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Seth Godin

Como formar um grupo capaz de mudar o status quo (e, com isso, o mundo)

Por Redação, do Na Prática

Em sua TED Talk, Seth Godin fala sobre "o poder das tribos" de unir pessoas interessadas em causas diferentes para criar movimentos capazes de transformar a realidade

Mesmo em 2009, o empreendedor e escritor Seth Godin já previa quão poderosas se tornariam as redes sociais e a capacidade da internet de juntar desconhecidos em torno de uma causa em comum.

Ele chamou esses grupos de tribos, resgatando o conceito milenar de conexão de ideias e crenças, opiniões e conhecimentos.

São a partir das tribos, disse ele em sua TED Talk, que surgem lideranças e movimentos que serão capazes de mudar o mundo no século 21.

“Todos nós estamos à procura de algo que valha a pena mudar e juntar tribos que juntem outras tribos para espalhar a ideia”, resume.

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Sua palestra é uma homenagem ao poder da colaboração e das parcerias para mudar a realidade. E ele garante: não é tão difícil quanto parece.

As tribos que lideramos

O que nós fazemos para ganhar a vida? O que as pessoas aqui na platéia fazem exatamente todos os dias? Eu quero dizer que, o que fazemos, é tentar mudar tudo.

Que tentamos encontrar um pedaço do status quo, algo que nos perturbe, algo que precise ser melhorado. Algo que está pedindo para ser mudado e nós mudamos. Nós tentamos fazer uma mudança importante, grande e permanente.

Mas nós não pensamos sobre isto desta maneira. E não gastamos muito tempo falando como seria esse processo.

Penso sobre a ideia de que criar uma ideia, ou espalhar uma ideia, tem muita coisa por trás.

Não sei se vocês já estiveram num casamento judeu, mas o que eles fazem é pegar uma lâmpada e esmagá-la. Há um monte de razões e histórias sobre isso. Mas uma razão é a ruptura, entre antes e depois. Isso é um momento único.

Eu quero dizer que nós estamos passando e vivendo esse exato momento de mudança na maneira como as idéias são criadas, divulgadas e implementadas.

Nós começamos com a idéia da fábrica, onde você poderia mudar o mundo inteiro se tivesse uma fábrica eficiente que fabricasse a mudança.

Então mudamos para a idéia da TV: se você tivesse um grande veículo de mídia, se pudesse ter espaço suficiente na TV, se pudesse comprar anúncios suficientes, você poderia ganhar o jogo.

E agora estamos neste novo modelo de liderança, onde o caminho para a mudança não é usando dinheiro ou poder para pressionar o sistema, mas liderando.

Chamo isso de ideia das tribos. É um conceito muito simples – basta voltarmos 50 mil anos no tempo.

É sobre liderar e conectar pessoas e idéias. Isso é algo que as pessoas sempre quiseram.

Montes de pessoas costumam ter as suas tribos espirituais ou religiosas, a tribo do trabalho ou a tribo da comunidade.

Agora, graças à internet, à explosão da mídia de massa e graças a um monte de outras coisas que estão borbulhando em nossa sociedade, as tribos estão em todo canto.

Supostamente, a internet ia nos homogeneizar depois de estarmos todos conectados. Em vez disso, resultou em pequenos grupos com interesses comuns.

A questão é que você pode encontrar dançarinos de folclore ucraniano e conectar-se com eles, só porque quer estar conectado. Aquele pessoal pode se encontrar, se conectar e ir junto a algum lugar.

É evidente que são as tribos, e não o dinheiro ou as fábricas que podem mudar o mundo, mudar a política e alinhar um grande número de pessoas no mesmo sentido.

Não é porque você os força a fazerem algo contra a sua vontade, mas porque eles querem se conectar.

As possibilidades de um movimento

Acho que todos nós estamos à procura de algo que valha a pena mudar e juntar tribos que juntem outras tribos que espalham a ideia. E isso se torna muito maior do que nós mesmos – vira um movimento.

Quando o Al Gore decidiu mudar o mundo, não o fez com as próprias mãos nem comprando um monte de publicidade. Fez isso criando um movimento, inspirando milhares de pessoas pelo país e que podiam fazer sua apresentação por ele, porque ele não poderia estar em cem, 200 ou 500 cidades ao mesmo tempo.

Você não precisa de toda gente. Você só precisa de, não sei, talvez mil pessoas que se importam o suficiente e te levarão para a próxima fase, depois a próxima e a próximo. E

Isso significa que a ideia, produto ou movimento que você cria não é para todo mundo. Não é algo para as massas. Não é disso que se trata.

Na verdade, isso tem a ver com encontrar os que acreditam de verdade. É fácil olhar para o que eu disse até agora e dizer: “Espere um minuto, eu não tenho o que é necessário para ser este tipo de líder”.

Os Beatles não inventaram os adolescentes Eles simplesmente decidiram liderá-los. A maioria dos movimentos, a maioria das nossas lideranças é uma questão de encontrar um grupo que está desconectado, mas que já tem um objetivo em comum.

Não se trata de persuadir pessoas a quererem algo que elas ainda não têm.

Quando Diane Hatz trabalhou no The Meatrix, seu vídeo que se espalhou pela internet falando sobre a maneira que animais são tratados nas fazendas não inventou a ideia do vegetarianismo. Mas ajudou as pessoas se organizarem e tornar isso um movimento.

O que todas estas pessoas têm em comum é serem hereges. Estes hereges olham para o status quo e dizem: isso não vai durar. Não posso aceitar. Quero fazer a diferença e levar as coisas para a frente.

De vez em quando, alguém se levanta e diz: “Eu não”. Alguém se levanta e diz: “Isto é importante. Vamos nos organizar a volta disso”. E nem todos vão embarcar.

Mas você não precisa de todos, só precisa de algumas pessoas.

3 perguntas essenciais para o trabalho colaborativo

Há três perguntas que eu gostaria de fazer.

A primeira é: quem exatamente vocês estão incomodando? Se não estão incomodando ninguém, não estão mudando o status quo.

A segunda é: com quem vocês estão se conectando? Para muitas pessoas, esse é o motivo pelo qual estão nisso.

A terceira é: quem vocês estão liderando? É focando em para quem vocês estão construindo que vem a mudança.

Você não precisa de permissão das pessoas para liderá-las. Nós estamos à espera para que você nos mostre que caminho seguir.

Aqui está o que os líderes têm em comum: desafiam o que está sendo feito, eles constroem uma cultura, eles têm curiosidade, eles estão fazendo perguntas, eles conectam pessoas às outras.

Sabe o que as pessoas querem mais do que qualquer coisa? Querem que sintam falta quando não aparecerem. Querem que sintam falta quando forem embora. E os líderes das tribos podem fazer isso.

É fascinante porque todos os líderes de tribos têm carisma e você não precisa de carisma para se tornar um líder – ser um líder te dá carisma.

Para completar, líderes se dedicam à causa, à tribo, às pessoas que estão lá.

Eu gostaria de pedir que façam algo por mim.

O que quero que façam leva apenas 24 horas: criar um movimento. Algo que tenha importância. Comece. Faça. Nós precisamos disso.

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