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Como este jovem conseguiu um emprego na Apple, a empresa mais valiosa do mundo

Por Tradução do LinkedIn

Jovem recém-formado compartilha quais foram os lemas e experiências que o levaram a passar por um processo de onze entrevistas e garantir um emprego na companhia

Trabalhar na Apple, a empresa mais valiosa do mundo, não é fácil: as horas são longas, a demanda é intensa e é preciso estar sempre alerta para continuar inovando.

Conseguir um emprego lá também é complicado. É o que atesta Jay Yostanto, analista de suprimentos na sede da empresa desde junho de 2016. Ele foi selecionado após uma bateria de onze entrevistas, todas feitas no mesmo dia, e começou logo após se formar em Engenharia Química pela Universidade da Califórnia em Berkeley.

Em uma postagem no LinkedIn, Yostanto elencou seus lemas pessoais para mostrar como toda sua experiência, que inclui estágios na P&G e na AB InBev, foi útil na hora de mostrar aos recrutadores que era a pessoa certa para a vaga – e como essas lições podem ser úteis para qualquer profissional.

Leia abaixo a tradução feita pelo Na Prática:

Como ele conquistou a Apple

1. A vida é atitude

Vivo minha vida com um regime de lemas pessoais como este. Eles tornam minhas experiências passadas relevantes e agregam valor a elas – não importa se foram sucessos ou fracassos.

Gostaria de compartilhar um punhado de meus lemas e como eles afinaram minha mentalidade até o dia de minha entrevista na Apple, a mais desafiadora que já tive.

2. Cerque-se de pessoas que são melhores que você

Dividi meu dormitório com quatro pessoas em meu ano de calouro. Um conseguiu um estágio na HP durante o primeiro ano. No segundo, os outros três tiveram estágios na Electronic Arts e numa empresa de jogos famosa.

E lá estava eu, um aluno de Engenharia Química, tentando desesperadamente alcançar esse nível de conquistas – e até caí em uma profunda depressão por alguns dias. Sentia como se não merecesse viver com eles, porque eu realmente não tinha nenhuma experiência de trabalho naquela época.

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Saí da minha depressão quando finalmente aceitei a situação e comecei a dar mais duro na procura por emprego. Comecei a julgar meu progresso por resultados no lugar de esforço. Passei horas delineando e reescrevendo meu currículo até que as pessoas encontrassem poucas coisas para mudar nele.

Eu sabia que era esse ambiente que me empurrava para o sucesso. Mesmo não vivendo mais com aquelas pessoas, ainda trabalho do jeito que trabalho graças à inspiração que me deram.

3. Faça qualquer coisa que te interessa, mesmo que seja para tirá-la da lista de possibilidades

Primeiro: quando não se tem muita experiência, não ser exigente funciona a seu favor. Na minha opinião, a razão mais importante é porque você não deve saber exatamente o que quer fazer até que tenha feito e avaliado uma série de coisas.

Você deve fazer uma lista de todas as oportunidades que tem. No meu caso, estabeleci todos os caminhos de carreira típicos e atípicos para engenheiros químicos e os dividi em duas colunas: coisas em que eu não estava interessado e coisas em que eu poderia estar interessado.

Concentrei minhas habilidades apenas em torno das oportunidades de trabalho que me interessavam no momento e que, mesmo se não estivessem no topo da lista, não me arrependeria de ter tentado.

4. Encontre coisas pelas quais você é tão apaixonado que nem sequer vai pensar em quanto trabalho terá

A última coisa que você deve colocar em seu currículo é algo que você teve que pensar em colocar no currículo.

Você deve aspirar a chegar ao ponto em que cada linha do seu currículo é algo que te faz sorrir, que traz boas memórias de um sucesso ou a satisfação de aprender com um fracasso.

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É um bom conselho de vida em geral: só faça coisas que você quer fazer mesmo. Não importa o que é – esportes, clubes, igreja, qualquer coisa.

