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Ana Paula Martinez

3 lições de carreira da brasileira que é uma das melhores advogadas do mundo

Por Suria Barbosa

A advogada Ana Paula Martinez tem uma carreira de destaque e já foi reconhecida com diversos prêmios. No livro “Deferido”, voltado para jovens juristas, ela se junta a outros grandes nomes do ramo para trazer aprendizados.

Em um esforço de compilar experiências e aprendizados reais a fim de passar para novos juristas, o livro “Deferido – A Advocacia Segundo Seus Protagonistas”, organizado por Ana Carolina Ferreira Costa e Marcos Vinicios Belmiro Proença, traz relatos de grandes advogados. Uma delas é Ana Paula Martinez, Doutora, Mestre e Bacharel em Direito pela USP, Mestre em Direito por Harvard e membro da Rede de Líderes da Fundação Estudar

Ana Paula é sócia das Áreas Concorrencial e Compliance/Anticorrupção de Levy & Salomão Advogados. Ela já foi Diretora do Departamento de Proteção e Defesa Econômica e Secretária, copresidiu o subgrupo de cartéis da Rede Internacional da Concorrência (ICM) ao lado do Departamento de Justiça dos EUA, também foi associada ao Cleary Gottlieb Steen & Hamilton em Bruxelas, entre outros cargos de destaque.

Em 2014 e 2016, foi considerada “Advogado do ano com menos de 40 anos” pelo Global Competition Review, além de finalista do mesmo prêmio na categoria “Dealmaker of the Year” em 2015. Ana Paula foi incluída entre as mulheres mais influentes de antitruste do mundo e também figura na lista de 100 mulheres anticorrupção do mundo (GIR Women in Investigations). Em diversas classificações – como The Legal 500, Best Lawyers e Who’s Who Legal -, é tida entre os advogados de maior destaque do mundo.

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Reproduzimos abaixo parte de seu capítulo em “Deferido” (onde é possível conferir a íntegra de seu depoimento e dos outros advogados), em que entrelaça aprendizados profissionais e acontecimentos reais de sua trajetória. 

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Lições de carreira de Ana Paula Martinez

#1 “O mundo acontece ‘lá fora'”

“Deixar-se ‘trancar em uma biblioteca’, em um ambiente que incentiva a reflexão, é muito importante, mas tão importante quanto é se dar conta de que as oportunidades se apresentam por intermédio da interação com as pessoas.”

“O conceito de networking no Brasil ainda tem certa resistência cultural, em especial na advocacia. O investimento em relacionamentos é visto como se fosse um jogo interesseiro, quando na verdade é uma oportunidade de criar valor para as duas partes. Expor-se a oportunidades e pessoas é a forma mais eficiente de acabar fazendo o que você gosta.

A primeira vez que percebi isso de forma evidente foi no contexto de concursos de monografia oferecidos a estudantes. Até o 4º ano da faculdade nunca havia enxergado nisso uma oportunidade (…) Até que fui, quase que por acaso, fazer o estágio temporário no PINCADE [Programa de Intercâmbio do Cade] em Brasília em 2002. (…) Fui lá para Brasília e lá fiquei sabendo de um concurso de monografias organizado pelo IBRAC. Na época, não tinha computador em casa e precisei pegar um emprestado. Algum tempo depois, saiu o resultado e havia sido selecionada como a 3ª melhor monografia. O resultado foi o incentivo que eu precisava para me expor a oportunidades similares – ganhei outros seis concursos.”

#2 “O advogado como resolvedor de problemas”

“Logo no início da carreira já via pouco valor em peças e pareceres longuíssimos e com vocabulário rebuscado. Me parecia que aquilo funcionava mais como estratégia de aumentar a assimetria de informações entre o advogado e seu cliente, uma maneira de se proteger atrás da forma ao invés de desenvolver conteúdo técnico e específico do caso em benefício do cliente (…) 

Em um dos mais complexos trabalhos que fiz quando trabalhava no Cleary, um sócio me pediu para preparar um memorando com no máximo cinco páginas, em uma linguagem objetiva, que pudesse ser compreendida pelo CEO e membros do Conselho de Administração. Minha primeira reação foi que seria impossível limitar a cinco páginas todos os pontos relevantes da discussão. Percebi que isso daria mais trabalho porque me forçava a identificar e resumir objetivamente as questões jurídicas centrais, mas que era perfeitamente possível. O CEO não está interessado em uma tese jurídica, ele quer entender o problema, as soluções possíveis e os riscos atrelados a cada uma delas.”

“Essa dimensão da carreira advocatícia mais orientada a resultado é muito comum na cultura anglo-saxã, de onde vem o conceito do advogado como ‘problem-solver‘. Entender que esse é nosso papel nos permite entregar um trabalho moldado ao que o cliente deseja.”

 

#3 “‘Pequenas’ tarefas importam”

“Para ser um profissional de sucesso é preciso compreender que tarefas tidas como ‘pequenas’ importam. A busca de tarefas apenas ‘sofisticadas’ não permitirá a formação de um profissional completo, autossuficiente, e com quem a equipe possa contar. (…)

Nessa mesma linha, ser confiável (reliability) é uma das características mais importantes para o trabalho em equipe. (…) A grande advocacia não é uma empreitada solitária. Ela é altamente dependente de uma equipe coesa, em que todos os membros sinalizam, com a devida antecedência, imprevistos que possam provocar o não cumprimento de tarefas no prazo. (…)

Poe exemplo, com o incremento de demanda por investigações internas, ouvi de muitos jovens profissionais que esse seria um trabalho de segunda categoria, uma tarefa ‘pequena’ na hierarquia de trabalhos disponíveis ao jovem jurista. Tenho outra visão – é um trabalho importante, que pode tanto colocar o cliente em uma situação muito melhor (ao permitir, por exemplo, a identificação de provas para a negociação de um acordo de leniência), quanto gerar mais exposição ao cliente (…).”

“Perceber o valor de cada tarefa, por menor que seja, colocará profissionais em vantagem competitiva perante os demais.”

 

 

 

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