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Luiz Valmont, VP de estratégia e inovação da Coca-Cola no Brasil

O dia a dia do VP de estratégia e inovação da Coca-Cola no Brasil

Por Ana Pinho

Como vice-presidente, Luiz Valmont equilibra responsabilidades e desafios diversos. “É um enorme desafio e que me dá vontade de acordar de manhã para trabalhar”

Em meados de 2015, quando Luiz Valmont recebeu uma ligação da The Coca-Cola Company, seu primeiro negócio ia bastante bem.

Ex-consultor da McKinsey & Co. e formado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, ele estava empreendendo há cerca de um ano na Ventus Learning, uma companhia de treinamento corporativo que já planejava uma expansão

“Só tinha uma briga que eu compraria com meu sócio e ela se chamava Coca-Cola”, ri. Os sócios já tinham estabelecido regras caso um deles quisesse sair da empresa, o que permitiu que Luiz aceitasse a oferta, se desligasse rapidamente e ainda ajudasse na transição.

A saída tranquila fez bem, já que o desafio seguinte não era simples: ocupar o posto de vice-presidente de estratégia e inovação de uma gigante que no Brasil tem mais de 140 produtos em sete segmentos e cerca de 69 mil funcionários.

“Era uma área que tinha ficado muito tempo sem vice-presidente e precisava arrumar a casa”, resume. Uma casa espaçosa, diga-se de passagem.

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O que faz o VP de estratégia e inovação da Coca-Cola

Ao todo, Luiz tem cinco responsabilidades: estratégia e planejamento; gestão e análise de performance; transformação do negócio; conhecimentos e insights sobre o consumidor; e inovação (que inclui o pipeline de novos produtos, como Fanta Guaraná).

Entre os grandes projetos com os quais se envolveu estão a integração da AdeS ao portfólio, resultado de uma aquisição de US$ 575 milhões e quando ele agiu como líder de transformação do negócio no país.

“Foi um projeto de alta complexidade onde pude trazer a experiência de anos como consultor para liderar o processo na América Latina”, fala.

Cada uma das áreas tem uma liderança, que reporta para o VP regularmente. Não à toa, uma das primeiras coisas que Luiz fez ao assumir o cargo foi investir tempo na seleção e desenvolvimento da equipe.

“Foi um exercício muito calculado”, explica ele, que trabalha com cerca de 30 pessoas. Dos tempos de consultoria, importou a prática de recrutar talentos com base na resolução de cases, que testa a habilidade de candidatos para resolver problemas.

Rotina

“É um dia a dia bastante dinâmico”, fala ele, que no dia da entrevista ainda tinha uma reunião sobre estratégias digitais, um almoço corrido, uma reunião com o CFO e com o presidente da empresa, um encontro com funcionários da companhia e uma reunião de time pela frente.

A agenda tipicamente cheia – e repleta de encontros com altos executivos brasileiros, latino-americanos e globais – é um exercício constante de priorização de tempo.

“Preciso tentar priorizar as coisas para ter tempo de pensar”, fala. “É muito fácil, numa cadeira como essa, ir de reunião em reunião.”

Uma de suas técnicas é bloquear diversos horários ao longo de dois meses para poder trabalhar sem interrupções.

Outra é se esforçar para manter a perspectiva de futuro na hora de tomar decisões, o que evita que ele se afunde nas inúmeras demandas da rotina. “A decisão de priorizar o curto prazo sempre bate na porta.”

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Desafios da era digital

No caso da Coca-Cola, uma das empresas mais reconhecidas e tradicionais do mundo – há até um teste famoso: pense no lugar mais remoto que você já foi. Vendia Coca-Cola? –, pensar no longo prazo é especialmente estratégico, visto que a indústria de bens de consumo está passando por uma importante transição para o digital.

“É um enorme desafio que me dá vontade de acordar de manhã para trabalhar”, entusiasma-se Luiz. “Não posso nunca me esquecer do longo prazo porque inovação não se faz de hoje para amanhã. Ela toma tempo.”

Uma das novas estratégias globais da empresa, que Luiz precisa implementar no Brasil, é estar cada vez mais presente na vida do consumidor, o que significa diversificar portfólio de produtos e investir em novas frentes.

E significa também estar cada vez mais próximo dele, conhecendo-o mais profundamente através de ferramentas digitais, propostas de valor que criam uma experiência completa (e não terminam no caixa) e uma comunicação de marca diferente – tudo num ritmo alucinante de ações e mudanças.

Para se manter atualizado, Luiz reserva tempo para ler – dois livros de destaque são A Startup Enxuta, de Eric Ries, e Organizações Exponenciais, de Salim Ismail, Michael S. Malone e Yuri Van Geest – e pesquisar inovações e tendências digitais.

 “Minhas leituras favoritas para isso são o Quarterly da McKinsey (recentemente, gostei muito do “Culture for a digital age”), The Economist e bbc.co.uk”, fala. “Tenho procurado assistir TED talks também, pois são ampla fonte de inspiração rápida”, continua, indicando a palestra de Brené Brown, O poder da vulnerabilidade.

“Estudar nunca é demais. Nunca, nunca, nunca”, garante ele, que é membro da rede Líderes Estudar e tem um mestrado em finanças pela COPPEAD UFRJ, fez intercâmbio na IE Business School e obteve seu MBA em Estratégia e Marketing na Insead.

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Porque bens de consumo

Na década que passou na McKinsey, Luiz trabalhou em diversos setores, de varejo a commodities.

A atração por bens de consumo, no entanto, ficava clara em qualquer ida ao supermercado, onde ele gosta de observar o que está à venda, como os produtos estão dispostos e quais são as novidades nas prateleiras.

“É muito legal porque você pode sentar em qualquer roda e falar sobre o que está fazendo. É algo muito presente no cotidiano. Todo mundo sabe o que é a Coca-Cola, mas o que é uma bobina quente ninguém tem a menor ideia”, diverte-se.

Receber o convite em 2015 foi uma boa surpresa, mas também algo em que Luiz investiu tempo e esforço de networking desde que tinha trabalhado em um projeto com a empresa, quase quatro anos antes.

“Eu tenho um apego emocional com a marca, um ícone da minha infância e juventude e sempre presente em reuniões familiares”, fala Luiz. “É uma oportunidade gigante para unir tradição e inovação e transformar.”

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5 conselhos de carreira de Luiz Valmont

  1. Estudar nunca é demais
    Para quem coloca custo como um grande obstáculo, ele é direto: tire isso da cabeça e busque opções de financiamento. “Se você tiver uma vontade grande de estudar algo, alguém vai arrumar o dinheiro. E pegar depois também não é um bicho de sete cabeças.”
  2. Mire alto
    “Se você vai estudar, estude no melhor lugar possível. Não faça uma escola mais ou menos: escolha a melhor.”
  3. Preste atenção em seus erros
    “Você vai tropeçar em algum momento. Absorva rápido seus erros e use-os para melhorar.”
  4. Invista em mentoria
    “Tenha bons mentores e troque ideias.”
  5. Cultive sua rede
    “Dos tempos de estudante ao dia a dia da carreira, mantenha uma rede extensa de pessoas – e cultive-a.”

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