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Profissionais do mercado financeiro ainda ganham demais, critica co-CEO do Deutsche Bank

Por Rafael Carvalho

"Existe uma promessa de pagar primeiro e depois estar na posição ridícula em que o bebê ganhou o doce e você tem dificuldade de tirá-lo dele", opina o banqueiro John Cryan

Quase cinco meses após iniciar a reformulação da empresa, o co-CEO do Deutsche Bank, John Cryan, disse que os bancários ainda ganham muito dinheiro e que frequentemente recebem promessas de recompensa muito rápido.

“Muita gente no setor ainda acredita que eles deveriam receber remunerações empresariais para virem trabalhar, com um salário regular, uma pensão e provavelmente um plano de saúde, para que brinquem com o dinheiro das outras pessoas”, disse Cryan em uma conferência em Frankfurt na segunda-feira. “Não parece haver nada empresarial nisso, exceto pelas estruturas de remuneração”.

Cryan, que assumiu o cargo de co-CEO do maior banco da Alemanha no lugar de Anshu Jain em julho, deu detalhes sobre sua filosofia de pagamentos dos funcionários na segunda-feira — mirando até mesmo seu próprio pacote de remuneração — apenas semanas depois de um alerta mais amplo de que os bônus da equipe terão que refletir o custo das multas da empresa por condutas irregulares passadas.

Os gerentes precisam desacelerar o processo de bônus para que os funcionários não recebam recompensas pelo trabalho antes que ele esteja completamente terminado, disse ele. Ele também expressou preocupação com o fato de muitas pessoas terem cargos sênior.

O banco precisa “recalibrar” a forma de remunerar sua equipe para refletir o período em que ela gera valor, disse Cryan, na segunda-feira, pontuando que os traders geram lucros ao longo de um período mais curto de tempo do que os bancários corporativos ou os gestores de ativos da empresa.

“Nós deveríamos refletir sobre a remuneração do pessoal durante um período muito mais longo de tempo do que um ano”, disse ele. Atualmente, .

Títulos ‘chiques’ Em relação aos cargos, ele disse que muitas vezes há diversas camadas de diretores-gerentes, o que dilui a importância desse escalão.

“Existe algum valor em carregar um cartão de visitas chique se você é bancário porque você realmente consegue uma reunião de melhor qualidade com um cliente se você parece ser importante”, disse ele. Mas para os traders, a destreza é que é importante. “O título nunca é usado no contexto dos negócios cotidianos”, disse ele.

O Deutsche Bank normalmente comunica e paga bônus à sua equipe no primeiro trimestre do ano.

Como parte de um plano de corte de custos, o banco poderá reduzir o montante de bônus para seu banco de investimento, a maior empresa de valores mobiliários da Europa, em até 500 milhões de euros (US$ 531 milhões), ou quase um terço, disseram fontes com conhecimento do assunto no mês passado.

As ações caíram 3,3 por cento neste ano.

“Esta é a definição máxima de um sinal de alerta”, disse Jason Kennedy, chefe da empresa de recrutamento Kennedy Group em Londres, sobre as declarações de Cryan. “Com multas contínuas e imprevistas, a primeira prioridade deles é construir capital em vez de pagar seus funcionários. Ao dizer o que ele disse, se vê que o Natal foi cancelado”.

Cortando empregos Cryan se somou a um número crescente de CEOs de bancos europeus que estão procurando reduzir suas unidades de valores mobiliários prejudicadas pelos custos crescentes ligados a condutas irregulares passadas e a exigências mais rígidas de capital após a crise financeira.

O Credit Suisse disse em um prospecto de venda de ações divulgado na segunda-feira que está reavaliando sua estrutura de salários para 12 altos executivos após descartar as metas de rentabilidade.

O Deutsche Bank planeja eliminar seu dividendo deste ano e do próximo.

Além do salário, a firma disse no mês passado que cortará cerca de 9.000 empregos em uma base líquida até 2018 — quase 10 por cento da equipe que a empresa espera ter no fim deste ano. Mais funcionários sairão à medida que a empresa vender ativos.

O banco preferiu não comentar uma reportagem do The Sunday Times nesta semana de que eliminará 1.000 empregos em Londres no ano que vem. Entre as vendas potenciais no Reino Unido o banco está estudando a da sua unidade Abbey Life, que ajuda os fundos de pensão a se protegerem do risco de que seus membros vivam mais do que o esperado, disseram fontes informadas sobre as discussões no mês passado.

 

Este artigo foi originalmente publicado em EXAME.com

 

 

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