Cinco erros de currículo que o Google não deixa passar

Vice-presidente de Recursos Humanos do Google explica como consertar os erros no currículo e aumentar suas chances no mercado do trabalho

Laszlo Bock, do Google, para o , em 29.01.2016
Papeis CV [DeathToStockPhoto]

No Google, a área de Recursos Humanos é chamada de Operações Pessoais. E um de seus grandes nomes é Laszlo Bock, atualmente vice-presidente sênior do departamento e autor do bestseller Work Rules! (em português, Um novo jeito de trabalhar), um guia prático de trabalho e liderança segundo a filosofia da gigante de tecnologia.

Recentemente, ele contou quais são os cinco maiores erros que encontra cotidianamente em currículos de possíveis funcionários – e numa empresa que às vezes recebe 50 mil CVs por semana.

“O mais deprimente é que consigo entender com esses currículos que muitas pessoas são boas, às vezes ótimas”, conta Laszlo. “Mas em um mercado de trabalho tremendamente competitivo, basta um pequeno erro para um gerente rejeitar um candidato que, sem ele, seria interessante”. A seguir, ele escreve sobre os cinco erros de CV que o Google não perdoa: 

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Erro 1: Erros de digitação

Esse parece óbvio, mas acontece de novo e de novo. Uma pesquisa da Career Builder em 2013 mostrou que 58% dos currículos têm erros de digitação.

Na verdade, as pessoas que mexem em seus currículos cautelosamente são especialmente vulneráveis porque os erros muitas vezes resultam de ajustar o texto de novo e novo uma última vez. Ao fazer isso, de repente sujeito e verbo não concordam mais ou um ponto final fica no lugar errado ou datas sem alinhamento.

Erros de digitação são fatais porque empregadores os interpretam como falta de atenção aos detalhes ou despreocupação com qualidade. O conserto?

Leia seu currículo de baixo para cima: reverter a ordem normal ajuda a focar em cada linha de maneira isolada. Ou peça para alguém revisar com cuidado para você.

Erro 2: Comprimento

Uma boa regra geral é uma página de currículo para cada dez anos de trabalho. Difícil encaixar tudo, certo? Mas um currículo de três ou quatro ou dez páginas simplesmente não será lido com atenção. Como escreveu Blaise Pascal: “Eu teria escrito uma carta mais curta, mas não tive tempo.”

Um currículo focado e limpo demonstra habilidade de síntese e priorização e mostra as informações mais importantes sobre você. Pense desse jeito: o único propósito de um currículo é conseguir uma entrevista. É isso. Quando você estiver na sala de entrevista, o currículo não importa muito. Então corte. Está muito longo.

Erro 3: Formatação

Exceto se você está tentando conseguir uma vaga de designer ou artista, seu foco deve estar em deixar seu currículo limpo e legível. Pelo menos uma fonte tamanho 10. Pelo menos 1,2 centímetros de margem. Papel branco, tinta preta. Espaço consistente entre as linhas, colunas alinhadas, seu nome e contato em cada página.

Se puder, observe-o no Google Docs e no Word, então anexe em um email e abra como prévia. A formatação pode ficar ruim em uma plataforma. Salvar como PDF é uma boa saída.

Erro 4: Informações confidenciais

Certa vez, recebi um currículo de candidato que trabalha em uma das três melhores consultorias. A empresa tinha uma política de privacidade rígida: os nomes dos clientes nunca poderiam ser compartilhados. No currículo, o candidato escreveu: “Consultor em uma grande empresa de software em Redmond, Washington”. Rejeitado!

Há um conflito inerente entre as necessidades de seu empregador (mantenha segredos de negócios confidenciais) e suas necessidades (mostrar quão incrível eu sou e assim conseguir um emprego melhor). Então frequentemente candidatos encontram maneiras de respeitar as letras dos acordos de privacidade mas não seu espírito. É um erro.

Mesmo que esse candidato não tenha mencionado a Microsoft pelo nome, qualquer revisor saberia. Em uma olhada rápida, descobrimos que pelo menos 5-10% dos currículos revelam informações confidenciais. O que me diz, como empregador, que eu jamais deveria contratar esses candidatos… A não ser que eu queira meus segredos enviados por e-mail à competição.

O teste do The New York Times é útil aqui: se você (ou seu chefe!) não quiser ver isso na página principal do NYT com seu nome no meio, não coloque no currículo.

Erro 5: Mentiras

Essa parte meu coração. Mentir em seu currículo nunca, nunca, nunca vale a pena. Todo mundo é demitido por isso, inclusive CEOs. Dê um Google em “CEO demitido por mentir em CV” e veja você mesmo. As pessoas mentem sobre seus diplomas (quase formado não é formado), notas (já vi centenas de pessoas “acidentalmente” arredondarem suas notas para cima, mas nunca para baixo) e onde estudaram (desculpa, mas empregadores não vêem um diploma de “vida” concedido online do mesmo jeito que vêem um da UCLA).

As pessoas mentem sobre quanto tempo passaram em empresas, o tamanho de suas equipes, resultados de vendas, sempre soprando a seu favor.

Há três grandes problemas com a mentira. Primeiro, você pode ser pego facilmente. A internet, suas referências ou pessoas que trabalharam em sua empresa no passado podem revelar sua fraude. Segundo, mentiras te seguem para sempre. Minta em seu currículo e 15 anos depois ganhe uma grande promoção. O que acontece se você for descoberto? Demitido. Boa sorte explicando isso em sua próxima entrevista. Em terceiro lugar… Nossas mães nos ensinaram isso. Sério.

 

Este artigo foi traduzido pelo Na Prática e aparece originalmente no LinkedIn