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Fachada da consultoria estratégica BCG

Entenda o processo seletivo do BCG, uma das principais consultorias do mundo

Por Redação, do Na Prática

Equipe de recrutamento do BCG Brasil e jovens consultores explicam como funciona a seleção e como se destacar entre os candidatos

Criado há 60 anos, o Boston Consulting Group, mais conhecido como BCG, está presente em cerca de 50 países. Uma das consultorias estratégias mais famosas do mundo, tem alguns de seus 14 mil funcionários no Brasil em escritórios em São Paulo e no Rio de Janeiro – e cada vaga é disputada por muitos.

Lá dentro, jovens podem ser estagiários (interns), estagiários de verão (summer interns) ou efetivos recém-formados (associates).

E para saber em qual você se encaixa, basta checar sua data de conclusão de curso: os associates são aqueles que se formam no mesmo ano do processo seletivo ou têm até três anos de formados na graduação. Já os interns estão no penúltimo ano do processo seletivo, enquanto os summer interns são um ano mais juniores.

Para entender melhor o que o BCG busca, o NaPrática.org entrou em contato com o equipe de recrutamento da empresa e jovens associates, que compartilharam dicas e conselhos para quem pretende seguir essa carreira.

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O que o BCG quer que você saiba

Quais processos seletivos vocês oferecem em um ano?

Time de recrutamento do BCG Brasil: Os processos seletivos acontecem uma vez por semestre. Nós os realizamos em mais de 10 cidades nacionalmente e também há alguns eventos de recrutamento internacionais. Vale ressaltar que interessados de qualquer localidade podem aplicar – e também de qualquer curso de graduação.

Qual é a periodicidade?

BCG: Os processos acontecem sempre duas vezes ao ano, divididos por semestre e com início habitual em março para o primeiro semestre e agosto para o segundo. O processo completo pode durar até três meses, desde o application até o recebimento da oferta.

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Apresentem um pouco de cada processo seletivo: de estágio, trainee e efetivo.

BCG: O processo seletivo para summer intern (estágio de férias), intern (estágio regular) e associate (candidato formado) é idêntico em relação às etapas. São três etapas no total.

A 1ª etapa é composta por dois testes: um teste de lógica baseado no GMAT (em inglês e com 10 questões) e outro em formato de um estudo de business case (também em inglês e com 10 questões).

A 2ª etapa, para aqueles que foram aprovados nos testes iniciais, consiste numa análise global de currículo, histórico escolar da graduação e um vídeo.

A 3ª etapa consiste em entrevistas presenciais. São sempre duas rodadas de conversas, denominadas First Round e Decision Round.

No First Round, o candidato fará duas entrevistas de 45 minutos cada, individuais, em formato de case interview com consultores e líderes de projetos do BCG. Caso seja aprovado, fará o Decision Round no mesmo formato, mas desta vez com diretores e sócios.

O que buscam em um jovem candidato?

BCG: Capacidade analítica; habilidade em entender problemas e identificar hipóteses e caminhos possíveis à solução do problema; curiosidade intelectual; resiliência em seguir buscando a melhor resposta possível (e não somente uma resposta válida); comunicação fluida; ter um alto padrão ético e compromisso em preservar o melhor interesse do cliente e do BCG; e ter maturidade para lidar com informações e situações sensíveis.

O que não buscam em um jovem candidato?

BCG: Não buscamos pessoas que não demonstrem compromisso com sua constante evolução pessoal e profissional. Para trabalhar no BCG, precisa sair do status quo, fazer acontecer e ter um constante apetite para melhorar, seja a si próprio, o cliente, ou mesmo o mundo. Sempre com ética, valores morais sólidos e humildade.

Qual é o perfil de quem trabalha na empresa?

BCG: Independentemente de sua posição na empresa, é uma pessoa colaborativa, ética, com pensamento analítico muito apurado e resiliência. Grandes desafios requerem grandes responsabilidades.

O que gostariam que jovens fizessem antes de se candidatar?

Entender o que é consultoria e o que é esperado do cargo para o qual ele está aplicando. Idealmente conversar com algumas pessoas que trabalham com isso, inclusive com BCGers, para conhecer um pouco mais nosso perfil e também das responsabilidades.

