“Eu sentia que alguma coisa estava faltando, que precisava fazer algo a mais pelo mundo”

Sempre tive o orgulho de dizer que nasci na cidade mais bonita do mundo: Diamantina, Minas Gerais. Cresci numa cidadezinha próxima, chamada São Gonçalo do Rio Preto, que tem cerca de 3 mil habitantes.

O bom de crescer numa cidade assim não é só conhecer quase todo mundo e poder comprar pastel e chocolate para pagar depois. O bom é crescer livre, de pé no chão, preocupando-se apenas em ser criança, subir em árvore e descer para o rio com os primos. Só mais tarde a gente conecta os pontos, e acho que esse senso de liberdade me ajudou a desenvolver uma atitude protagonista diante da vida.

Meu primeiro desafio foi ir para a escola em Diamantina. Cheguei, não conhecia ninguém, e tinha esquecido o caderno de “biblioteca”. Chorei. Uma menininha de óculos chegou perto de mim e disse “bola pra frente!”. A bola quicou e nos tornamos melhores amigas. Aquela escola, e todas as que vieram depois, foram palco de muito desenvolvimento e crescimento como ser humano.

Eu decidi fazer a faculdade de Engenharia Elétrica, com ênfase em Sistemas de Energia. Aproveitei cada oportunidade: iniciação científica, monitoria, intercâmbio, outro intercâmbio, mais pesquisas… O tempo voou. Formei. O que eu mais queria era passar no trainee do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico). Passei nesse processo extremamente concorrido, e essa foi uma grande conquista em minha vida.

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Além de aprendizado e experiência, o ONS me apresentou Florianópolis: a única cidade do planeta, dentre todas que eu conheci, que me fez pensar que Diamantina talvez não seja a cidade mais bonita do mundo.

Dentre as inspirações que Floripa me traz, a maior delas veio no ano passado: fazer o programa de autoconhecimento da Fundação Estudar, que na época era chamado de Catálise e hoje é o Autoconhecimento Na Prática.

Eu estava super feliz comigo mesma, trabalhando onde eu sonhava, tendo o estilo de vida que eu sonhava, mas sentia que alguma coisa estava faltando. Precisava fazer algo a mais pelo mundo e, lá no programa, reconectei com aquela menininha de Rio Preto, que viveu tanta coisa boa na escola.

Como me incomodava saber que algumas pessoas não vão descobrir e explorar seu verdadeiro potencial simplesmente porque não terão acesso às mesmas oportunidades que eu tive!

Aquilo martelou na minha cabeça, e vem guiando várias das minhas ações desde então. Terminei um relacionamento que não estava dando muito certo e parti para o Amazonas, um local que sempre quis conhecer.

Fiz um trabalho voluntário incrível numa escolinha para crianças. Fiz a diferença na vida daquelas crianças e elas fizeram muita diferença na minha vida. Hoje tenho uma pipa na parede, que ganhei de um aluno, uma pasta cheia de cartinhas para a professora Luna, e um sentimento indescritível no coração, que eu posso resgatar sempre que eu quiser ou precisar.

Também fiz trabalho voluntário numa casa de acolhimento para crianças e adolescentes. Trabalhei com duas meninas maravilhosas com o objetivo de despertar nelas um sentido maior de quem elas são e quais são seus papéis no mundo. Fiz isso até o momento em que ficaram na casa e, sinceramente, não sei qual foi o meu papel, mas sei que nunca vou esquecer daqueles rostinhos e que toda sexta a noite eu subia um morro gigante e inclinado com a certeza do porquê eu estava fazendo aquilo.

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Acredito que o mundo se transforma quando as pessoas usam seus reais talentos e potencialidades. Por isso quero contribuir, de alguma forma, para ajudar as pessoas a encontrarem seus caminhos. Isto explica o meu desejo de facilitar os programas da Fundação Estudar. Recentemente, capacitei-me para facilitar o Liderança Na Prática 16h e quero logo botar a mão na massa! Sei que tem muita gente boa por aí e não vejo a hora de conhecer algumas dessas pessoas.

Buscar o sonho grande não é fácil, e às vezes pode ser desesperador. Já pensei que sabia qual era meu sonho, e na verdade não tinha a menor ideia. Já pensei que tinha descoberto, e já pensei que estava me sabotando. Tudo isso é natural. O importante é se mexer.

Nessas mexidas da vida, dentro de um ano já estou num novo emprego, trabalhando com pesquisa em energia sustentável, me tornei representante do Núcleo Na Prática de Florianópolis e líder da célula Litro de Luz na mesma cidade. Ah…. Sabe aquele relacionamento que não estava dando certo? Agora está!

Como bem disse Guimarães Rosa: “A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.”

 

 


Luna Leão Glória
, é formada em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), representante do Núcleo Na Prática Florianópolis e facilitadora voluntária do curso Liderança Na Prática 16h, da Fundação Estudar. Hoje trabalha com inovação e tecnologia em energia sustentável na fundação Certi.

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