Um Projeto: Fundação Estudar

Trainees contam como é trabalhar com gestão pública em uma cidade pequena

Por Rafael Carvalho

Participantes do programa de trainee do Vetor Brasil, eles participam de projeto que quer fazer da pequena Tarumã um dos melhores IDHs do Brasil

Há cerca de 450 quilômetros da capital de São Paulo está localizado o município paulista de Tarumã, com seus 14 mil habitantes. Há 21 anos, a cidade emancipou-se da vizinha Assis e tornou-se um município com prefeitura própria e independência política e administrativa.

Apesar da dimensão modesta da cidade, a liderança pública de Tarumã tem um objetivo ambicioso: quer colocá-la no ranking das dez melhores cidades brasileiras para se viver, tomando por base o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano).

“A ideia do projeto, intitulado Tarumã 100 anos, é fazer com que a cidade alcance seu potencial máximo de desenvolvimento nos próximos dez anos”, explica Anna Deniz. Ela é uma das três trainees do Vetor Brasil que atualmente trabalham na prefeitura de Tarumã.

A organização, pioneira neste modelo, seleciona jovens talentosos – e que sonham em atuar com impacto – para trabalhar por até 2 anos no setor público em diversas esferas e regiões do país, de pequenas cidades a governos estaduais, fornecendo também treinamento, coaching e mentoria. Seu processo seletivo está aberto até o dia 14/4, e as inscrições podem ser realizadas por aqui.

Foi essa vontade de impactar diretamente a realidade das pessoas com a sua atuação profissional que fez Anna sair do Rio de Janeiro, uma das maiores cidades do Brasil, e se mudar para a pequena Tarumã. “O processo de adaptação foi um pouco difícil, mas aos poucos a gente vai se acostumando com a vida de cidade pequena e com as facilidades que ela oferece, como chegar a pé no trabalho em 15 minutos”.

Victor Medeiros, outro trainee no projeto, também mudou-se de Brasília, onde havia se formado em Engenharia Civil na UnB. Lívia França, a terceira trainee, tampouco havia morado em uma cidade pequena antes. Ainda assim, nenhum dos três se arrepende nem por um momento! A seguir, eles contam ao Na Prática um pouco mais sobre como é trabalhar com gestão pública e os aprendizados que tiveram até então. Confira:

Victor Medeiros
Engenheiro Civil pela Universidade de Brasília (UnB)

No projeto Tarumã 100 anos, meu foco é na Secretária de Educação, e os principais desafios são combater a evasão escolar, reduzir as reprovações, e trazer de volta para a escola uma grande parcela da população adulta que não finalizou os estudos.

A rotina de trabalho no Governo faz com que a cada dia eu aprenda, na prática, algo novo sobre o funcionamento dos serviços públicos. Competências como relacionamento interpessoal, tomada de decisão, análise de dados, e capacidade de inspirar os outros são necessárias todos os dias.

Por ser um pequeno município, estamos ligados diretamente à alta gestão da Prefeitura. Reuniões e conversas com o Prefeito e os Secretários são rotineiras e temos a possibilidade de tomar decisões de forma rápida, já colocá-las em prática e observar os resultados em um ciclo bem acelerado. Esse foi um dos pontos que mais me surpreendeu no trabalho.

Muitas pessoas replicam o modelo de “o governo é ineficiente” sem avaliar verdadeiramente o que é feito pela administração e quais resultados são alcançados. Eu, por exemplo, esperava mais morosidade do governo, dentro do velho estereótipo da gestão burocratizada.

É claro que ainda há muito espaço para melhoria, mas fiquei contente em perceber que com boas pessoas e um planejamento bem estruturado, conseguimos realizar ações que impactam diretamente na vida dos cidadãos. Um exemplo é o cursinho pré-vestibular que a prefeitura oferece em parceria com a Unesp. Desenvolvemos uma estratégia de inscrição e divulgação e tivemos um número recorde de inscritos, que agora estão tendo as aulas e estarão mais preparados para o vestibular, tudo de forma gratuita.

