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Thomaz Srougi aplica a cultura “sonho grande” no mundo do impacto social

Por Rafael Carvalho

Depois de cansar do mundo dos investimentos, Thomaz Srougi se encontrou nos negócios sociais com o Dr. Consulta, “um misto de Ambev e Faculdade de Medicina da USP”

Thomaz Srougi tem uma visão prática sobre o problema do acesso à saúde no Brasil: o governo tem um modelo falido; ONGs só conseguem produzir ganhos incrementais, não em escala; a resposta, portanto está na ação das empresas privadas.

Com uma visão bem clara de como combater problemas sociais, foi só em 2011, quando tinha 35 anos, que Srougi criou a sua empresa para agir sobre um deles. Antes disso, o administrador de empresas já havia percorrido um longo caminho no mercado profissional, tendo trabalhado em empresas como Ambev e Gafisa, além de ter atuado no mercado financeiro.

Em 2011 veio o ‘click’. Sentindo-se pouco motivado, Srougi resolveu abrir um negócio, criar um novo desafio. “Um dia encheu e eu pensei em montar uma operação que tivesse alto valor social, mas que também desse dinheiro. Montei o Dr. Consulta, em 2011, e desde então estou lá”, lembra o empresário.

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Um blend de negócios 

Antes de criar a empresa, Srougi estava na Galícia Investimentos e propôs para os sócios que se juntassem a ele na empreitada. Ele lembra até hoje como foi: “Eu vou montar uma empresa, se vocês quiserem entrar junto vai ser um prazer, está aqui o que eu vou fazer”. Criou-se então o grupo, que tinha como objetivo levar todo o know-how de gestão para essa nova empreitada. Um negócio cujo fundador entende como um “blend” de Ambev com Faculdade de Medicina da USP.

A filosofia “Sonho Grande” dos fundadores da Ambev (e também fundadores da Fundação Estudar) era sensível no pensamento do grupo: a ambição era alta, queriam um projeto gigante, que, se funcionasse, teria impacto global. “Então eu me joguei nisso de cabeça e o objetivo sempre foi montar um negócio que fosse de alto impacto, replicável, escalável, num mercado gigante e lucrativo”, afirma o fundador. A primeira clínica aberta foi no Heliópolis, em janeiro de 2012. Os três anos seguintes serviram para validar o conceito do Dr. Consulta, garantir que ele fizesse sentido para um grande número de pessoas e, por fim, encontrar uma maneira de tornar o negócio sustentável.

Atualmente o desafio do empreendedor é gerir o negócio, garantir que ele funcione como deve. “Os desafios hoje são: tecnologia, cultura, gente e controle. Não tem mais nada do que isso, é gestão pura. Os processos estão desenhados, mas eles precisam ser bem executados. Para serem bem executados, a gente precisa de gente boa e cultura, e a tecnologia precisa continuar sendo utilizada para reduzir custos e atender mais gente e melhor”, explica, lembrando muito o raciocínio por trás do crescimento exponencial da própria Ambev.

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Cultura empresarial 

Para contratar os necessários bons profissionais a oferta não é a de um salário alto. Como em outros negócios sociais, a remuneração costuma ser abaixo do valor que o mercado oferece pelas melhores cabeças, mas o Dr. Consulta tem suas soluções. “A gente procura pessoas sempre interessadas no longo prazo, então trabalhamos com o modelo de stock options e o salário realmente é bem abaixo da média. Alguém que quer ganhar dinheiro no curto prazo, e quer ter uma garantia, não é o tipo de pessoa que a gente procura”, afirma o fundador. As stock options, no caso, são uma espécie de remuneração variável que premia os melhores funcionários com uma opção de compra ou cessão de ações.

Ainda assim, também explica a atração de bons profissionais o impacto que um trabalho de cunho social tem no próprio colaborador. Srougi revela sua visão sobre a diferença com o mercado convencional: “Quando eu estava no mercado financeiro, para que eu ganhasse, alguém tinha que perder. Se eu estava comprando barato, alguém estava vendendo barato. O que a gente faz hoje é muito diferente, é muito bom. Porque se eu estou ganhando é porque alguém está ganhando. Quanto mais produtivo eu for, melhor eu atendo as pessoas e ao mesmo tempo, quanto mais produtivo eu sou, mais eficiente eu sou sob o ponto de vista financeiro. É win-win”.

A empolgação do empresário, embora contrastante com a desmotivação anterior ao empreendimento, não significa que há plena satisfação com o trabalho. Pessoas como Thomaz nunca estão totalmente satisfeitas, sabem que é necessário pensar em melhoras e crescer sempre. Além do mais, o sonho é grande mesmo. “Foi o maior desafio que eu já tive na minha vida, a coisa mais difícil que eu já fiz. Me sinto muito bem porque a gente conseguiu avançar muito, mas ao mesmo tempo me sinto ansioso porque a gente tem muita coisa para fazer, estamos só no começo”, afirma.

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“Me sinto satisfeito, mas também muito insatisfeito, porque a gente só fez 5% do que tem que ser feito. Tem muitos atributos da nossa proposta de valor que não foram implantados ainda e tem muitas pessoas no Brasil que não foram atendidas. Esse ano [2015] a gente já atendeu 250 mil pessoas. Mas o Brasil tem 150 milhões de pessoas dependendo do sistema público, que é fraco. Por esse lado você pensa: ‘cadê os outros 149.750?’”.

No caminho para conquistas seus maiores objetivos, Srougi não evita mostrar que é ambicioso: “O sonho grande é espalhar pelo Brasil e para outros países, como os Estados Unidos. O problema lá é o mesmo, a turma lá é extremamente eficiente e a gente sabe que o nosso modelo resolve o problema deles também. Vamos dominar Brasil e Estados Unidos, um passo de cada vez, primeiro São Paulo, depois outras regiões, depois a gente pensa lá nos EUA”.

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