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Cool hunter: a carreira do futuro em que o profissional analisa tendências globais

Por Tatyane Mendes

Para ajudar empresas a se manterem competitivas, o cool hunter surge como um pesquisador de tendências para entender as necessidades futuras do público a partir de análises do comportamento humano.

Em um mundo dinâmico e em constante transformação, é difícil para as empresas acompanharem as rápidas mudanças e fazerem previsões para o futuro. De olho nessa demanda, surgiu o cool hunter, considerado como uma das profissões do futuro. O profissional é responsável por fazer análises de comportamento e apontar tendências que impactam na forma como as pessoas agem e consomem.

Sabina Deweik trabalha como cool hunter há quase duas décadas e explica que o profissional é um caçador de tendências. “É alguém que funciona como uma antena sensível que vai captar sinais de comportamentos da sociedade. Isso abrange várias áreas. A partir da observação, o cool hunter faz uma análise de padrões repetitivos e detecta quais serão as tendências e comportamentos emergentes para antecipar o futuro para empresas e marcas”, esclarece.

A cool hunter aponta que o profissional precisa ficar antenado em tudo que acontece ao redor dele, desde manifestações culturais até as notícias, a nível nacional e internacional. “É importante também que mesmo que você esteja atuando para uma área específica, como automobilística por exemplo, não prestar atenção apenas no mundo dos automóveis. Tem que trazer insights de outros setores também porque muitas vezes uma tendência nasce de um setor e migra para outro”, afirma.

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No início da profissão, na década de 90, o cool hunter era muito voltado para as áreas de moda e design. Contudo, atualmente, é possível utilizar a análise de tendências em todos os setores. “Ter esse tipo de profissional dentro da empresa é uma forma de se manter competitivo e incentivar a inovação. E qualquer pessoa pode observar tendências. Com a análise de tendências também é mais fácil formatar um produto que atenda melhor as necessidades do público e tenha uma boa introdução do mercado, fortalecendo a imagem que a empresa quer projetar”, explica o José Eduardo Fernandes, professor da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) e gestor de recursos humanos.

José opina que o grande número de cursos disponíveis é um apontamento de como a profissão deve crescer nos próximos anos. Andrea Martins, professora de gestão de pessoas e projetos da Universidade São Judas também acredita que o cool hunter deve crescer por conta da alta concorrência e competitividade do mercado. “Mais do que um diferencial no mercado, eu preciso saber o que as pessoas vão querer comprar daqui seis meses. Esse profissional também consegue entender o que vai ser uma moda passageira e o que vem para ficar. Não ter um cool hunter dentro da empresa no cenário atual mostra uma certa desinteligência em termos competitivos”, opina.

Sabina complementa que a inovação dentro das empresas não é mais uma questão de escolha, e sim de sobrevivência. Por isso, profissionais capazes de analisar tendências e prever o futuro em relação a comportamentos de consumo, como o cool hunter, são essenciais.

Habilidades essenciais para cool hunters

#1 Ser curioso e observador
#2 Ter um grande repertório cultural
#3 Estar aberto ao novo
#4 Ter empatia
#5 Conseguir ter uma visão do todo
#6 Ser analítico
#7 Ser multidisciplinar

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Como se tornar um cool hunter

Os especialistas afirmam que não é preciso uma formação prévia específica para atuar como cool hunter. Para se especializar, existem vários cursos sobre a temática, desde pós-graduações até workshops, que ensinam metodologias de como observar e interpretar sinais para gerar um insight de inovação. Os profissionais também podem usar seus backgrounds e formação acadêmica para focar em tendências para a área que atuam.

Sabina, que dá cursos de cool hunting, baseia sua metodologia nos 4 P’s da sociedade:

#1 People (Pessoas): Observar e conhecer profundamente o comportamento humano desde como as pessoas agem, se agregam socialmente até como consomem e vivem.

#2 Places (Lugares): Olhar quais são os espaços que estão encarnando novas sensibilidades e novos comportamentos, desde restaurantes até pontos de venda.

#3 Plan (Planos Culturais): Acompanhar lançamentos de livros, filmes, exposições, peças de teatro, festivais de música e todas as formas de cultura, uma vez que artistas costumam ser disruptivos e trazer inovação.

#4 Project (Projeto): Analisar quais são as iniciativas de empresas e do governo que de alguma forma impactam em como as pessoas se relacionam com seu entorno.

A cool hunter opina que analisando esses quatro quesitos é possível levantar um bom material, analisar as possíveis tendências e fazer recomendações estratégicas que trarão impactos positivos para as empresas.

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