Também entender como será o processo seletivo, a estrutura das entrevistas e, principalmente, se preparar. Sugerimos fortemente que os interessados treinem para os testes e para as entrevistas de caso – o BCG inclusive oferece sessões exclusivas com dicas e treinos para cada etapa aos candidatos.

O que gostariam que todos soubessem sobre a empresa?

BCG: É uma excelente opção para se desenvolver profissionalmente, independente do momento de carreira que você está. Os desafios farão com que você sempre se esforce para ser a melhor versão de si mesmo.

Há uma rede de apoio estruturada para que o desenvolvimento aconteça de forma sustentável e prazerosa para cada indivíduo – independente da sua formação, background e experiências anteriores, suas ideias serão ouvidas. Além disso, é importante lembrar que há dez anos somos escolhidos pela revista Fortune como a melhor consultoria para se trabalhar.

Leia também: Quais são os prós e contras de trabalhar em consultoria? Veja o que dizem profissionais da área

O que jovens consultores têm a dizer

Gabriela Marques, intern

Aluna do último ano de Engenharia Civil na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Gabriela entrou no BCG no início de 2017 como estagiária no escritório de São Paulo. Em 2018, retornará já como associate.

Gabriela Marques, intern do BCG Brasil

Como e por que participou do processo seletivo do BCG?

Gabriela Marques: Já conhecia o BCG e sabia o período em que o processo costumava ser realizado. Também recebi e-mails do departamento de estágio da minha universidade divulgando a palestra institucional e conversei com pessoas do BCG no workshop integrativo da Poli.

Candidatei-me porque sempre tive vontade de conhecer melhor a área de consultoria estratégica e acreditava ser uma excelente forma de iniciar a carreira, tendo em vista o aprendizado rápido e intenso, a exposição a diversas empresas e profissionais e a valorização pelo mercado de profissionais com experiência na área.

Além disso, na palestra institucional, me identifiquei muito com a cultura da empresa e fiquei impressionada com as diversas oportunidades de desenvolvimento que o BCG oferecia, desde treinamentos semanais até o patrocínio de um MBA nas melhores universidades do mundo.

O BCG estava completamente alinhado com tudo que buscava naquele momento: um ambiente desafiador, de muito aprendizado, exposição e que ao mesmo tempo me permitisse manter o foco na universidade.

Em que momento profissional estava?

GM: Eu tinha 22 anos na época e estava no penúltimo ano de faculdade. Já havia realizado um estágio em uma empresa de projetos de Engenharia Civil e tinha acabado de voltar de um intercâmbio de um ano na Universidade de Bristol, na Inglaterra.

Como se preparou para o processo seletivo?

GM: Foquei a maior parte da minha preparação na fase de entrevistas. Infelizmente não tive muito tempo hábil para estudar para a prova (GMAT e Case Study), já que tinha acabado de retornar de um período de intercâmbio.

Para a parte das entrevistas, que no BCG seguem o modelo de case mais fit [cultural], me preparei de algumas formas:

  • Pesquisa sobre a empresa. Conversei com conhecidos que trabalham no BCG e com um buddy, uma pessoa do BCG para tirar dúvidas, dar dicas e te ajudar durante o processo
  • Entender bem a cultura do BCG e o que define os BCGers. Esse processo foi importante para, primeiro, descobrir se me encaixava nesse meio e posteriormente saber realçar esses pontos durante as entrevistas.
  • Estudo para resolução de cases em dupla ou grupo. Toda entrevista no BCG envolve uma resolução de caso na qual habilidades como raciocínio lógico, criatividade, praticidade entre outras são testadas. Dessa forma, estudei muito a resolução de cases usando materiais como casebooks e apostilas de grupos de consultoria. Acho que essa metodologia funcionou bem pois permitiu treinar também a comunicação e a interação com o entrevistador.

Qual foi o momento mais desafiador do processo seletivo?

GM: Foi o último round de entrevistas, com sócios e diretores do BCG, que testaram o raciocínio lógico de forma bastante intensa. Além disso, estar exposta a pessoas de larga experiência e sucesso profissional gerou, a princípio, um nervosismo inicial.

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O que mais te surpreendeu no processo seletivo?

GM: O apoio dos BCGers e do RH durante o processo. A empresa designou para cada candidato um buddy, que me ajudou muito. Além disso o RH estava sempre à disposição e acompanhava de perto a evolução dos candidatos.

