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Executivo olha para tela com gráficos

Qual é o perfil esperado de um profissional do mercado financeiro?

Por Tiago Mittraud

Especialistas consultados pelo Na Prática dão dicas a quem quer seguir alguma das muitas carreiras possíveis nessa indústria

Muitos estudantes associam trabalhar com finanças a ganhar muito dinheiro e se aposentar antes dos 40 anos. Na realidade, o enriquecimento fácil não passa de um mito. É preciso ter em mente que entrar para o mercado financeiro não é ganhar na loteria – os benefícios até podem ser altos na comparação com outros setores, mas os salários são atrelados a metas, e a jornada de trabalho é bastante intensa.

Leia também: Mercado financeiro, o trabalho de gerar riqueza

Uma vez lá dentro, há muitas carreiras possíveis. Quem se sente atraído pela adrenalina da bolsa de valores pode trabalhar em corretoras que acompanham o mercado minuto a minuto para saber o melhor momento de comprar e vender ações. Já os interessados em administração de empresas podem buscar bancos de investimento que trabalham com processos de reestruturação de companhias. E todo mundo precisa começar em algum lugar.

José Berenguer admite que ele também passou por um período de ansiedade no começo da carreira. Hoje presidente do JP Morgan no Brasil, ele dividiu seus conhecimentos em um Bate-Papo com o Na Prática e garante: vontade, dedicação e identificação com os valores da empresa, além de tornarem o processo mais fácil, chamam a atenção.

Desde cedo

Headhunter especializado no mercado financeiro, André Abram está acostumado a ver candidatos do nível de Berenguer, interessados em cargos como diretor, vice-presidente ou presidente. Mas mesmo André tem alguns pré-requisitos na hora de considerar altos executivos, e diz que o que ele pede pode começar a ser desenvolvido agora mesmo.

“Há fortalezas que podem ser desenvolvidas em qualquer idade”, explica. Ter capacidade de fazer as coisas acontecerem e agir como dono do problema são coisas que destacam sua performance num meio muito competitivo, assim como resiliência (leia-se: a capacidade de pedir e aceitar críticas) e uma boa dose de curiosidade. “Se você não está curioso para saber o que está acontecendo com você, com o mercado, com os competidores ou com outras áreas, não chega lá.”

André também recomenda uma vivência completa do mercado financeiro, seja trabalhando em áreas core do mercado financeiro ou privilegiando uma trajetória inicial que envolva diferentes áreas, do backoffice à implementação de tecnologias. “Participar desse tipo de projeto te ajuda a ter uma visão abrangente e te prepara para uma nova fase na carreira”, fala.

Dicas

A seguir, o superintendente de microcrédito do banco Santander, Jeronimo Ramos, e o professor do programa Certificate in Financial Management da escola de negócios Insper, Ricardo Rocha, dão mais algumas dicas aos interessados:

1. Ter inglês fluente: essa dica pode parecer óbvia, mas nenhuma outra área é tão exigente em relação à fluência no idioma como o mercado financeiro. Você sabia que a maioria dos investidores que compra ações de empresas brasileiras é estrangeiro? Pois é. Quando uma empresa brasileira com ações negociadas na bolsa de São Paulo apresenta seus resultados do trimestre ou do ano para o mercado, em teleconferência com investidores, quase sempre o faz em inglês. Para quem trabalha com investimentos, tão importante quanto saber falar é redigir análises de mercado em inglês.

2. Adaptar-se bem a mudanças: o mercado financeiro muda o tempo todo, e quem trabalha com isso deve estar preparado para a montanha-russa. Crises financeiras como a de 2008 pegam todos de surpresa e viram o mundo de cabeça para baixo em questão de horas. A cada nova turbulência no mercado, o sistema impõe regras mais rígidas para bancos e empresas atuarem, e não há muito tempo para se adaptar. Além disso, o avanço da tecnologia e da internet traz novos desafios a cada dia – desde como se proteger contra ataques virtuais, cada vez mais destruidores, até discussões sobre como as pessoas farão seus pagamentos nos próximos dez anos.

3. Aprender a trabalhar com metas: os salários no mercado financeiro têm uma parcela fixa e outra variável, atrelada ao cumprimento de objetivos pré-estabelecidos individuais e da equipe. Se o trabalho e a economia vão bem, dá para faturar alto com bônus anuais de três a dez vezes o salário (em algumas empresas chega a 20 salários). Mas, se vai mal, o bolso aperta – sim, as empresas fazem isso de propósito. Falhar em cumprir sua meta pode te levar ao extremo de perder sua posição.

4. Saber se comunicar: o mercado financeiro parece tentador para algumas pessoas que acreditam que o trabalho se resume a acompanhar números na tela do computador. O raciocínio lógico matemático é de fato uma exigência e deve ser treinado com exercícios, mas também conta pontos saber apresentar resultados e análises. Faz parte da rotina se reunir com clientes ou ir a jantares de negócios, por isso é importante trabalhar a comunicação.

5. Gostar de trabalhar: as jornadas de quem trabalha no mercado financeiro quase sempre ultrapassam as 40 horas semanais. A maioria dos executivos só não olha seus e-mails de trabalho no smartphone quando está dormindo. É preciso ler muito – notícias do mercado e análises –, e, para aguentar o tranco, é importante se interessar de verdade pelo universo das finanças.

Especial Na Prática: Tudo sobre o mercado financeiro

Esta reportagem faz parte da seção Explore, que reúne uma série de conteúdos exclusivos sobre carreira em negócios. Nela, explicamos como funciona, como é na prática e como entrar em diversas indústrias e funções. Nosso objetivo é te dar algumas coordenadas para você ter uma ideia mais real do que vai encontrar no dia a dia de trabalho em diferentes setores e áreas de atuação.

Matéria originalmente publicada em 4/7/2014 e atualizada em 12/5/2016.

 

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