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Jovens criam projetos de lei e querem estimular melhorias no SUS

Por Porvir

Depois de participar da última edição do programa Parlamento Jovem Brasileiro, seis estudantes se uniram para pensar em propostas que humanizam o sistema público de saúde

Apesar de ser considerado um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo, o SUS (Sistema Único de Saúde) ainda enfrenta desafios para ampliar o acesso e garantir a qualidade dos serviços. Como uma forma de estimular melhorias no setor, seis jovens de diferentes estados brasileiros se uniram para criar propostas que ajudam a humanizar o atendimento e reduzir o tempo de espera nas filas.

Depois de participarem da última edição do Parlamento Jovem Brasileiro, programa que leva alunos de ensino médio a Brasília para vivenciarem o trabalho de um deputado federal, os jovens Daniel Barros, de João Pessoa (PB), Giulia Pardo, de Aracaju (SE), Jéssica Pomaroli, de Presidente Médici (RO), Nathanael Papi, de Rio de Janeiro (RJ), Nicole Ribeiro, de Porto Alegre (RS) e Samuel Lourenzo, de Barroso (MG), perceberam que tinham um interesse comum: todos queriam colaborar com melhorias no sistema público de saúde.

Motivados por essa vontade, eles desenvolveram projetos de lei que propõem mudanças na licitação de máquinas hospitalares, expansão do cadastro de medula óssea, obrigatoriedade da pedagogia hospitalar e humanização no atendimento. “Conhecemos um pessoal muito motivado de todo o Brasil e percebemos que tinham muitos projetos parecidos.

Foi aí que pensamos em fazer um pacote de ideias e elaborar um projeto único para melhorar o SUS”, conta Samuel Lourenzo, 18, que concluiu o ensino médio no Colégio Estadual Francisco Antônio Pires e, atualmente, estuda ciências econômicas na Universidade Federal de São João del-Rei.

Quando viu uma postagem nas redes sociais sobre o Parlamento Jovem Brasileiro, Samuel tinha acabado de tentar se cadastrar no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea. Impedido de fazer o cadastro, por não ter completado 18 anos, ele teve a ideia de criar um projeto de lei para permitir a inclusão de adolescentes de 16 e 17 anos no registro de doadores.

“Eu não tive nenhuma ajuda de professores ou especialistas, mas o meu projeto foi aprovado por unanimidade na comissão de saúde do Parlamento Jovem”, destaca, ao mencionar que está tentando implementar uma Câmara Jovem de Vereadores na sua cidade, com objetivo de apoiar estudantes do ensino médio na criação de outras propostas.

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Quem também teve um projeto de saúde aprovado por unanimidade durante o programa foi Giulia Pardo, 18, que concluiu o ensino médio no Colégio Estadual Atheneu Sergipense. Inspirada pela experiência da mãe, que atua como servidora municipal e presencia inúmeros casos de pacientes que são impedidos de seguir o seu tratamento por ausência de equipamentos, a jovem apresentou uma proposta de mudança nas licitações para permitir a redução do tempo de conserto.

“As máquinas, que poderiam ser consertadas em uma tarde, chegavam a ficar dias e até meses paradas. Eu comecei a procurar na legislação e pensei como poderia antecipar essa licitação”, explica.

Como única representante do seu estado na última edição do Parlamento Jovem, Giulia voltou de Brasília motivada a compartilhar suas experiências com outros estudantes de Aracaju. “O que eu mais desenvolvi no PJB foi o protagonismo juvenil. Hoje eu tento falar sobre isso com as pessoas que estão ao meu redor e oriento outros jovens”, diz.

Na soma de suas palestras e visitas à escolas para incentivar a participação juvenil na construção de políticas, Giulia chegou a orientar e acompanhar 15 estudantes do ensino médio que se inscreveram para a nova edição do Parlamento Jovem Brasileiro. “Queremos trazer mais propostas e fazer palestras para mostrar que os jovens podem mudar a sociedade e o sistema de saúde, mesmo sem trabalharem diretamente nessa área.”

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Entre outras propostas apresentadas pelo grupo, em Porto Alegre (RS), a jovem Nicole Ribeiro, 18, também criou um projeto de lei para garantir a obrigatoriedade da pedagogia hospitalar nas unidades de saúde. A partir dessa experiência, ela percebeu que poderia impactar a vida de outras pessoas sem necessariamente atuar em cargos públicos.

“Eu descobri que levo jeito para a política, mas não como política”, diz a menina, que hoje cursa direito na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

Além de mobilizarem estudantes nas suas cidades, os seis jovens participantes da última edição do Parlamento Jovem Brasileiro reuniram propostas em um projeto único e enviaram para representantes do Ministério da Saúde e organizações que atuam na área. “O futuro do Brasil tem que estar nas mãos de pessoas que realmente querem mudar o país”, conclui a Nicole.

 

Este artigo foi originalmente publicado em Porvir

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