Um Projeto: Fundação Estudar
Charles Simão

Os caminhos de um empreendedor que sabe lucrar com as redes sociais

Por Rafael Carvalho

O empresário mineiro Charles Simão tem alcançado sucesso com empresas atentas às novas necessidades dos jovens

Tirar uma foto com o celular e compartilhá-la pelo Instagram ou conversar nos aplicativos de bate-papo instantâneo usando os emoticons são situações corriqueiras atualmente. As redes sociais transformaram a maneira das pessoas se relacionarem, e muita gente dorme e acorda pensando em formas de ganhar dinheiro com isso.

Um desses empreendedores atentos às mudanças de comportamento trazidas pelas redes sociais é o mineiro Charles Simão, 29 anos, que tem se mostrado um especialista nos negócios com os jovens.

Simão é o sócio-criador da empresa Print4me, uma das pioneiras na produção de capinhas personalizadas para celulares no Brasil (já são mais de 75 mil capinhas vendidas), e agora se aventura com as almofadas de emoticons (aqueles símbolos e desenhos usados nas conversas instantâneas) como sócio da FofoStore, empresa com estimativa de faturamento de dois milhões de reais em 2015.

O olhar atento às necessidades do público jovem diante das redes sociais ele desenvolveu em uma trajetória marcada por muito estudo e experiências profissionais que sabia que seriam úteis para seu objetivo: empreender.

Antes mesmo de entrar para a universidade já pensava em empreender. Foi aprovado no vestibular de Administração na UFMG e trilhou seu caminho no mercado antes de abrir seu próprio negócio.  “Fui para o mercado pegar experiência, sempre optando por estágios e oportunidades que me seriam úteis lá na frente”, explica.

Nesse período, Charles trabalhou em empresa júnior, fez um estágio em Nova York (EUA) em uma empresa de marketing/branding e viajou pelo mundo afora a turismo (conhece mais de 30 países). “Viajar ajuda a quebrar barreiras, você percebe que as pessoas vivem de formas diferentes, fazem negócios de outras maneiras. Você é obrigado a enfrentar o desconhecido”.

Já formado, foi trainee no setor de marketing comercial de uma gigante do mercado educacional e, por último, passou por uma consultoria. “Na consultoria estratégica você encontra a saída para problemas analisando os números, por isso as decisões são precisas”, conta.

A rotina de trabalho nessa consultoria era frenética, com noites em claro no escritório. Até tentou conciliar isso com a participação em uma empresa, mas não sobrava tempo. “Eu queria mesmo era empreender e havia chegado a hora. Minha saúde já começava a reclamar daquela rotina”, conta.  Pediu demissão e ficou um mês sem pensar em trabalho para colocar as ideias no lugar.

Insônia e ideias Do pedido de demissão na consultoria até a abertura da Print4me foram longos seis meses na busca por uma oportunidade de negócios. Em uma noite de insônia (o dinheiro já estava acabando), passeando pelas fotos do Instagram, encontrou sua solução. “Era o começo do Instagram, todo mundo tirando fotos com os celulares…Pensei comigo: essas fotos vão ter que parar em algum lugar, tenho que oferecer algum produto ligado a essas fotos”.

Ali surgia a Print4me, que inicialmente foi pensada para imprimir fotos de redes sociais e que, posteriormente, encontrou nas capinhas de celulares personalizadas com fotos do Instagram e outras redes sociais seu grande filão de mercado.

Depois de conseguir o investimento necessário, comprou uma impressora de mais de vinte mil reais em um site chinês e negociou com um romeno o script (modelo) do site para as vendas virtuais. “Eu imprimia a capinha, fazia campanhas de marketing, gerenciava o desenvolvedor do TI, embalava a capinha, levava nos correios e fazia o pós-venda. Eu era a empresa na sala da minha casa”, relembra. Logo a marca se disseminou nas redes sociais com uma iniciativa pioneira para a época: artistas contratados que publicavam fotos em seus perfis mostrando suas capinhas. “Ninguém fazia isso na época, nem os artistas sabiam direito quanto cobrar”, diverte-se.

Charles sabe que o sucesso em uma startup logo na primeira tentativa não é comum, mas tem sua explicação. “Se você pegar a primeira planilha da Print4me, eu fui bem preciso. Já entendia como funcionava esse meio virtual”, conta.

O sucesso trouxe lucros, mas também algumas dificuldades. “Como crescemos, fomos aumentando nossos custos de maneira desorganizada e tivemos problemas. Hoje somos uma empresa muito mais enxuta e ciente do nosso produto”, diz.

Se acertou de primeira com a Print4me, Charles também já experimentou algumas tentativas malsucedidas no mercado do empreendedorismo. Entre os insucessos, ele lista uma tentativa de desenvolver uma ferramenta que oferece descontos quando o internauta tenta sair de um site, um aplicativo de caronas intermunicipal e outro que funcionaria como uma espécie de cardápio virtual nos restaurantes.

FofoStore A convite de um amigo, se tornou sócio da empresa que vende almofadas de pelúcia no formato dos emoticons. O negócio vai bem e já está sendo ampliado com quiosques em shoppings. Charles se sente à vontade para trabalhar com o público jovem das redes sociais. “Tanto a Fofo quanto a Print4me têm um público-alvo mais jovem (de 18 a 34 anos), mais ou menos da minha faixa etária. Pelos meus amigos e círculo social, eu consigo entender a necessidade desse público”, afirma.

Sobre a correria de gerenciar vários negócios ao mesmo tempo, dá uma dica preciosa aos empreendedores. “Empreendedor quer conquistar o mundo, mas é preciso ter paciência. Alguns passos são pressupostos para o próximo, então não adianta querer adiantar o processo. Por isso, dá para ter vários negócios simultâneos, já que nem sempre eles estarão na mesma escala. Obviamente, você precisa se organizar e ter uma equipe para te ajudar”, aconselha.

Sobre o futuro, não titubeia. “Pretendo abrir novas empresas. Abrir é o mais legal. As pessoas pensam que tudo já foi inventado, mas se enganam. Se você criar uma subcategoria e prestar um serviço de qualidade, vai dar certo”, conclui.

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