Antes das fases de entrevista houve um evento no escritório, o Crack the Case, que permitiu que conhecêssemos melhor o formato das entrevistas, as dimensões avaliadas e também permitiu que os candidatos conhecessem o escritório.

O que diria para jovens que querem trabalhar no BCG?

GM: O primeiro passo é tentar conhecer ao máximo a empresa de várias formas: explorando sites e mídias sociais, indo à palestras institucionais e eventos de recrutamento, e principalmente conversando com BCGers.

Isso ajuda muito não só na preparação para as entrevistas, mas também na definição do interesse real em trabalhar na empresa e se o perfil combina com o perfil da empresa.

Além disso, sugiro que treinem muito e façam isso para todas as fases do processo seletivo: provas, fit e resolução de cases; todas as fases são importantes e é essencial se preparar para todas.

João Mura, associate em São Paulo

Formado em Engenharia Mecânica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), João é associate do BCG há 8 meses, no escritório de São Paulo.

João Mura, associate do BCG Brasil

Como e por que participou do processo seletivo do BCG?

João Mura: Eu já tinha ouvido falar de consultoria dentro da universidade,mas entrei realmente em contato com o processo seletivo em uma palestra sobre o BCG na Unicamp.

Eu estava no final da minha graduação em 2015 e sabia que não gostaria de seguir na área

técnica. Todas as características de consultoria já me chamavam atenção na época: a mobilidade, a carreira extremamente dinâmica, trabalhar com temas diferente…

Durante palestra, fiquei impressionado com o sócio que estava a conduzindo. Chamou minha atenção quão bem ele conseguia passar sua mensagem e tive certeza que queria aprender com essas pessoas.

Em que momento profissional estava?

JM: Tinha 24 anos e acabado de me formar. Estava desempregado e trabalhando como motorista de Uber.

Como se preparou para o processo seletivo?

JM: Meu primeiro passo foi realmente ter certeza que era isso que eu queria fazer. Entrei em contato com todas as pessoas que eu conhecia em consultoria para entender como era o trabalho, o ambiente, o processo seletivo e como me preparar.

O processo seletivo não é fácil mas, como eu tinha certeza, me dediquei ao máximo. Foram várias horas de estudo para as provas de matemática/lógica, inglês e business que acontecem na primeira parte. Depois, me dediquei muito a praticar resolução de casos e treinar para as entrevistas com o maior número de candidatos possível.

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Quando foi seu processo seletivo?

JM: Eu apliquei para o processo seletivo do BCG duas vezes, ambas em 2016. No primeiro semestre, não fui aprovado nas provas. No segundo, recebi a proposta para trabalhar no escritório de São Paulo.

Qual foi o momento mais desafiador do processo seletivo?

JM: A parte do fit cultural e o tempo que temos nas entrevistas para contar sobre experiências tanto profissionais quanto pessoais foram a parte mais difícil para mim. Eu vindo de uma formação tão técnica nunca tinha pensado sobre isso.

Precisei de algum tempo para pensar sobre minha trajetória, o que eu gostaria de contar e o que o entrevistador precisava saber sobre mim – o que eu já tinha feito, o porquê das minhas decisões… Não foi tão óbvio para mim.

O que mais te surpreendeu no processo seletivo?

JM: Sem dúvidas, as pessoas. Durante todo processo seletivo, recebi diversas ligações de pessoas do escritório, sempre preocupadas em tirar qualquer dúvida que eu tivesse e dispostas a me ajudar a me preparar melhor para cada uma das fases.

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O que diria para jovens que querem trabalhar no BCG?

JM: Acredito que três coisas são importantes. Primeiro, se identificar com a empresa e realmente ter vontade de trabalhar aqui (buscar informações, conversar com pessoas do ramo, conhecer o que o BCG faz é fundamental).

O segundo ponto seria estudar. O processo do BCG, como de outras consultorias, é muito bem estruturado e segue um padrão sobre as habilidades que vão ser julgadas. Existem diversos materiais sobre como se preparar para as provas e entrevistas em consultoria. Estude, se dedique e suas chances de ser aprovado ficarão maiores.

Por fim, prepare sua história. Saber contar sua história e por que você quer fazer parte desse time é muito importante. O entrevistador precisa entender quem você é.

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Dica do Na Prática:

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