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Carreira na medicina Rodolfo Bonatti

Carreira na medicina: conheça a trajetória de Rodolfo Bonatti, oftalmologista do SUS

Por Tatyane Mendes

Líder da Fundação Estudar formado pela Universidade de São Paulo (USP), Rodolfo compartilha sua trajetória como médico, conta sobre pesquisas e intercâmbios que realizou em Harvard e Michigan e dá dicas para quem quer seguir uma carreira na medicina.

Oftalmologista do Sistema Único de Saúde (SUS) e de uma clínica particular, Rodolfo Bonatti escolheu uma carreira na medicina pelo prazer de cuidar de pessoas e descobrir coisas novas. Formado pela Universidade de São Paulo (USP), sua trajetória conta com um período de estudos em Harvard e Michigan, dois projetos de pesquisa científica, trabalho voluntário ligado a prestação de serviços de saúde, além de participação em diversos grupos acadêmicos. 

Ele é membro dos Líderes Estudar, rede de alto impacto da Fundação Estudar. O programa Líderes Estudar está com as inscrições abertas para sua edição de 2020! Além de acesso à rede da qual Rodolfo faz parte, oferece bolsas de estudo, mentoria e outras oportunidades de desenvolvimento. 

Escolhendo uma carreira na medicina

A hora de escolher que carreira seguir é um momento que gera muitas dúvidas em jovens e não foi diferente com Rodolfo. Por gostar tanto de matemática como biologia, ele considerava estudar engenharia ou medicina. “O que me levou a escolher uma carreira na medicina foi o lado de relacionamento com as pessoas. Eu também tive uma grande influência do meu pai, que é médico. Eu o observava trabalhando, o jeito que ele levava o dia a dia e me agradava. Gostava também bastante da área de pesquisa e descobrir coisas novas, então medicina me atraiu mais”, relembra.

Programa de contratação

Mas decidir que medicina era o que ele queria foi apenas o primeiro passo dentro de um processo muito atribulado. Rodolfo começou a estudar muito para ser aprovado no vestibular do curso mais concorrido do Brasil. “Meu pai era a minha grande inspiração. Ele veio do interior de São Paulo, de origem humilde, estudou bastante e conseguiu passar na USP. No último ano do ensino médio, eu fiz cursinho e colégio, mas não deu muito certo. Ficava muito cansado e não rendia tanto. Acabei não passando direto”, lamenta.

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Mesmo decepcionado, Rodolfo manteve o foco e continuou estudando em um cursinho preparatório. “Um dia me ligaram da Faculdade da Santa Casa e me disseram que eu tinha sido aprovado. Mas eu decidi continuar estudando porque eu queria cursar uma universidade pública. Ninguém passa em medicina sem ser estudando para caramba pelo menos um ano. E, felizmente passei na USP e na UNESP. Foi muito difícil, mas quando você quer algo precisa se dedicar, principalmente em uma carreira na medicina”, garante. 

Descobrindo-se no ramo

Já dentro da universidade, o futuro médico ainda não sabia a área específica na qual gostaria de trabalhar. “Comecei bem aberto e fui conhecendo o todo. Eu gostava bastante de cirurgia e sempre me imaginei fazendo algo relacionado. A minha grade era bem aberta. Eu participei da liga de cardiologia, urologia e robótica e isso me deu uma noção maior de como era o trabalho na prática. Ter essa experiência me ajudou muito a me conhecer mais e a me guiar até onde cheguei na minha carreira na medicina”, aponta. 

Fazer dois intercâmbios, um de pesquisa em Harvard e outro de mini internato em Michigan, foram oportunidades que moldaram Rodolfo. “Eu trabalhei um ano em um laboratório de Harvard focado em eletrofisiologia cardíaca. Trabalhei com drogas para arritmia cardíaca. Em Michigan, foi uma experiência mais prática. Fique dois meses trabalhando em um hospital e foi muito bom para tirar minha dúvida entre urologia e oftalmologia. O aprendizado lá foi incrível e o pessoal era muito bom”, afirma.

E foi quando Rodolfo voltou de Harvard que ele entrou para a Rede de Líderes da Fundação Estudar. “Meu irmão Rogério tinha ido para a Universidade de Cornell e estava aplicando para a Fundação Estudar. Quando ele entrou, começou a me falar do que ele estava aprendendo e eu achei muito legal e decidi tentar. Mesmo não sendo tão ligada a uma carreira na medicina, a Fundação me ajudou muito a me preparar para entrevistas e me conhecer melhor. O que eu aprendi vale para o resto da vida. Quando eu fiz o intercâmbio em Michigan, também me ajudaram financeiramente. Mas a parte de conhecer pessoas e pensar um pouco mais o que vou fazer do futuro, das ideias que eu tenho era o que me oxigenava”, compartilha. 

E os novos contatos e conhecimento ajudaram Rodolfo a escolher que a área seguir no último ano. “Até o quarto ou quinto ano recomendo que os estudantes façam tudo. Entrem em algum esporte ou liga acadêmica para conhecer pessoas. Se você escolher uma área no começo, vai perder coisas que você não imaginava que poderiam ser legais. Quando eu precisei escolher, estava em dúvida entre urologia ou oftalmologia. Acabei escolhendo oftalmologia por conta do meu pai, que é oftalmologista, e pelo estilo de vida que a área proporciona. O cirurgião urologista tem que viver para seu trabalho. Enquanto na oftalmologia dava para ter uma vida paralela e dedicar tempo à família “, revela.

O que é preciso para ser bem-sucedido na área?

Quem deseja seguir carreira na medicina, precisa ser muito forte nas competências humanas, segundo Rodolfo. “Inclusive isso foi algo que a Fundação me ajudou a enxergar. Apesar de ser uma área com bastante pesquisa, números e decorar partes do corpo humano, o mais importante para desenvolver na faculdade de medicina são as competências humanas. Tem que ter empatia com o próximo, saber ouvir o paciente, dar um tempo para ele conversar e ter autocontrole. É comum que você esteja estressado ou cansado, mas você não pode descontar isso em quem veio buscar seu serviço”, ressalta.

Entender o outro e abraçar o lado mais humano da saúde é de extrema importância. “Às vezes o paciente está grosso, cansado, bravo de ter esperado duas horas para ser atendido e vem com uma pedra na mão. Você não pode responder com outra, tem que atender de forma ética. Tem que ter calma e simpatia. Acho que talvez o maior desafio para quem quer começar é atender com educação e ética, além de aprender a lidar com mídias sociais e o paciente”, finaliza.

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