Sete erros comuns de quem vai prestar concurso público

“Investir em repouso e diversão é essencial para que você se sinta bem e dê seguimento a uma preparação de qualidade", garante especialista

Claudia Gasparini, de , em 12.01.2016
Jovem preenche exame com lapiseira [creativecommons]

O melhor método para estudar para um concurso público é tudo, menos óbvio. Não se trata de virar as noites mergulhado em livros teóricos; tampouco significa estudar só quando “sobra um tempo” para a preparação. O segredo, dizem os professores, está num equilíbrio delicado de dedicação e repouso, leitura e exercício, preocupação com o exame e confiança no seu próprio desempenho.

Para ter sucesso na empreitada, é preciso tomar cuidado para não incorrer em alguns “pecados capitais” do mundo dos concursos. Quatro especialistas ouvidos por EXAME.com dizem quais são eles. Veja a seguir:

1. Procrastinar: Não ter uma rotina de estudos – e então se permitir adiar o trabalho quando for conveniente – é um hábito que destrói as chances de qualquer candidato. Para Nestor Távora, professor da LFG, o concursando deve respeitar rigorosamente dias e horários estabelecidos para o estudo para não deixar outras atividades da rotina sequestrarem o seu tempo. Se está trabalhando, a preparação deve ser compreendida como uma espécie de segundo emprego.

2. Desconhecer o edital: Ler o manual de um cartão de crédito parece ser uma tarefa burocrática e aborrecida, mas desconhecer o seu conteúdo pode virar uma grande dor de cabeça. Com editais de concursos públicos, não é diferente. O documento contém detalhes sobre o programa das provas, os critérios para a candidatura e as fases do processo seletivo. Dar pouca atenção a ele  – ou mesmo acreditar que ele será igual ao das provas anteriores – é um erro grave e muito comum, diz Lincoln Moura, coordenador do curso Pra Passar.

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3. Desconhecer a banca: Tão grave quanto negligenciar o edital é não saber qual é o perfil dos organizadores do concurso. “Cada banca tem um jeito próprio de atuar”, diz Távora. “Algumas se concentram no texto da lei, enquanto outras se atêm aos autores e suas doutrinas, ao passo que outras cobram mais jurisprudência”.

Seu concurso também inclui prova oral? Vale checar quem são os seus avaliadores, caso a lista de nomes seja publicada. Segundo o professor da LFG, não é raro que eles façam perguntas ligadas às suas próprias áreas de pesquisa de mestrado ou doutorado, por exemplo.

4. Não fazer fichamentos: Muitos pedagogos defendem que escrever é uma excelente forma de fixar conteúdo. Por isso, ler e grifar textos teóricos é importante, mas também é obrigatório fazer um fichamento deles com as suas próprias palavras, diz o professor Távora.

Além de facilitar a assimilação e a retenção da matéria, o resumo ainda pode ser consultado posteriormente pelo candidato no lugar do livro – o que gera uma preciosa economia de tempo. Só não vale pegar um fichamento pronto na internet, já que ele será uma leitura como qualquer outra.

No vídeo a seguir, o economista Eduardo Gianetti fala sobre a carreira no setor público:

5. Não treinar: Além das leituras e fichamentos, também é indispensável resolver exercícios. “Sem fazer simulados e questões de provas anteriores, o candidato não vai aplicar a teoria que estudou, não saberá quanto tempo demora para concluir o exame e nem como o conteúdo poderá ser cobrado na prova”, afirma Marcelo Marques, diretor do site Concurso Virtual.

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O treino também é fundamental para concursos que exigem desempenho físico, como alguns organizados pela polícia. Para se dar bem, é importante medir a sua performance nos exercícios e acompanhar sua evolução ao longo do tempo.

6. Ceder ao “terrorismo”: Quem é concurseiro sabe: não faltam fóruns e grupos de discussão na internet que só servem para alimentar a ansiedade e tirar a segurança de quem vai fazer a prova. De acordo com Marques, alguns indivíduos mal intencionados usam esses espaço para minar a motivação dos concorrentes. Para não perder tempo com o “terrorismo” alheio, é melhor se concentrar nos seus próprios estudos e manter-se confiante.

7. Abdicar do lazer: A preguiça é um item bastante conhecido da compilação dos 7 pecados capitais descritos pela Igreja Católica. Nesta lista adaptada ao mundo do concurseiro, a capacidade de relaxar – na medida certa – é virtude. Afinal, diz Rodrigo Lelis, professor do Universo do Concurso, uma rotina sem lazer é nociva à saúde e ao próprio desempenho do candidato. “Estudar de manhã, à tarde e à noite, sem descanso, abandonando a família e os amigos, leva à exaustão”, diz ele. “Investir em repouso e diversão é essencial para que você se sinta bem e dê seguimento a uma preparação de qualidade”.

 

Este artigo foi originalmente publicado em EXAME.com