Um Projeto: Fundação Estudar
Alexandre Neuding, sócio da Stone

O que este jovem aprendeu ao ver a startup em que trabalhava crescer

Por Redação, do Na Prática

Há cinco anos na Stone, Alexandre Neuding entrou na fase inicial da empresa, hoje uma das maiores de seu segmento. Em relato, ele compartilha aprendizados e conselhos para quem está começando a carreira

Para muitos jovens, o início da carreira pode trazer bastante ansiedade e incerteza. Com as portas da faculdade se fechando, é normal pensar: e agora, para onde ir? O que fazer?

Em 2012, Alexandre Neuding estava nesse período da vida profissional quando decidiu testar um caminho novo.

Prestes a se formar em Administração pela Fundação Getulio Vargas em São Paulo com um desempenho acadêmico acima da média, ele considerava trabalhar numa consultoria ou num banco quando encontrou os empreendedores por trás da ArpexCapital.

Era uma turma pequena, com vontade de empreender e transformar um mercado novo. Mesmo sem experiência na área, o estudante gostou da ideia e decidiu arriscar: integrou a equipe como estagiário.

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Cinco anos depois, a Arpex é uma holding que investe em empresas do mercado de pagamentos como a Stone, que se tornou a quarta maior adquirente do mercado de pagamentos nacional e está com inscrições abertas para o programa Recruta Stone.

Abaixo, Alexandre, hoje sócio da companhia, reflete sobre o que aprendeu pelo caminho e oferece seus conselhos:

De estagiário a sócio da Stone: o que eu aprendi

Em 2012, quando eu tinha 22 anos, estava no último ano da faculdade prestes a me formar em Administração pela FGV e tentando descobrir o que queria fazer.

Sempre tive o perfil estudioso e parecia decidido a seguir uma carreira em consultoria ou em um banco de investimentos.

Até esse momento, a opção de empreender logo que saísse da faculdade não tinha passado pela minha cabeça.

Parecia ser algo que precisava de muita coragem e experiência, que eu só deveria tentar no fim da carreira, depois de conhecer várias indústrias e mercados e me especializar.

O que aconteceu depois se deveu muito ao acaso.

Sempre gostei muito de jogar tênis e, numa tarde qualquer, marquei um jogo com um amigo da faculdade.

Comentei sobre minha indecisão profissional e uma semana depois ele me ligou. “Você deveria conhecer a turma da Arpex. Eles estão precisando de alguém estudioso como você para ajudar. São pessoas muito boas e você pode gostar”, disse.

Olhando para trás e lembrando deste momento, vejo que uma dica essencial para os jovens é: conheça cedo sua “turma”, aquelas pessoas com quem você quer se associar na sua vida.

Isso faz toda a diferença – muito mais do que o negócio em si.

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Minhas primeiras impressões

Fui conhecer a equipe em um escritório que, na época, ficava na Avenida Faria Lima, em São Paulo.

Chegando lá, já tive a primeira surpresa: fui recebido no térreo e nem entrei no elevador. “Vamos conversar lá no Starbucks porque aqui não temos sala de reunião”, disse um deles.

O tal escritório era uma sala de 20m2, com um balde embaixo do ar condicionado – a água pingava com bastante frequência –, cadeiras de plástico e luz balançando no teto. Não cabiam mais que sete pessoas.

Até hoje tenho essa imagem na cabeça. Incrível imaginar que isso aconteceu em 2012 quando comparamos com quanto conseguimos evoluir.

Alguns pontos, que se mantém até hoje como parte da nossa essência, me chamaram a atenção desde o primeiro momento que entrei naquela salinha.

O primeiro é acreditar no jovem como motivador de grandes mudanças: damos muita liberdade e confiamos muito nos novos talentos para fazer acontecer.

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Naquele mesmo dia, conheci três pessoas da equipe, novos como eu, mas que me impressionaram pela maturidade com que tomavam decisões sobre onde iríamos investir e o que atacaríamos.

Um segundo ponto são os valores muito fortes. Até hoje me lembro da primeira vez que me explicaram a importância da sucessão, o que não fazia o menor sentido para mim.

“Por que um fundador deixaria sua empresa para outra pessoa e buscaria outro desafio?”, pensei.

Hoje vejo que você nunca conseguirá ser grande se não tiver muita gente fazendo força junto com você e preparar outras lideranças pra tomarem seu lugar para fazer o negócio crescer.

O terceiro ponto é a capacidade que vi naquelas pessoas de sonhar grande: um desejo de promover mudanças e uma força de vontade incrível para criar empresas do zero.

Ainda sem ter me formado, entrei de cabeça nesse time.

Confiei totalmente naquelas pessoas, no sonho que estava sendo construído e nessa sensação que eu tive.

O momento de turning point e o que aprendi

No início da carreira, acho que é muito importante buscarmos a mentoria de alguém para ajudar a descobrir seu caminho.

Nunca me esquecerei do dia em que, no escritório da Arpex, recebi um recado de três linhas do meu mentor, um empreendedor.

