & Culture da startup de tecnologia idwall. Segundo ela, a grande vantagem é que, em um ambiente de trabalho como esse, existe espaço para tomar a iniciativa e desbravar novos caminhos, seja qual for o seu nível hierárquico.

Heloisa também conta que a empresa busca pessoas focadas na resolução de problemas e que valorizem as interações humanas e a colaboração. Por sua vez, é fundamental que a gestão promova ações para incentivar essa cultura de compartilhamento de dúvidas e soluções.

Quero Educação conta como fez isso: “Nosso escritório é estruturado para que os times que trabalham juntos fiquem próximos fisicamente. Isso faz com que as pessoas sejam mais colaborativas e a comunicação aconteça de forma mais rápida e simples”, diz Nairana Leal, Head de Recrutamento. A profissional acredita que só assim é possível obter sucesso com uma empresa orientada por resultados.

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O que um profissional de startup precisa ter

A maioria das empresas consultadas apontou a necessidade de os profissionais terem boa capacidade de adaptação e mentalidade de desenvolvimento constante. Isso é importante devido ao ritmo de mudanças e crescimento acelerados que esse tipo de companhia pode ter, principalmente quando as rodadas de investimento são positivas e alavancam a sua capacidade financeira.

Para Patrícia Badaró, Especialista de Desenvolvimento Organizacional da empresa de pagamentos EBANX, a capacidade de se renovar constantemente é algo muito valorizado. “A mudança é muito rápida e as entregas também. Se você não estiver preparado para se adaptar e não demonstrar vontade de transformar, não conseguirá se adaptar em um ambiente de startup”, aconselha.

Se essa capacidade de entregar mais e melhor é tão valorizada dentro dessas empresas, as relações humanas e a presença da diversidade também são. Grande parte das startups com que conversamos mostraram que garantir o bom relacionamento entre os funcionários é tão importante quanto acolher pessoas diversas dentro da companhia. “Acreditamos na força da diversidade de pessoas, suas histórias, culturas e realidades para fortalecer nosso negócio”, conta Luciana do iFood.

Para a idwall, um profissional se preocupar com a luta pela diversidade é quase um requisito para se trabalhar lá, conta Heloisa. “Somos muito ligados em diversidade em seu significado mais amplo: além das minorias, valorizamos a diversidade de culturas (temos pessoas de diferentes estados e até países) e, principalmente, de histórias. É um ambiente colaborativo, com muito compartilhamento de conhecimento.”

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Ligação direta com o propósito

Uma de nossas pesquisas revelou que o propósito é um dos principais motivos para brasileiros trocarem de emprego, mostrando a relevância que esse ponto tem adquirido no contexto do mercado nacional.

Muitas startups já compreenderam como a ligação do trabalho com os valores e propósitos pessoais vem sendo amplamente valorizado pelos profissionais, e começaram a promover ações que deixassem mais claro como sua empresa impacta positivamente o mundo.

Caio Chedid, Global Talent Acquisition Director para Tecnologia do Gympass, conta que cerca de 75% das pessoas entrevistadas nos seus processos seletivos dizem ser atraídas pelo propósito da empresa de combater o sedentarismo. “Unir metas de carreiras a metas financeiras já é difícil em muitas empresas, e startups ainda conseguem oferecer este terceiro aspecto do propósito, em que existe forte sensação de retribuir algo à sociedade”. É essa conexão que muitos brasileiros buscam ao trocarem de emprego – e que muitas startups podem oferecer.

Mantendo o clima de startup 

O objetivo de toda startup é escalar seu negócio e aumentar o número de pessoas trabalhando na empresa. Se conseguir isso, o risco de mudar severamente seu perfil com o passar do tempo é grande.

É mais fácil ter processos ágeis e sem burocracia em uma empresa com menos de 100 funcionários. Quando a realidade muda e o negócio cresce tanto que passa a ter escritórios em outros países, tudo fica mais difícil de ser controlado.

Essa é a realidade vivida pelo iFood. Mas Luciana garante que dentro de casa as coisas continuam na mesma sintonia: “Já somos um unicórnio brasileiro e, apesar de não sermos mais uma startup, buscamos manter essa cultura de agilidade com muito crescimento, autonomia e, acima de tudo, fome de resultados”. A diretora conta que é necessário investir na promoção de um ambiente flexível, organizado e que incentiva a tentativa e o erro. “Ainda estamos em um processo em que tudo está acontecendo ao mesmo tempo: transição, mudança e crescimento. E, para fazer isso do jeito que gostaríamos, estamos fortalecendo, cada vez mais, nosso propósito, proposta de valor e cultura”, completa.

O Gympass hoje passa por uma expansão com a presença da empresa em outros países. Para Caio, a escalada do negócio aconteceu de forma natural. “À medida que abríamos um escritório em um novo país, certos processos já vividos anteriormente eram melhorados e outros aprendizados vinham”.  A cultura de startup, no entanto, permanece.

 

Matéria publicada originalmente no portal parceiro Glassdoor.

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