Um Projeto: Fundação Estudar
liziane silva mulher fundadora da ink

‘Ser empreendedora é tomar decisões constantemente’

Por Ana Pinho

Cofundadora da Ink, que oferece cursos de gestão e capacitação para criar impacto positivo, Liziane Silva sonha com um ecossistema rico para empreendedores sociais

Ainda criança, em Curitiba, Liziane Silva descobriu um hobby atípico: gostava de converter valores para a Unidade Real de Valor, a moeda provisória que circulava à época da implementação do Plano Real. Depois vieram fases em que quis ser paleontóloga, bióloga ou dentista, mas ficou algo por ali. Em 2012, ela se formou em Economia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).

No mesmo ano, aos 25, Liziane cofundou a Ink, uma empresa social que quer fazer a diferença no Brasil. Com sede em São Paulo, a Ink visa fortalecer a cultura empreendedora e de inovação de pessoas, organizações e projetos sociais ao oferecer cursos de gestão de projetos sociais (PMD), capacitação em gestão e extensão do impacto. Leitores do Na Prática, inclusive, ganham 15% de desconto no curso virtual de PMD Pro da Ink. Aproveite!

“O PMD é um curso muito completo para gestores de projetos e pessoas interessadas no tema”, explica. Ao longo das aulas, alunos aprendem o que é um projeto social, como torná-lo bem sucedido e descobrem 23 ferramentas práticas que cobrem todo o ciclo de gestão, do desenho ao encerramento ou transição. A certificação é internacional.

Mais de mil participantes já passaram por lá, incluindo nomes de peso como Natura, Pão de Açúcar e Fundação Estudar – a Ink apoiou a criação e implementação do Laboratório, o programa de formação de lideranças do Na Prática, em seus dois primeiros anos. O Laboratório, inclusive está com inscrições para a sua edição de Curitiba até 6 de março, por aqui.

“Meu sonho é que empreendedores sociais tenham tanto apoio especializado para seu crescimento como médios e grandes negócios têm”, resume. “Ainda temos muito o que avançar para que o ecossistema dos empreendedores sociais seja tão rico quanto o dos negócios tradicionais.”

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[acervopessoal]

Desde a criação da Ink, Liziane continuou estudando. Passou pelo programa Innovation Master Series da Universidade Stanford, onde fez um curso executivo, e pela parceria entre PUC-Rio e MIT Poverty Action Lab, que oferece um curso em Avaliação de Programas Sociais.

Raízes Liziane descobriu a paixão pela área em 2005, mas passou por outros dois cursos, Relações Internacionais e Administração de Negócios, antes de encontrar o caminho que a levou de fato até lá. Desistiu de ambos, sentindo falta de algum propósito.

Assim que entrou na faculdade da Economia, no entanto, as portas começaram a se abrir. Entrou na AIESEC e descobriu por lá o termo empreendedorismo social. “Entendi que o que realmente queria fazer tinha um nome”, conta ela, que chegou a ser presidente da entidade em Curitiba.

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Aos poucos, foi criando uma rede de contatos específica e angariando conhecimento. Quando viu, já era intercambista em um negócio do tipo na Colômbia, trabalhando com a primeira organização no mundo a criar um critério de comércio justo para metais. Estava fisgada.

Autoconhecimento “Empreender é colecionar experiências marcantes”, explica. “Cada aprendizado, cada fracasso, cada conquista e cada reconhecimento são muito importantes e dão base para que o próximo passo ou experiência seja ainda mais.”

E quando se trata de tocar o próprio negócio, autoconhecimento faz parte do pacote. “É constante a necessidade de conseguir separar o que é negócio e o que são minhas vontades pessoais”, fala.

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Na Ink, isso se traduziu em aceitar que encaixar tudo que ela ama na missão da empresa não era a melhor estratégia – e priorizar era fundamental. “Muito do direcionamento inicial do negócio vem das intenções e desejos dos sócios, mas o crescimento depende de que estas vontades estejam de acordo com as necessidades do mercado”, diz.

Assistir ao amadurecimento e consolidação da marca, no entanto, já a deixa feliz. “É muito legal ver a empresa se tornar mais independente e me sentir mais livre para colocar meus desejos e intenções em outros projetos também.”

Atualmente, a Ink conta com três funcionários e uma rede crescente de parceiros e facilitadores. “O que aprendi é que não há receita de bolo”, diz. “Ser empreendedora é tomar decisões constantemente, e são estas decisões que direcionam a priorização.”

Liderança feminina Ultimamente, Liziane anda focada em criar um plano de crescimento de cinco anos para a Ink. É um requisito do programa “10,000 Mulheres”, criado pelo banco de investimentos Goldman Sachs e que foca no desenvolvimento de mulheres empreendedoras.

Não é seu primeiro contato com a ideia de liderança feminina. “Minha relação com o tema vem do fato de eu ser líder e ser mulher”, resume. O interesse surgiu naturalmente, ao perceber com outras amigas empreendedoras que elas eram tratadas de forma diferente por algumas pessoas.

“Sentíamos-nos desconfortáveis com o fato de que vários episódios nos faziam acreditar que, em alguns momentos, éramos levadas menos a sério que nossos sócios homens”, lembra.

Para abrir o debate, passaram a convidar profissionais mulheres que admiravam para discutir barreiras e vantagens. Tornaram-se entusiastas da causa e acabaram descobrindo iniciativas como a Impulso Beta, uma startup focada em impulsionar a carreira das mulheres, e o blog Empreendedorismo Rosa, onde ela assina uma coluna. Liziane passou também a dar atenção especial às empreendedoras que procuram a Ink.

“Acredito que todos temos que ter oportunidades iguais de escolher nossos caminhos”, explica. “Estereótipos não devem ser limitadores dessas possibilidades.”

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