Mas tão importante quanto isso é saber quando seguir em frente. Eu sabia quando era o meu tempo de parar, independentemente do que os outros pensavam.

5. Há muitas coisas na vida que você não pode controlar – exceto você mesmo

Este é um conceito difícil de realmente aceitar. Quando você consegue, no entanto, vai ficar frustrado muito menos frequentemente. Eu me treinei para realmente responsabilizar a minha pessoa por erros em grupos.

Digo a mim mesmo que, até que eu pessoalmente não tenha cometido erro nenhum, não terei o direito de criticar os outros. Você é forçado a trabalhar em si mesmo primeiro ao invés de culpar os outros e isso é extremamente produtivo. E ser imperfeito é OK.

6. Sempre peça ajuda e sempre ajude quem pede ajuda

O networking é uma economia informal. Trabalhe para construir algum valor para si mesmo, tanto em um sentido social quanto profissional.

Quando você está começando e pedindo ajuda para pessoas mais velhas, a maioria vai te ajudar por empatia, o que é ótimo para você. Depois de ter feito algumas conexões, você pode começar a pedir favores maiores em troca de outros pequenos favores aqui e ali.

Mas o conceito mais importante é construir conexões para manter no bolso e poder trocar com pessoas no futuro. E as conexões não são coisas estáticas – você nunca sabe quando alguém vai mudar de emprego ou fundar a próxima grande startup, então mantenha o maior número possível de conexões.

Várias conexões inesperadas na minha vida viraram para oportunidades pessoalmente relevantes e eu nunca terei medo de mandar uma mensagem e pedir para tomar um café e conversar. Sabe por que isso funciona? Porque quase ninguém faz.

7. Sempre pense: “Isso faz sentido?”

Essa é meio óbvia, mas quando realmente paramos para pensar nisso? É fácil se perder nos detalhes. Passe 80% do seu tempo trabalhando nos detalhes e 20% do tempo olhando de longe e garantindo que os detalhes estão indo na direção certa. Funciona para a vida em geral.

8. Você está indo bem, mas poderia estar melhor ainda

Essa é uma frase de um gerente da P&G que muitas pessoas zombavam, mas ela ficou comigo.

Há a energia positiva da primeira parte, que sempre deveria se aplicar a você. Se não for aplicável, faça como eu disse antes: encare a situação, comece a trabalhar duro e tenha resultados.

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Quando você chega ao ponto em que está orgulhoso de seu trabalho e de si mesmo, no entanto, continue faminto. Você sempre, sempre pode fazer melhor.

9. Faça mais

Essa é sem dúvida a mais importante. Trata-se de estar sempre se construindo.

Eu tenho uma filosofia de trabalho meio esquisita. Tento planejar ao máximo todas as horas em que estou acordado para ser produtivo. Assim, quando amigos me ligam e pedem para sair, na verdade tenho um equilíbrio entre vida pessoal e profissional – e todas as outras horas são úteis.

Digo a mim mesmo que vou fazer 3 ou 4 vezes mais do que acho que consigo fazer. Acabo conseguindo fazer entre 1,5 e 2 vezes mais do que achava que conseguiria. É um sistema que funciona muito bem para mim.

10. Entrevistas são tanto para você entrevistar a empresa quanto para ela entrevistar você

Espero que agora você consiga enxergar minha mentalidade no dia da entrevista. Eu sabia com que tipo de pessoa eu queria trabalhar. Tinha tido experiências, boas e ruins, que me permitiram focar no que eu queria.

E entendi que eu precisava mostrar aos entrevistadores exatamente e honestamente quem eu era se quisesse ser feliz trabalhando lá. Eles conseguem enxergar – e eu consigo enxergar – se combinamos um com o outro.

Conseguindo a entrevista

Durante minha primeira rodada de entrevistas na P&G, em 2013, sentei em frente a uma alegre mulher que trabalhava na área de Pesquisa & Desenvolvimento. Lembro-me do interesse genuíno que ela demonstrou quando falei de minhas experiências como patinador artístico e conversamos sobre nossos interesses de trabalho voluntário.

