Irmãos criam aplicativo para aproximar alunos e professores

Foi no ambiente novo e ao mesmo tempo confuso da tecnologia nas escolas que os irmãos Sávio e Bruno Grossi viram uma oportunidade de mudar a realidade da educação brasileira

Vinícius de Oliveira, do , em 07.05.2015
crianças usando o computador [LucéliaRibeiro]

Uma das receitas para o bom desempenho de um aluno está no apoio e no acompanhamento da vida escolar por parte dos pais. Porém, nesse sentido, as práticas atuais não têm se mostrado muito eficientes. De um lado, familiares e escola encontram pouco tempo em suas agendas para as reuniões presenciais, que não conseguem solucionar problemas imediatos. Por outro, as redes sociais até facilitam o contato com o professor, mas a falta de privacidade cria barreiras que acabam prejudicando a vida do próprio professor.

A divulgação de notas ou postagem de elogios em grupos do Facebook pode gerar uma crise de ciúmes e o uso do WhatsApp para mensagens rápidas implica tornar público o número de telefone e correr o risco de receber ligações em horários indesejados.

Conheça o Imersão Educação, programa de preparação e decisão de carreira do Na Prática

Foi nesse ambiente novo e ao mesmo tempo confuso para as instituições de ensino que os irmãos Sávio Grossi, 35, e Bruno Grossi, 33, viram uma oportunidade. Eles criaram há menos de um ano o Pertoo, aplicativo que permite o envio de fotos, documentos e comunicados via tablet, celular ou mesmo pelo navegador de um computador desktop. Essa comunicação pode envolver simples mensagens com as atividades escolares e até relatórios detalhados sobre o comportamento dos alunos. “Por mais que as escolas digam que querem se aproximar dos pais, é preciso estabelecer um limite. Se deixar, tem pai que quer ficar dentro da sala de aula com o filho”, diz Sávio, o CEO da empresa.

No Pertoo, a escola consegue acompanhar todas as mensagens de pais e professores e receber alertas quando a temperatura da conversa sobe e surgem palavras de baixo calão, por exemplo. O aplicativo também pode ser configurado para dar diferentes níveis de autonomia ao familiar do aluno: ele pode iniciar o contato ou somente responder mensagens enviadas por professores.

Leia também: Tecnologia e educação, uma combinação que atrai investimentos

Modelo de negócio Atualmente, o Pertoo já tem cadastrados quase 50 mil estudantes de 30 escolas de todo o país. Ele é gratuito para os pais e alunos, enquanto as escolas pagam a partir de 199 reais por mês, dependendo do número de alunos. O aplicativo vai para as prateleiras das lojas virtuais App Store (iOS) e Google Play (Android) – a versão para o sistema operacional Windows Phone é prometida para este ano.

Segundo Sávio, todas as funções estão prontas para serem integradas ao fluxo de uma plataforma já existente na instituição de ensino. “Se a escola já possuir um sistema para o professor lançar notas, ela pode usar o Pertoo para divulgar automaticamente o resultado da prova para o aluno e seus pais”, diz. Essa filosofia de conversar abertamente com programas diferentes atende ao objetivo da empresa em manter o foco na comunicação. “A intenção não é torná-lo um aplicativo completo para gestão acadêmica e de sala de aula. Para isso, a gente entende que já existem outras ferramenta”, explica o empreendedor mineiro.

Leia também: O trabalho no laboratório que une educação e tecnologia

Expansão Após receberem investimento do SEED (Startups and Entrepreneurship Ecosystem Development, programa de incentivo a inovação criado pelo governo de Minas Gerais e que encerrou as atividades em março deste ano), os criadores do Pertoo planejam para o final de maio, mais precisamente durante a Bett Brasil e Educar, evento de educação que acontece em São Paulo, o lançamento de uma versão gratuita, porém mais básica também para escolas. “Ela terá um limite de alunos que podem ser cadastrados e não poderá ser personalizada. Mas com isso esperamos atrair escolas pequenas, médias e até públicas”, diz Sávio.

A estratégia de crescimento da startup inclui ainda a contratação de uma equipe comercial para atuar em São Paulo e conversas com institutos para realização conjunta de projetos.

Este artigo foi originalmente publicado em Porvir