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Jive Asset: plataforma de investimentos premiada internacionalmente aposta em créditos atrasados

Por Suria Barbosa

A crise financeira de 2008 impulsionou a criação da Jive, que começou com a compra de créditos atrasados do Lehman Brothers. Eleita a melhor gestora de investimentos do Brasil, a empresa foca em tecnologia, metodologia própria e equipe multidisciplinar.

A falência do banco de investimentos Lehman Brothers foi o estopim da crise financeira global de 2008, considerada a maior desde a chamada Grande Depressão, recessão de 1929. Em meio à liquidação do banco, um de seus ativos, uma carteira de créditos atrasados contra empresas brasileiras, foi colocado a leilão na Corte de Falências de Nova York. Diante da situação, quatro brasileiros que tinham experiência com ativos problemáticos apresentaram uma proposta, que acabou sendo vencedora. Foi assim que surgiu a ideia, o propósito e o negócio da Jive Asset, conta Guilherme Ferreira, um dos quatro sócios.

O que a princípio “parecia uma grande oportunidade, mostrou ser um grande problema para Guilherme, Alexandre Cruz, Marcelo Martins e Manuela Larangeira. “É difícil cobrar créditos atrasados e de empresas em falência”, explica ele. “E aí percebemos que tínhamos que construir algo muito maior que, de fato, permitisse cuidar desse grande volume de créditos espalhados pelo Brasil de uma forma eficiente, e que gerasse recuperação”, completa. Resultado: uma plataforma de investimentos alternativos com foco em créditos estressados.

 

Vista de cima do escritório da Jive Asset, em São Paulo
Escritório da Jive Asset, em São Paulo

 

Hoje a Jive conta com 75 colaboradores e com processos automatizados que dão conta de 3300 créditos – contra os 200 iniciais. Conforme as oportunidades cresceram, a companhia procurou investidores e, desde 2015, também se tornou oficialmente gestora de recursos de terceiros. Função pela qual foi eleita, em 2016, a melhor do ramo no país, pelo International Fund Awards.

O que a Jive Asset faz, exatamente?

Sua relação com o mercado se dá em duas frentes. De um lado, investidores que aplicam seu capital no fundo de ativos estressados. A empresa investe nos seguintes tipos de ativos:

  • créditos de empresas em dificuldade ou créditos atrasados;
  • imóveis com problemas e
  • Recebíveis Judiciais (contra empresas privadas e contra órgãos públicos).

Na segunda frente estão os clientes – “bancos e empresas que têm créditos a receber e não conseguem”, resume Guilherme. A Jive compra os créditos atrasados e se encarrega da cobrança. “Para o banco é uma solução vender o crédito, aquele problema acaba para ele”, diz.

O serviço difere em tudo daquele prestado por companhias de cobrança. O que a Jive Asset faz envolve processo judicial e conversas entre representantes seus e da empresa cobrada, com a presença de advogados dos dois lados. “A conversa é uma reunião de negócios, não é aquela coisa de filme da máfia”, brinca o sócio.

“Conseguimos enxergar oportunidade onde os outros enxergam problemas”

Segundo Guilherme, a Jive se destaca porque se organiza para melhorar os procedimentos que envolvem a avaliação, compra e gestão dos créditos estressados.

“O que é um imóvel com problemas para o dono, para nós é um imóvel com oportunidade de comprar mais barato, o que é um crédito com problemas para o banco, para nós é uma oportunidade de fazer um investimento bem-sucedido.”

Uma etapa do processo é a abordagem: cobrar empresas que estão devendo. Claro, isso não é fácil, e exigiu a criação de uma metodologia própria. Mas a organização conta com algumas vantagens na cobrança em relação aos bancos que lidavam com a dívida anteriormente.

A primeira é não ter uma relação estressada e de desconfiança com a outra parte. Também tem mais agilidade que as instituições financeiras bancárias, que possuem processos mais rígidos, incluindo a tomada de decisões. “Os bancos precisam evitar alguns tipos de acordo para não criar precedentes”, explica Guilherme.

Ainda que existam concorrentes, Bruno Medici, sócio da área de precificação de investimentos, considera que o grande diferencial da Jive Asset é ser uma plataforma de negócios que lida com diversos tipos de ativos estressados, e não só um ou alguns, como faz a maioria das empresas do setor.

Quem trabalha na Jive

 

Atualmente a empresa conta com 75 profissionais em sua equipe

 

Os colaboradores da gestora de investimentos têm um grande desafio nas mãos: entender o quanto valem os ativos estressados, em escala e, por meio de uma estratégia de recuperação de créditos, transformar o valor recebido em dinheiro.

Isso implica em um conjunto de habilidades que não se limita a alguma formação ou background. “Uma das principais competências, o que a gente sempre busca em qualquer profissional, é que ele tenha capacidades multidisciplinares e um nível de curiosidade que o faça sempre buscar novos conhecimentos”, destaca Bruno. “Estamos inseridos em um nicho do mercado financeiro em que, para ter sucesso, você não precisa ser só financista ou economista”, diz ele.

Entre os que compõem a companhia atualmente, estão pessoas formadas desde cursos como Matemática, Administração e Economia até outros, não relacionados, como Arquitetura. “Sabemos que não vamos encontrar um profissional perfeito, mas procuramos um conjunto de profissionais faça uma área, uma empresa, de fato, darem certo”, acrescenta Guilherme.

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