Anna Deniz
Engenheira Ambiental pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Eu me inscrevi no Vetor Brasil porque enxerguei ali uma oportunidade para começar a carreira de uma maneira não tão convencional e trabalhando com o que mais me interessa: impacto social.

Desde o início o trabalho desenvolvido na Prefeitura superou as minhas expectativas. O projeto em que nós fomos alocados é pioneiro em desenvolvimento de cidades pequenas e o potencial de replicabilidade dele é enorme, podendo impactar outras cidades depois que ele for concluído em Tarumã.

Dentro do projeto, nós fomos divididos entre as Secretarias da Prefeitura e eu fiquei responsável pela área de desenvolvimento social e econômico. É incrível o quanto eu evoluí profissionalmente em só três meses.
Eu já tinha algum conhecimento na área, mais por trabalhos voluntários do que pelo meu background acadêmico, mas a faculdade de Engenharia foi útil pela facilidade em realizar análises e mexer com dados e planilhas – o que é muito cobrado dentro do Tarumã 100 anos. Alguns assuntos, porém, são novos e é preciso estudar bastante, o que só tem aumentado o meu interesse.

A metodologia do projeto é muito bem estruturada, o que faz com que a gente aprenda e tenha capacitação em várias técnicas de análises e apresentações, que vão ser úteis em qualquer trabalho.

Minha opinião sobre gestão pública mudou bastante depois que eu comecei. Eu tinha medo do trabalho ser pouco estimulante e com pessoas desinteressadas pelo que fazem, mas descobri um trabalho dinâmico e uma Prefeitura com pessoas competentes e que querem desenvolver a sua cidade – apesar de toda a burocracia que envolve o setor público. Além disso, por Tarumã ser uma cidade pequena, nós somos expostos diretamente à liderança local, o que aumenta o impacto e as chances de implementação das nossas análises e iniciativas.

Lívia França
Engenheira Ambiental pela Universidade Federal de Viçosa

Ao sair da faculdade tinha muitas dúvidas em relação a qual caminho seguir, a única certeza era a vontade de trabalhar com algo que impactaria a vida das pessoas. Hoje, por meio do Vetor Brasil, estou trabalhando na secretaria de Agricultura, Meio Ambiente, Obras e Serviços da Prefeitura de Tarumã. Minha função é reorganizar e otimizar os processos da secretaria a fim de melhorar a qualidade dos serviços prestados, otimizar custos e aumentar a atratividade da cidade.

Por ser uma área relacionada ao que eu estudei na universidade, tenho aplicado muitos dos conhecimentos aprendidos durante o curso, e a experiência em organizações estudantis e projetos voluntários também tem ajudado nas atividades relacionadas à gestão. Mas trabalhar no setor público vai um pouco além.

Todo dia saio do trabalho sabendo que aprendi algo novo. Tenho me desenvolvido muito, não só profissionalmente mas também pessoalmente – o setor público possui trabalhadores muito variados, e é um aprendizado lidar com toda essa diversidade.

Também me sinto à vontade para tomar iniciativas e decisões, mesmo as que possuem algum risco ou que impactam um grande número de pessoas. O contato com secretários, prefeito e vice-prefeito ocorre de forma contínua e a confiança depositada em nós é muito forte.

Já pude ouvir bons feedbacks da população por conquistas simples, e tenho certeza que a tendência é aumentar o número de ações e de respostas positivas por parte dos Tarumaenses.

Minha opinião sobre a gestão pública mudou. O sistema apresenta algumas dificuldades, principalmente relacionadas a processos, mas também possui bastante gente querendo colocar a mão na massa e fazer a diferença. Me sinto uma delas. Hoje, me deixa feliz pensar que meu trabalho e dedicação ajudam diretamente a melhorar a vida de mais de 14 mil pessoas.


Identificou-se com as experiências e gostaria de ser um trainee no governo? Inscreva-se até 14/4 no programa do Vetor Brasil!

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