Há cerca de 450 quilômetros da capital de São Paulo está localizado o município paulista de Tarumã, com seus 14 mil habitantes. Há 21 anos, a cidade emancipou-se da vizinha Assis e tornou-se um município com prefeitura própria e independência política e administrativa.

Apesar da dimensão modesta da cidade, a liderança pública de Tarumã tem um objetivo ambicioso: quer colocá-la no ranking das dez melhores cidades brasileiras para se viver, tomando por base o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano).

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“A ideia do projeto, intitulado Tarumã 100 anos, é fazer com que a cidade alcance seu potencial máximo de desenvolvimento nos próximos dez anos”, explica Anna Deniz. Ela é uma das três trainees do Vetor Brasil que atualmente trabalham na prefeitura de Tarumã.

A organização, pioneira neste modelo, seleciona jovens talentosos – e que sonham em atuar com impacto – para trabalhar por até 2 anos no setor público em diversas esferas e regiões do país, de pequenas cidades a governos estaduais, fornecendo também treinamento, coaching e mentoria. Seu processo seletivo está aberto até o dia 14/4, e as inscrições podem ser realizadas por aqui.

Foi essa vontade de impactar diretamente a realidade das pessoas com a sua atuação profissional que fez Anna sair do Rio de Janeiro, uma das maiores cidades do Brasil, e se mudar para a pequena Tarumã. “O processo de adaptação foi um pouco difícil, mas aos poucos a gente vai se acostumando com a vida de cidade pequena e com as facilidades que ela oferece, como chegar a pé no trabalho em 15 minutos”.

Victor Medeiros, outro trainee no projeto, também mudou-se de Brasília, onde havia se formado em Engenharia Civil na UnB. Lívia França, a terceira trainee, tampouco havia morado em uma cidade pequena antes. Ainda assim, nenhum dos três se arrepende nem por um momento! A seguir, eles contam ao Na Prática um pouco mais sobre como é trabalhar com gestão pública e os aprendizados que tiveram até então. Confira:

Victor Medeiros
Engenheiro Civil pela Universidade de Brasília (UnB)

No projeto Tarumã 100 anos, meu foco é na Secretária de Educação, e os principais desafios são combater a evasão escolar, reduzir as reprovações, e trazer de volta para a escola uma grande parcela da população adulta que não finalizou os estudos.

A rotina de trabalho no Governo faz com que a cada dia eu aprenda, na prática, algo novo sobre o funcionamento dos serviços públicos. Competências como relacionamento interpessoal, tomada de decisão, análise de dados, e capacidade de inspirar os outros são necessárias todos os dias.

Por ser um pequeno município, estamos ligados diretamente à alta gestão da Prefeitura. Reuniões e conversas com o Prefeito e os Secretários são rotineiras e temos a possibilidade de tomar decisões de forma rápida, já colocá-las em prática e observar os resultados em um ciclo bem acelerado. Esse foi um dos pontos que mais me surpreendeu no trabalho.

Muitas pessoas replicam o modelo de “o governo é ineficiente” sem avaliar verdadeiramente o que é feito pela administração e quais resultados são alcançados. Eu, por exemplo, esperava mais morosidade do governo, dentro do velho estereótipo da gestão burocratizada.

É claro que ainda há muito espaço para melhoria, mas fiquei contente em perceber que com boas pessoas e um planejamento bem estruturado, conseguimos realizar ações que impactam diretamente na vida dos cidadãos. Um exemplo é o cursinho pré-vestibular que a prefeitura oferece em parceria com a Unesp. Desenvolvemos uma estratégia de inscrição e divulgação e tivemos um número recorde de inscritos, que agora estão tendo as aulas e estarão mais preparados para o vestibular, tudo de forma gratuita.

Anna Deniz
Engenheira Ambiental pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

Eu me inscrevi no Vetor Brasil porque enxerguei ali uma oportunidade para começar a carreira de uma maneira não tão convencional e trabalhando com o que mais me interessa: impacto social.

Desde o início o trabalho desenvolvido na Prefeitura superou as minhas expectativas. O projeto em que nós fomos alocados é pioneiro em desenvolvimento de cidades pequenas e o potencial de replicabilidade dele é enorme, podendo impactar outras cidades depois que ele for concluído em Tarumã.

Dentro do projeto, nós fomos divididos entre as Secretarias da Prefeitura e eu fiquei responsável pela área de desenvolvimento social e econômico. É incrível o quanto eu evoluí profissionalmente em só três meses.
Eu já tinha algum conhecimento na área, mais por trabalhos voluntários do que pelo meu background acadêmico, mas a faculdade de Engenharia foi útil pela facilidade em realizar análises e mexer com dados e planilhas – o que é muito cobrado dentro do Tarumã 100 anos. Alguns assuntos, porém, são novos e é preciso estudar bastante, o que só tem aumentado o meu interesse.

A metodologia do projeto é muito bem estruturada, o que faz com que a gente aprenda e tenha capacitação em várias técnicas de análises e apresentações, que vão ser úteis em qualquer trabalho.

Minha opinião sobre gestão pública mudou bastante depois que eu comecei. Eu tinha medo do trabalho ser pouco estimulante e com pessoas desinteressadas pelo que fazem, mas descobri um trabalho dinâmico e uma Prefeitura com pessoas competentes e que querem desenvolver a sua cidade – apesar de toda a burocracia que envolve o setor público. Além disso, por Tarumã ser uma cidade pequena, nós somos expostos diretamente à liderança local, o que aumenta o impacto e as chances de implementação das nossas análises e iniciativas.

Lívia França
Engenheira Ambiental pela Universidade Federal de Viçosa

Ao sair da faculdade tinha muitas dúvidas em relação a qual caminho seguir, a única certeza era a vontade de trabalhar com algo que impactaria a vida das pessoas. Hoje, por meio do Vetor Brasil, estou trabalhando na secretaria de Agricultura, Meio Ambiente, Obras e Serviços da Prefeitura de Tarumã. Minha função é reorganizar e otimizar os processos da secretaria a fim de melhorar a qualidade dos serviços prestados, otimizar custos e aumentar a atratividade da cidade.

Por ser uma área relacionada ao que eu estudei na universidade, tenho aplicado muitos dos conhecimentos aprendidos durante o curso, e a experiência em organizações estudantis e projetos voluntários também tem ajudado nas atividades relacionadas à gestão. Mas trabalhar no setor público vai um pouco além.

Todo dia saio do trabalho sabendo que aprendi algo novo. Tenho me desenvolvido muito, não só profissionalmente mas também pessoalmente – o setor público possui trabalhadores muito variados, e é um aprendizado lidar com toda essa diversidade.

Também me sinto à vontade para tomar iniciativas e decisões, mesmo as que possuem algum risco ou que impactam um grande número de pessoas. O contato com secretários, prefeito e vice-prefeito ocorre de forma contínua e a confiança depositada em nós é muito forte.

Já pude ouvir bons feedbacks da população por conquistas simples, e tenho certeza que a tendência é aumentar o número de ações e de respostas positivas por parte dos Tarumaenses.

Minha opinião sobre a gestão pública mudou. O sistema apresenta algumas dificuldades, principalmente relacionadas a processos, mas também possui bastante gente querendo colocar a mão na massa e fazer a diferença. Me sinto uma delas. Hoje, me deixa feliz pensar que meu trabalho e dedicação ajudam diretamente a melhorar a vida de mais de 14 mil pessoas.


Identificou-se com as experiências e gostaria de ser um trainee no governo? Inscreva-se até 14/4 no programa do Vetor Brasil!

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