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Vida pessoal vs. carreira: como funciona nas grandes consultorias

Por Rafael Carvalho

Atreladas ao estereótipo de profissionais workaholics, consultorias internacionais têm implementado medidas para possibilitar um melhor equilíbrio entre profissão e projetos pessoais

Quanto vale o seu tempo livre? Trata-se de uma pergunta cada vez mais comum na hora de tomar decisões profissionais. Um estudo realizado em 2013 pela PwC (PricewaterhouseCoopers) constatou que o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho é um dos mais significativos fatores de retenção da geração Y nas empresas, e a principal razão pela qual esses jovens acabam buscando carreiras menos tradicionais.

Ao que tudo indica, o famoso work life balance é uma inquietação de muitos talentos prestes a entrar no mercado de trabalho – eles querem uma carreira que permita equilibrar melhor o tempo entre família, lazer e projetos profissionais.

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As consultorias, tradicionalmente associadas a longas jornadas de trabalho e profissionais workaholics, não deixaram de perceber isso. Ao longo dos últimos anos, têm implementado práticas que garantem maior flexibilidade ao trabalho do consultor e buscam, dessa forma, atrair jovens de diferentes perfis.

Equilíbrio entre vida pessoal e profissional

A McKinsey, por exemplo, lançou em 2012 o programa Take Time, que permite que os consultores tirem uma licença de 5 a 10 semanas, além das férias normais, seja para viajar, empreender, ou dedicar mais tempo a algum projeto pessoal.

Ainda há a possibilidade de assumir, de forma temporária ou permanente, cargos part time: você pode decidir trabalhar de 60% a 80% das horas do que normalmente trabalharia, indo ao escritório três ou quatro dias por semana, ou tirando folgas mais longas entre os projetos (no jargão executivo, esse período é conhecido como “na praia”).

Nesses casos, assume-se que salário e promoções também vão acompanhar esse ritmo, embora isso não pareça incomodar os participantes do programa.

No site da consultoria, é possível ler relatos de profissionais que aderiram ao programa e tiveram experiências que vão desde de cursos de chinês, em Pequim, até uma viagem em casal pelo litoral europeu.

Christian Orglmeister, sócio e diretor do Boston Consulting Group no Brasil, fala sobre o dia a dia de um consultor:

Outras consultorias internacionais, como Bain & Company, BCG (Boston Consulting Group) e A.T. Kearney, e também grandes auditorias, como PwC, EY e KPMG, também têm propostas semelhantes de flexibilidade. Costumam oferecer licença maternidade estendida, meses off para organizar vida pessoal e a possibilidade de tirar anos sabáticos para se dedicar a hobbies, viagens, estudos… Ou simplemente relaxar.

Essa é uma das razões pelas quais boa parte das empresas mencionadas estão na lista da revista americana Fortune de melhores lugares para se trabalhar. A Bain & Co. é a primeira entre as consultorias, e aparece apenas atrás do Google no ranking geral.

Ainda assim, esse novo cenário do mercado de consultorias não significa que a carga horária semanal deixou de ser pesada quando comparada a outras indústrias.

Embora hoje em dia as consultorias adotem uma abordagem mais sutil ao sistema up-or-out, refletindo melhor as aspirações da equipe durante e após seu tempo na consultoria, também é verdade que não há menos pressão para oferecer o melhor para os clientes.

A realidade continua sendo que, na carreira de consultor, você é avaliado segundo a sua capacidade de entregar resultados.

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