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Muhammad Yunus

Negócio social: você sabe realmente o que isso quer dizer?

Por Rafael Carvalho

Se o que vem a sua mente quando pensa no tema é caridade ou doação, é melhor atualizar seu vocabulário! Entenda o que realmente são os "negócios sociais".

O Portal DRAFT continua a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete da vez é negócio social

O que acham que é: Negócios que envolvem caridade.

O que realmente é: organizações (que podem ser do terceiro setor, LTDAs, SAs) que têm, como atividade fim, gerar impacto social (para comunidades vulneráveis, de baixa renda, com graves problemas sociais etc) e, paralelamente, possuem atividades que geram receita que permitem sua sustentabilidade a curto, médio e longo prazo. “Quando você define o Negócio Social você está olhando simultaneamente para esses dois pontos: a necessidade de impacto social como atividade central e a geração de receita para auto sustento. Isso é o que difere o Negócio Social das organizações de terceiro setor tradicionais”, diz Tania Vidigal Limeira, professora de Empreendedorismo Social na EAESP-FGV. Caso o negócio social seja uma empresa (LTDA ou SA) há uma subdivisão: as que distribuem lucros e as que não distribuem lucros. Isso determina, segundo Henrique Bussacos, co-fundador do Impact Hub, rede de inovação social e comunidade global de empreendedores de impacto, duas visões dentro do conceito de Negócios Sociais. “Uma visão, defendida por Muhammed Yunus, fundador do Grameen Bank, é a de que os Negócios Sociais não deveriam distribuir dividendos para os investidores. A visão contrária acredita que a distribuição de dividendos consegue atrair mais capital para ampliar sua escala. Atualmente, também chamam esse segundo modelo de negócio de impacto ou negócio de impacto social”, diz Bussacos.

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Em tempo: Negócio Social ou negócio de impacto social são termos utilizados para definir organizações. Já investimento de impacto ou investimento de impacto social são termos utilizados para definir o tipo de investimento que é realizado nas empresas classificadas como negócios sociais ou negócios de impacto social.

Em relação a terminologias, a professora da FGV diz que, no Brasil, “negócio social” e “empresa social” praticamente como sinônimos. “A literatura americana usa social enterprise (empresa social) quando se refere a organizações que distribuem lucro. Isso as diferencia das organizações sociais sustentáveis, que são chamadas social business (negócio social) não distribuem dividendos, modelo do Yunus”, diz.

Quem inventou: Não existe um inventor para o conceito mas, segundo Bussacos, foi Muhammed Yunus quem cunhou o termo Negócios Sociais. “É importante enfatizar que ele reflete a busca de uma geração que começou a querer integrar negócios e impacto na mesma organização. Nomes diferentes foram dados para esse tipo de organização e um deles foi Negócios Sociais”, afirma.

Quando foi inventado: O Grameen Bank, de Muhammed Yunus, é de 1976. A aparição dos Negócios Sociais está relacionada a um processo sociocultural que aconteceu, com o apoio da ONU, em vários países a partir das décadas de 1970 e 1980, principalmente nos Estados Unidos e na Inglaterra. “Nessa época, o mundo estava em recessão, os governos eram conservadores, no Estados Unidos estava o Ronald Regan, na Inglaterra estava a Margaret Thatcher que cortaram o apoio público às organizações sociais. Surgiram negócios e empresas sociais em várias partes do mundo”, diz Limeira.

Para que serve: De acordo Limeira, da FGV, a razão de existência dos negócios sociais é gerar impacto social, ou seja, atender à demandas de uma camada da população que não tem suas necessidades atendidas pelos negócios tradicionais. “Os negócios sociais criam produtos e serviços para que segmentos como comunidades de baixa renda, pessoas excluídas socialmente (como drogados, ex-prisioneiros, prostitutas) e até segmentos que não são excluídos mas não são amparados, como os deficientes que não conseguem emprego, superem sua vulnerabilidade”, diz. Os Negócios Sociais também podem complementar o trabalho de organizações sociais. Henrique Bussacos diz que alguns desafios sociais e ambientais podem ser melhor resolvidos por modelos de negócios lucrativos, outros precisam da liderança de organizações da sociedade civil e do governo. “Além disso, eles acabam influenciando o jeito de fazer negócios das grandes empresas que começam a repensar seus modelos de negócio”, fala.

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Quem usa: A maioria dos Negócios Sociais sobrevive da venda de produtos e serviços básicos (saúde, educação, moradia e serviços financeiros) para a população de baixa renda, classes C e D. “Há também Negócios Sociais que atendem à população em geral. Estes, com frequência dão grande peso ao propósito da organização e veem a lucratividade como forma de ampliar seu impacto”, diz Bussacos.

Efeitos colaterais: Henrique Bussacos atenta para a criação da falsa expectativas de que os Negócios Sociais possam substituir o trabalho das ONGs ou do governo. “Na realidade, eles complementam o trabalho desses atores”, afirma.

Quem é contra: Limeira acredita não haver quem seja contra os Negócios Sociais mas, sim, que essas empresas enfrentam dificuldades ainda maiores para obter financiamento (público ou de bancos). “Geralmente as empresas financiadoras não têm interesse em investir nesse tipo de negócio porque ele não visa o lucro como primeiro objetivo, é apenas recorrente da atividade. Há muita dificuldade de acesso a financiamento”, diz.

Para saber mais: Assista ao TEDx A History of Microfinance, com Muhammad Yunus; conheça o ESPM Social Business Centre, parceria entre a Escola Superior de Propaganda e Marketing e o Yunus Centre, cuja proposta é implementar e incentivar o conceito de Negócios Sociais no Brasil; leia What is a social enterprise? Defining social enterprise and social business, no blog da ClearlySo, organização inglesa que ajuda a levantar investimento para iniciativas de impacto social; leia Por que os millennials são o futuro dos negócios sociais, no site da PEGN. O texto explica porque para a geração Y (responsável por 75% da força mundial de trabalho em 2025, segundo relatório do Bank of America) sucesso não está ligado apenas a cargos e dinheiro.

 

Este artigo foi originalmente publicado em Portal DRAFT

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