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Isabella Vallejo, que seguiu carreira em consultoria, posa com servidores públicos de um hospital brasileiro

Como é o trabalho de uma consultora que atua para melhorar a saúde pública brasileira

Por Redação, do Na Prática

A jovem Isabella Vallejo trabalha em conjunto com uma empresa pública para melhorar a gestão de 39 hospitais universitários do país. “Ajudar as pessoas que estão na ponta foi o que mais me encantou”, fala

Seguir carreira em consultoria foi uma escolha natural para Isabella Vallejo. As primeiras experiências na área vieram com a empresa júnior de consultoria de alunos de Administração da Universidade de Brasília, onde estudou entre 2009 e 2012.

Dona de um perfil proativo e com gosto para desafios dinâmicos, começou seu primeiro estágio no segundo ano de faculdade na EloGroup, consultoria de gestão onde trabalha até hoje em projetos de saúde pública.

“Se eu te falar que entrei na Elo sabendo que ia me apaixonar por gestão na área de saúde, estaria mentindo”, ri Isabella, que pertence à rede Talentos da Saúde da Fundação Lemann, uma organização que apoia a formação de lideranças nas áreas de Educação, Gestão Pública e Saúde Pública.

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Em Brasília, a capital federal, as maiores contas pertencem ao setor público. Por isso, Isabella entrou cedo nesse universo, envolvendo-se em consultorias de processos, estratégia e gestão para órgãos públicos.

Trabalhou como consultora em pastas variadas, como Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Fazenda e Educação. Em 2014, quando já tinha quatro anos de casa, surgiu uma oportunidade no Ministério da Saúde.

Ela começou consultando em duas frentes que precisavam de melhorias na época: a crise de desabastecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e a transferência de recursos de investimento para potencializar sua utilização na ponta.

Hoje gerente na EloGroup, atualmente é responsável pelas iniciativas que apoiam o Escritório de Processos da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) em seus projetos de melhoria e transformação da gestão.

E pode não parecer óbvio, mas mesmo pequenas mudanças na gestão de um hospital – a Ebserh gerencia 39 deles – podem fazer uma enorme diferença.

“Não se trata só de redesenhar processos, mas de entender quais são os grandes problemas daquele gestor, os anseios do cidadão que usa aquele serviço público e como se estruturar melhor para prestar bons serviços e garantir a sustentabilidade”, resume.

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Carreira em consultoria e saúde pública

Seu trabalho na Ebserh começou há cerca de um ano e meio. Foi quando Isabella se viu pela primeira vez na ponta dos processos, frequentando hospitais Brasil afora e ajudando funcionários a estruturarem processos mais eficazes no dia a dia.

A diferença que fez a proximidade foi grande.

“Eu já tinha conversado com gestores que estavam na ponta, mas acompanhar a operação mesmo me mostrou quão complexo é o trabalho no SUS”, fala. “Ser um hospital que atende demandas de média, alta e altíssima complexidade, trabalhar com gestores de estados e municípios e estar alinhado com a academia é uma coisa maluca.”

Além de entender em primeira mão como os servidores trabalham, Isabella também viu sua admiração por eles crescer. “Há pessoas que são tesouros”, garante.

Como consultora levando seu conhecimento de gestão, ela consegue ajudá-los a direcionar seus esforços, construir equipes e priorizar problemas.

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“Ajudar as pessoas que estão na ponta foi o que mais me encantou”, continua. “Como indivíduo, eu consigo deixar uma marquinha e potencializar o trabalho maravilhoso que já vem sendo feito.”

Isabella Vallejo ao lado de servidores em um hospital público [Isabella Vallejo, no centro, visita o Hospital Universitário de Sergipe – HU-UFS / Foto: Acervo pessoal]

Há também projetos maiores e de alcance nacional.

Recentemente, por exemplo, Isabella começou a trabalhar na transformação dos processos de descentralização dos recursos do programa nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf), criado em 2010 para ajudar hospitais universitários a reestruturarem seus orçamentos.

Um aspecto importante do trabalho como um todo é encontrar o equilíbrio entre as particularidades de cada hospital e as melhores práticas do mercado, referências acadêmicas e protocolos necessários. 

É preciso se perguntar constantemente: qual é a melhor forma de operar esse processo em cada lugar?

E como os projetos variam muito em termos de duração (há aqueles que superam dois anos), Isabella explica que é importante pensar não só em transformações robustas, mas também em alterações menores que evidenciem diferenças e tragam resultados rapidamente.

“São melhorias que ajudam a viabilizar o projeto internamente e que trazem a percepção de que algo esta melhorando”, fala.

Articulações em Brasília

No dia a dia, Isabella, que lidera uma equipe de sete pessoas, tem uma série de responsabilidades além daquelas que são padrão para alguém de seu nível, como gestão financeira e de resultados.

“Sou responsável por elevar a barra e sempre tentar puxar coisas novas, por olhar por outro prisma para o problema do cliente e trazer uma solução que seja fácil de implantar e por fazer todas as articulações e a leitura política de um ambiente para viabilizar um projeto”, resume.

Durante a grave crise política brasileira, que desde 2014 incluiu um processo de impeachment e três ministros diferentes só na pasta de Saúde, Isabella passou a entender melhor como funciona a agenda política e aprendeu a emplacar seus projetos em um cenário difícil.

Isabella Vallejo, que segue carreira em consultoria e atua na saúde pública[Isabella, à esquerda, no Hospital Universitário Onofre Lopes, no Rio Grande do Norte (HUOL-UFRN) / Foto: Acervo pessoal]

“Foi bastante difícil manter a regularidade de um projeto ou conseguir que a pauta de político fosse a pauta de outro também”, explica, adicionando que quando ministros deixam seus cargos, a alta gestão também costuma mudar. “Se você não conversa e não busca consensos, não acontece.”

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Outro aprendizado que teve na gestão pública foi a importância de envolver e motivar os servidores em questão na criação e implementação das recomendações na ponta, que evita a sensação de desconforto ou desvalorização que uma consultoria externa pode trazer.

“Usamos até o termo ‘empreendedor público’, que é alguém que se alia com as pessoas que querem trazer melhorias e vai lutar pela bandeira dentro de um órgão público”, fala. “Trata-se de despertar ou potencializar aquela chama e dar apoio técnico.”

Hoje apaixonada pela área de saúde e pelo impacto que seu trabalho pode ter na vida de milhões de brasileiros em busca de assistência, Isabella encara suas tarefas de maneira bastante pessoal, o que a motiva e impulsiona diariamente.

“O problema do hospital também é meu problema”, finaliza.

6 livros para jovens consultores

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