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Como este movimento criado por jovens brasileiros pretende renovar a política no Brasil

Por Priscila Bellini do Estudar Fora

Fundado por alunos brasileiros que passaram por Harvard, o Acredito pretende apoiar 30 candidaturas nas eleições de 2018

Falar de política não é tarefa simples. Logo de cara, pensar nas esferas de que compõem um governo e nos três poderes parece um desafio. Em um país como o Brasil, em que cresce a sensação de descrença com relação às instituições, mais ainda. Em vez de evitar o tema, um grupo de jovens brasileiros decidiu percorrer o caminho oposto.

“É por meio da política que queremos transformar o país”, sintetiza o engenheiro de formação José Frederico Lyra Netto, um dos brasileiros que fundou o Movimento Acredito. “Queremos quebrar o monopólio de alguns sobrenomes no congresso e reaproximar a política da sociedade”.

Atualmente, o movimento une brasileiros com diversas formações. José Frederico, assim como a paulista Tábata Amaral de Pontes, por exemplo, concluíram ao menos parte da formação acadêmica em Harvard e deram o pontapé inicial da iniciativa. No caso dele, um mestrado em políticas públicas e, no dela, um double major em Governo e Astrofísica.

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Como José Frederico conta, a experiência no exterior o ajudou a “abrir os olhos”. “Ver vários estudantes querendo transformar seus países por meio da política foi inspirador. Era gente descontente com a democracia americana, lutando contra o sentimento anti-imigração na Europa…”, conta ele, sobre o período na Harvard Kennedy School, nos Estados Unidos. “Se adicionarmos outros ingredientes, como teorias democráticas e abordagens modernas de campanhas, o bolo vai ganhando forma”.

Outro aspecto importante, para o brasileiro de Goiânia, veio da forma como se analisava o Brasil por lá. Como ele explica, muitos professores estrangeiros que estudavam o país eram “mais otimistas com o país” do que os brasileiros. “Eles nos desafiavam a ver o Brasil em comparação com outros países e ao longo do tempo”, explica José Frederico. “Percebi, então, que um olhar honesto não pode ser míope para os avanços”.

Essa mentalidade otimista, diante dos pouco mais de trinta anos de democracia, serve de base para um movimento como o Acredito, que aposta na renovação da política.

Modo de ação

A visão otimista não é desculpa para se conformar com o cenário atual, entretanto. Afinal, o Acredito já pauta uma série de ações rumo aos seus objetivos. “Vamos atuar em três frentes. A primeira é a geração de conteúdo didático sobre política e temas nacionais, tendo a internet como principal canal”, detalha José Frederico.

Diante de um cenário cada vez mais polarizado, combater a sensação de Fla x Flu quando o assunto política virou assunto obrigatório. Para solucionar o problema, a informação contextualizada serviria de estímulo para criar diálogos mais qualificados. “Debateremos com argumentação baseada em evidências e que respeitem os contextos locais”, sintetiza o brasileiro.

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O segundo pilar desse plano de ação mescla a presença nas ruas e na internet. Isso significa, na prática, organizar eventos e debates nas cinco regiões do país. “Queremos ver com nossos próprios olhos casos de sucesso e de fracasso do nosso país”, explica José Frederico.

Já o terceiro ponto, ainda sendo planejado pelos membros do movimento Acredito, vem da renovação política em si, procurando gente nova e que queira promover a mudança. “Vamos identificar novas lideranças com potencial de transformação política e apoiá-las”. Entre os planos, está o de oferecer formação e dar visibilidade a tais líderes.

Próximos passos do movimento Acredito

Diante de objetivos como esses, o Acredito busca voluntários que se interessem pelo movimento. Nas palavras de José Frederico, pessoas que “compartilhem esse sonho conosco” e que estejam dispostas a repensar a política.
O plano é chegar a 2018 apoiando trinta pessoas que nunca tiveram mandato para as eleições, sempre com paridade de gênero. “Nosso sonho é, em dez anos, promover uma ampla renovação no Congresso nacional, não só de pessoas, mas de ideias e práticas”.

Apesar dos desafios no caminho, o olhar otimista continua. “Mesmo diante dos problemas, nossa democracia tem tudo para aprender e avançar”, conclui o brasileiro.

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Este artigo foi originalmente publicado em Estudar Fora

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