Era bem franco e direto: “Já escolheu qual será o seu foco na empresa? Como você pretende gerar valor de forma clara e consistente? Você está prestes a se formar. E depois? Não vai sair de mim. Você que vai escrever o seu futuro…”

Fui pego de surpresa e refleti bastante. Combinei de falar com ele até o fim da semana sobre minha decisão.

Foi graças a esse dia que entendi a importância do foco e decidi que me dedicaria a revolucionar a indústria de pagamentos.

Acho que muitos jovens e empreendedores têm o desejo de poder “fazer tudo”, mas é essencial saber como manter o barco remando na direção daquilo que está sendo construído.

A partir dali, tudo ficou mais fácil.

Tem sido um orgulho muito grande ver a Stone, que nasceu em 2013, passar por todas as fases de crescimento, de uma folha de papel com nossas primeiras ideias até o momento que vivemos hoje.

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Cada etapa me proporciona um aprendizado diferente e me torna uma pessoa melhor. Acho que nada na minha vida até hoje havia me desafiado tanto.

No início, por exemplo, havia o desafio de conseguir viabilizar o negócio em si: conseguir o primeiro cliente, construir as primeiras áreas e times e, claro, o desafio de “aprender a aprender”.

Foi fundamental para que conseguíssemos desbravar assuntos completamente novos – e sem ter ninguém do lado para perguntar como.

E se o início foi marcado por uma fase onde alguns poucos “heróis” faziam entregas excepcionais, conforme a empresa cresce e escala, fica claro que eles não conseguem dar conta de tudo e falham repetidamente sem trabalho em equipe.

Falhei algumas vezes ao tentar abraçar desafios sozinho até aprender essa lição simples.

Acredito que hoje, depois de ter passado pelos mais diversos desafios e times, aprendi o que é comum a todos eles: deixar de ver tanta importância em definições ou rótulos – como área financeira ou comercial, ou indústria A ou B – e perceber que o papel do líder passa a ser sempre encontrar e atrair pessoas melhores do que ele e conseguir fazer com que todos busquem um propósito comum, com o mesmo mindset que nós acreditamos.

Aqui na Stone, muito mais importante é o “como” e “porquê” fazemos algo. Isso é um traço que se mantém, independente do business que tenhamos nos comprometido a desafiar.

A importância da formação de lideranças

Presenciar a formação da cultura e das nossas lideranças certamente é um dos meus maiores orgulhos.

Nossa cultura é passada de indivíduo para indivíduo e este é um dos grandes desafios para escalar uma empresa.

Outro limitador para o crescimento de uma empresa é sua capacidade de formar grandes líderes, um desafio que enfrentamos muito bem: os líderes que temos hoje vem da primeira leva de jovens que chegaram há quatro anos, muitos em seu primeiro ou segundo emprego.

À medida que conseguimos ensiná-los a resolver problemas complexos e conhecer os princípios básicos de liderança, a empresa também se desenvolveu e cresceu. 

Gostamos de dar para as pessoas desafios maiores do que elas acham que podem resolver. Elas se surpreendem bastante quando conseguem!

É algo em que acreditamos muito: no fundo, uma empresa é realmente tão forte quanto as pessoas que a compõe.

Alexandre Neuding, sócio da Stone, conversa com o time

[Alexandre Neuding, sócio da Stone, conversa com parte do time / Foto: Acervo pessoal]

Outro fator crítico para o sucesso da empresa é ter um propósito claro. Aprendi que nada é mais forte do que um exército de pessoas dividindo e compartilhando os mesmos princípios e valores, fazendo força na mesma direção.

Quando falamos em propósito na Stone, enxergo pelo menos dois.

O primeiro é relacionado à indústria: queremos revolucionar o mercado e mostrar que existe um jeito diferente de fazer negócio.

O segundo é relacionado às pessoas: queremos ser uma fonte de formação de líderes do futuro e a melhor escola de empreendedorismo do Brasil.

A beleza de nosso negócio está na complementaridade. Quando olhamos para o perfil dos nossos sócios, por exemplo percebemos quão diferentes são entre si.

Isso acontece porque um time de alta performance é formado por pessoas com os mais diversos perfis e backgrounds, algo que destacamos em nossos programas de formação de lideranças.

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De volta às origens

Por curiosidade, recentemente levei algumas as pessoas do time da Stone para conhecer aquele mesmo pequeno escritório da Faria Lima.

Entramos no escuro e esperamos todos estarem dentro da sala, em pé. (Mesmo sendo um grupo pequeno, não havia espaço para todos se sentarem.) Então, acendemos a luz.

Para aquelas pessoas, fez toda a diferença estar fisicamente ali: elas conseguiram entender a dimensão do esforço que empregamos para trazer a companhia ao patamar em que ela está atualmente.

Para mim, histórias como essas têm muito valor porque são elas que conseguem transmitir quem somos.

Reforçam os aprendizados que vieram de erros passados e nos lembram de nossas origens e nossa essência – que podemos compartilhar com os mais novos.

Interessou-se? O Recruta Stone está com inscrições abertas até 11/09 através do site oficial.

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