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still do documentário General Magic

Conheça a General Magic, empresa do Vale do Silício que faliu por causa de timing

Por Suria Barbosa

Com um time formado por grandes desenvolvedores da Apple, uma ideia revolucionária e investimentos milionários, a General Magic tinha tudo para dar certo. Hoje, sua história configura uma lição de negócios para empreendedores.

Em 2018, um time de cineastas lançou o filme General Magic, sobre a companhia de tecnologia mesmo nome. Se o título soa estranho, não é por acaso: a empresa fechou em 2002, depois de doze anos de existência e uma série de fracassos. Com uma história que se resumisse a isso, difícil entender porque ela seria protagonista de um documentário.

O ponto é, a General Magic tinha tudo para ser bem-sucedida. Nascida no Vale do Silício, epicentro da tecnologia mundial, com um time dos sonhos e uma ideia promissora – que originou o que hoje conhecemos como smartphone –, deixa claro como timing é um aspecto muito importante quando se trata de empreender. Tão ou mais importante do que todo o resto.

Bill Gross é um empreendedor e palestrante que defende exatamente essa ideia – o que ele fez, inclusive, em sua TED Talk. Segundo Gross, que fundou a incubadora Idealab e analisou 200 empresas (que falharam e não), há cinco fatores determinantes para o sucesso. Em último o capital disponível, penúltimo o modelo de negócios, a ideia, o time e a execução, respectivamente. Em primeiro lugar, o timing, o problema que levou a General Magic à falência.

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General Magic: um dream team sem falta de ideias ou de capital

De início, a ideia da General Magic pode ser sumarizada como um computador de bolso. O que incluía funções como as de ouvir música, assistir programas e até tirar fotos, definições similares as dos smartphones. Basicamente, uma evolução dos computadores pessoais, popularizados pela Apple, onde Marc Porat trabalhava.

Junto com seus colegas de trabalho Bill Atkinson e Andy Hertzfeld, Porat lançou a empresa com ideias visionárias. A junção de profissionais de tecnologia reconhecidos e com backgrounds de impacto – além de muitos outros vindos de companhias renomadas – a General Magic começou a atrair investidores. Entre eles, Sony, Philips, At&T e a Motorola.

Com a Sony e Motorola, a companhia teve uma parceria que rendeu produtos, na época, inovadores, dois “assistentes pessoais digitais” (personal digital assistants) que utilizavam o sistema operacional Magic Cap, da General Magic.

Mas foi quando a companhia abriu seu capital que as cobranças dos investidores por produtos e resultados se intensificaram. Embora os produtos fossem sucesso de críticas de especialistas, não conquistaram o público geral. A popularização da World Wide Web ajudou a tirar a atenção dos consumidores dos produtos da General Magic. A concorrência também aumentou, já que a Apple lançou produto similar.

O ponto crítico

Com todos os aspectos a favor, a General Magic pecou mesmo foi em seu timing. Criou um produto ambicioso pelo qual não havia tanta demanda na época. No passado, a necessidade de conexão não era tanta e os próprios profissionais envolvidos admitem ter desenhado o produto para a comunidade de tech geeks (“nerds” da tecnologia) e não para o público em geral.

“Tinha uma boa interface para usuário – nós queríamos, mas não percebemos que a sociedade ainda não precisava”, disse Tony Fadell, que depois inventou o iPod, co-inventou o iPhone e fundou a Nest, de automação. Não foi só ele que se deu bem depois do fracasso da General Magic. Hertzfeld atuou como desenvolvedor líder no Google, assim como Atkinson, na Apple. Andy Rubin, também funcionário da General Magic, tornou-se conhecido por ter criado o sistema operacional Android. Além disso, a maior parte das patentes da companhia foram compradas por Paul Allen, cofundador da Microsoft.

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