Embora não tenhamos trabalhado juntos naquele verão, assegurei-me, através de emails, que ela pudesse acompanhar meu progresso.

Quando descobri que ela tinha deixado a P&G pelaApple, naturalmente me interessei, mais porque queria ouvir seu ponto de vista do que por qualquer outra coisa. Então enviei uma mensagem no Facebook perguntando se poderíamos falar ao telefone.

Ela ficou feliz em conversar sobre o que pensava comigo e, inesperadamente (sério), me perguntou se eu não gostaria de enviar meu currículo para que ela o compartilhasse com amigos recrutadores. Eu não tinha muitas expectativas, mas nunca se sabe.

Alguns meses depois, terminei meu estágio na P&G e recebi um email de um recrutador amigável da Apple.

Fiz questão de manter contato com o recrutador da Apple durante todo meu segundo ano e, no começo do verão seguinte, continuei fazendo follow up até garantir uma data oficial para uma entrevista no começo de agosto.

A proatividade foi fundamental e acho que bastante apreciada.

O dia da entrevista

Treze de agosto de 2015. Um dia para o qual eu tinha me preparado a vida toda, literalmente.

Eu tinha uma agenda corrida: 11 entrevistas diferentes, cada uma com 30 minutos de duração e praticamente seguidas, com vários diretores e gerentes de Operações e Suprimentos.

A primeira foi às 10h e eu rapidamente percebi que não havia formato. As questões eram bastante espontâneas, baseadas em diferentes pontos do meu currículo, e extremamente abertas.

Fui questionado sobre minhas filosofias quando era patinador. Pediram que eu estimasse e previsse situações aleatórias de sourcing.

Depois disso, a grande maioria das entrevistas foram simplesmente pessoas me perguntando quem eu era e por que queria trabalhar na Apple como analista de suprimentos.

Minha história realmente explicava porque eu queria estar lá: minha experiência anterior como atleta da seleção nacional americana mostrava dedicação, meu dois anos de experiência com pesquisa universitária e meu estágio na área de fabricação na P&G mostravam perspectiva, minhas experiências como líder mostram iniciativa e paixão e meu estágio recente na área de suprimentos mostrava relevância.

Eu tinha certeza que queria estar lá porque tinha testado outras coisas e sabia que amava a função em suprimentos. Tinha muitos projetos para mostrar e sabia porque tinha paixão por eles, porque era feliz trabalhando com meus colegas e quais eram minhas filosofias de trabalho.

Antes da entrevista, eu provavelmente tinha feito outras com cerca de 20 empresas durante minha vida. Sabia que, mesmo se não soubesse as respostas específicas, era importante mostrar meus conhecimentos, que eu tinha perguntas a fazer, que queria aprender quais eram os limites e que tentava pensar fora da caixa.

Atitude é o que me fez impressionar os outros. Eu realmente acreditava que era a pessoa certa para o trabalho.

Também me assegurei de que, quando pudesse fazer perguntas, aprenderia o máximo que pudesse sobre a cultura da Apple. Eles não têm um treinamento longo, a empresa é cheia de estrelas e muito competitiva. “Work hard, play hard” é o mantra. Você mergulha nove ou 10 horas por dia num trabalho de alta pressão que demanda novos produtos todo ano.

Já trabalhei em outras empresas e posso dizer que a cultura da Apple é exatamente o tipo de ambiente em que quero mergulhar.

Deixei o escritório exausto. Tinha me preparado por tanto tempo e precisei de cada uma das experiências que constavam no meu currículo para ter a performance que tive naquele dia. Foi um ponto na minha vida em que senti que meus esforços realmente tinham valido a pena.

Mais que isso, me deixou com ainda mais vontade de trabalhar mais duro para encontrar mais oportunidades como essa. Nunca sorri tanto após uma entrevista como sorri naquele dia.

Artigo originalmente publicado no LinkedIn.

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