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homem de camisa fazendo anotacoes

CFA: uma certificação que vale a pena para muitos profissionais de finanças

Por Cecília Araújo

Especialista na área explica por que cada vez mais pessoas dedicam o pouco tempo livre que têm para estudar para o exame

Imagine não poder levar seu cachorro ao parque nos domingos, ou mesmo sair com sua namorada no fim de semana, para ir ao cinema ou ao restaurante. Happy hour com os amigos de faculdade ou trabalho? Pode esquecer! Essas atividades tão corriqueiras não fazem parte da rotina de vários profissionais de finanças no mundo todo. Mas por que alguém trocaria esses momentos prazerosos por outros solitários, no escritório ou mesmo dentro de casa?

Essas pessoas estão abdicando de seu pouco tempo livre para estudar, com o intuito de se tornarem CFA® charterholders. Há 50 anos, o CFA Institute criou uma prova para certificar os profissionais de finanças e criar um padrão de qualidade nessa indústria. Podemos dizer que eles foram bem sucedidos em sua visão, pois em mais de 150 países há pelo menos um dos mais de 120 mil CFA® charterholders no mundo.

No Brasil, existem hoje mais de 700 profissionais com essa certificação. Há dez anos, apenas uma pequena fração desse número eram certificados e certamente em pouco tempo serão mais de 1 mil profissionais.

Quem pode se tornar um CFA charterholder?

Existem dois requisitos principais para se tornar um CFA® charterholder: ser aprovado no Level III e ter no mínimo quatro anos de trabalho em áreas correlatas às do CFA® Exam. Esse tempo mínimo de trabalho deve ser comprovado por meio de um e-mail – para se tornar um CFA® charterholder, o candidato precisa responder a um minucioso questionário sobre o seu histórico profissional.

Os exames para a certificação ocorrem duas vezes ao ano, sempre nos primeiros sábados dos meses de junho e dezembro. Em junho ocorrem as provas para os três níveis, enquanto em dezembro, apenas a prova do primeiro nível. Para realizar o nível acima, o candidato obrigatoriamente deve ter tido sucesso no nível anterior.

Não há tempo mínimo ou máximo de intervalo para realizar a prova de um nível acima – o candidato pode ficar anos sem realizar o próximo exame. Também não existe meia designação, ou seja, um candidato que não tenha todos os requisitos não pode ser considerado CFA® charterholder. Não há ainda nota mínima para ser aprovado em cada um dos exames: o CFA Institute não divulga qual a nota que os candidatos precisaram atingir para obter o sucesso.

O que cai no exame?

Em seus estudos, os candidatos vão aprender sobre cada uma das seguintes matérias: Ética, Métodos Quantitativos, Economia, Análise de Demonstrativos Financeiros, Finanças Corporativas, Gerenciamento de Portfolio, Ações, Renda Fixa, Derivativos e Investimentos Alternativos.

Esse amplo leque de conteúdos faz com que os candidatos se dediquem de fato a essa certificação. Normalmente eles já trabalham e têm conhecimento sobre alguns desses temas, mas têm a oportunidade de aprender também sobre áreas que não fazem parte de seu dia a dia. Isso é o mais importante no processo de certificação: adquirir conhecimento amplo sobre todo o instrumental de finanças.

No primeiro nível, os candidatos têm como maior desafio o fato de não estarem familiarizados com o ritmo de estudo. Em média, os candidatos que foram aprovados estudaram em torno de 300 horas nos meses que antecedem o exame. Outro fator importante é o tempo para a resolução das questões, de apenas 1,5 minuto. O exame consiste em duas sessões de 3 horas, uma na parte da manhã e outra na tarde, cada uma com 120 questões de múltipla escolha. Nessa prova, o enfoque é conhecer todo o ferramental do mundo de finanças, não há uma profundidade tão grande em relação aos temas abordados, exige-se dos candidatos conhecimento e identificação dos conceitos.

No segundo nível, o número de questões cai pela metade: são apenas 60 em cada sessão, mas o nível de exigência em relação aos candidatos aumenta. Nessa etapa exige-se que eles saibam precificar todos os ativos e saibam muito bem interpretar o balanço financeiro de uma empresa. Avaliar e relacionar são as exigências da banca examinadora.

No terceiro e último nível, pela primeira vez, os candidatos realizam uma prova aberta, em que precisam de fato escrever. Na parte da manhã, quando são enfatizados os conceitos de gerenciamento de portfolio para pessoas físicas e jurídicas, as questões são descritivas, e à tarde são 60 questões de múltipla escolha.

Por que vale a pena estudar para a prova?

O reconhecimento por parte do mercado dos profissionais que são CFA® charterholder vem crescendo. A certificação não é obrigatória para nenhum cargo de gestão de carteiras, análise de ações, entre outros, mas com o crescente número de charterholders fica evidente que apesar de não ser obrigatória ela se tornou um grande diferencial.

Mais importante do que o reconhecimento é o conhecimento que se ganha tendo estudado todos as matérias citadas e é em busca desse conhecimento que ajuda a solidificar uma carreira que profissionais como consultores, auditores, gestores de fundos, analistas de ações, gerentes de relacionamento, entre outras cadeiras, estão focando agora seu tempo nos estudos e deixando de lado alguns momentos de lazer.

Pablo Camargo, CFA é sócio na FK Partners, empresa de treinamentos em certificações financeiras, incluindo CFA, que oferece cursos presenciais e online, além de cursos customizados na área de finanças, como Modelagem Financeira e Valuation. Ele apoia os estudantes que desejam estudar no exterior, com preparação de GMAT, GRE e SAT. Trabalhou anteriormente como Portfolio Manager e Trader de grandes instituições brasileiras e estrangeiras.

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