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Sete dicas para quem quer se tornar um gestor patrimonial

Por Tiago Mittraud

Profissional precisa entender prioridades, objetivos e até estilo de vida do cliente. Especialista diz o que é preciso para ocupar cargo

O gestor patrimonial é, acima de tudo, uma pessoa de confiança. É ele que analisa, assessora e administra os recursos e investimentos dos clientes, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas. Seu papel é pensar em estratégias e dar conselhos personalizados para a alocação do patrimônio de uma família ou uma empresa – atendendo às suas necessidades do presente e do futuro.

Esse trabalho requer todo um planejamento para dimensionar riscos e criar soluções. Quanto maior o volume dos recursos, maior também é o desafio. O profissional precisa entender as prioridades, os objetivos e até o estilo de vida de cada cliente antes de tomar qualquer decisão tática. O ideal é aproveitar as oportunidades do mercado sem deixar de proteger o patrimônio.

Em um banco, a área de Wealth Management conta com dois tipos de profissionais: aqueles que se relacionam diretamente com o cliente – fazem os telefonemas e visitam as empresas – e outros responsáveis pela parte técnica da gestão patrimonial – analisam as possibilidades de investimentos e administram os recursos envolvidos. Ou seja, são duas carreiras bem distintas.

Para quem se interessa pelo assunto e cogita ocupar esse cargo no futuro, nada melhor do que ouvir a opinião de um profissional com anos de experiência na área. Rogério Bastos, sócio da IRR Finance e diretor do Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF), dá sete dicas de como se tornar um gestor patrimonial de sucesso no Brasil. Confira a seguir:

A Melhor Faculdade para Gestão de Patrimônio

Se você escolheu Engenharia, Administração ou Economia como curso superior, um passo está dado para se transformar em um analista de gestão patrimonial. Para trabalhar com a parte de relacionamento, não é exigida uma formação específica. De uma forma ou de outra, nunca é demais ampliar seus conhecimentos com cursos de extensão sobre finanças e muita leitura.

Afinidades

Um passo primordial é decidir qual dos tipos de profissionais você quer ser. Se é uma pessoa dinâmica, deve se identificar com o perfil do atendimento. Se sua personalidade é mais focada e técnica, terá mais afinidade com o perfil do analista. “O quanto antes decidir, melhor poderá direcionar seus estudos. Será difícil pular de um lado para outro mais para frente”, diz Rogério.

Estágio

Se você ainda está na faculdade, procure um estágio na área o quanto antes. Rogério começou a estagiar em um banco logo que entrou no primeiro período de Economia na Universidade de São Paulo (USP). Isso o ajudou a descobrir o que queria exatamente para sua vida profissional. “Estudava à noite e trabalhava de dia. No terceiro ano da faculdade estava contratado”, conta.

Inglês é pré-requisito

Para trabalhar na área de finanças, o inglês é uma ferramenta importante, pois muito da literatura usada na profissão está nesse idioma. “Para estudar também é legal saber a língua. Mesmo que muitos textos sejam traduzidos, costuma ser mais proveitoso ler a fonte original”, pontua Rogério. Para isso, também é preciso se familiarizar com esse vocabulário específico.

Aperfeiçoamento profissional

Depois da faculdade, cursos de pós-graduação, mestrado e doutorado são muito bem-vindos. Eles certamente vão ampliar seu leque de possibilidades e melhorar suas perspectivas de salários. Rogério, por exemplo, fez um mestrado em finanças na França. Ele destaca, porém, que, antes de escolher a sua especialização, você deve encontrar seu nicho e definir objetivos.

Possibilidades de carreira

Segundo Rogério, a profissão cresceu muito nos últimos anos, e deve crescer ainda mais nos próximos dez. “A queda da taxa de juros teve um impacto nos investimentos, e isso fez com que as pessoas se tornassem mais criteriosas ao decidir o que fazer com o seu dinheiro”, diz. Os salários também podem ser atraentes, a começar pelo estágio: entre 1.000 e 2.000 reais.

Desafios de quem trabalha com Gestão de Patrimônio

Rogério pondera que a rotina de um gestor patrimonial costuma ser desgastante. “Lidar com o dinheiro das pessoas é uma responsabilidade enorme. Se acontece de você perder um volume expressivo de dinheiro, é o futuro de uma família que está em jogo”, afirma. “Quem escolhe a profissão deve saber que o nível de estresse é alto. É preciso ter equilíbrio”, acrescenta ele.

Esta reportagem faz parte da seção Explore, que reúne uma série de conteúdos exclusivos sobre carreira em negócios. Nela, explicamos como funciona, como é na prática e como entrar em diversas indústrias e funções. Nosso objetivo é te dar algumas coordenadas para você ter uma ideia mais real do que vai encontrar no dia a dia de trabalho em diferentes setores e áreas de atuação.

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