Um Projeto: Fundação Estudar
Advogado Lucas Mendes bolsista da Fundação Estudar

Jovem conta como foi do curso de Direito na UFMG ao mestrado em Berkeley, na California

Por Rafael Carvalho

Lucas Mendes escreve sobre sua experiência universitária na Universidade Federal de Minas Gerais e como sua trajetória o levou a um mestrado no exterior

Formado em Direito pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), Lucas Mendes atualmente cursa mestrado na conceituada Universidade da California em Berkeley, com bolsa da Fundação Estudar. A seguir, ele escreve sobre a sua experiência universitária em uma instituição pública brasileira e como a sua vontade de estar entre os melhores o impulsionou para a pós-graduação no exterior:

Desde o ensino médio eu tinha claro que queria estar entre os melhores. Eu jogava basquete no time Minas até os 18 anos e vivi a experiência de que quem treinava com os melhores, melhorava, enquanto quem treinava com gente mais fraca no máximo se mantinha. Tinha para mim que o ambiente me jogaria para frente.

Hoje em dia vejo que era possível pensar até mais longe, poderia ter feito direito na USP (Universidade de São Paulo) ou mesmo graduação fora do pais, mas isso não era minha realidade na época, sabia que existia, mas não conhecia ninguém que tinha feito. Vou repetir isso várias vezes: exemplos são fundamentais. Com vestibular unificado e mais publicidade das opções no exterior acho que quem quiser estar entre os melhores pode avaliar vir para os Estados Unidos desde a graduação. Fato é que adorei a UFMG e o período que pasei lá, intensifiquei muito meus laços com a faculdade e com o Brasil. Não sei se faria diferente. Talvez.

Acho que aproveitei a maioria das coisas que a UFMG proporiconava. Além das oportunidades de pesquisador, bolsista de extensão, movimento estudantil e intercâmbio no exterior, aproveitei também o que a universidade tinha de melhor: as pessoas. Ao participar dos grupos de estudos, em particular do GEDI (Grupo de Estudos em Direito Internacional), vi muitos exemplos legais. Lá as pessoas falavam inglês muito bem, muitas estavam indo ou voltando de intercâmbio no exterior, um xará meu (que hoje é diplomata) acabara de voltar de um estágio no BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), em Washington… Os exemplos me inspiraram e fui atrás dessas oportunidades, como, por exemplo, fazer um estágio na ONU (Organização das Nações Unidas) e estudar na Universidade Sorbonne, na França.

Tal qual eu via a UFMG, eu via esses lugares como lugares de gente boa. Durante essas experiências ficou muito claro para mim que eu podia fazer qualquer coisa, ter qualquer profissão, mas eu precisava esta perto de gente que eu admirasse e que eu visse que estavam me puxando para frente. Lembro que no meu convite de formatura escrevi que a faculdade lembrava o estádio do Boca Juniors, La Bombonera: de fora um prédio meio velho, por dentro uma atmosfera encantadora que pulsava com a energia das pessoas que estavam lá.

No meu último ano de graduação fui atrás dos ex-alunos que admirava, para ver o que eles estavam fazendo. Depois de muitas viagens, eu queria ficar em BH naquele momento e fui atrás em um ex-aluno da minha universidade, Lucas Spadano, que voltara de um mestrado na LSE (London School of Economic and Political Science), era advogado no escritório Campos Fialho Canabrava e na época iniciava atuação em áreas do Direito que eu gostava, como comércio internacional e concorrencial. Eu coloquei um terno e fui lá pedir um estágio. Os sócios lá eram ótimos ex-alunos da UFMG e pioneiros em ter ido fazer mestrado nos Estados Unidos.

Apesar de estar adorando experiência lá, eu sempre gostei de política pública e logo no final do curso surgiu uma chance de fazer um estágio de verão no CADE [Conselho Administrativo de Defesa Econômica, autarquia ligada ou Ministério da Justiça que lida com questões comerciais, como autorizar fusões e aquisições e decidir sobre irregularidades no comércio]. Fui para ficar um mês, mas acabei sendo contratado depois do estágio e fiquei quase um ano. Foi muito boa a experiência no governo, mas era final de mandato das pessoas que me impulsionaram a ir pra lá, e na época vi uma propaganda do Itaú Unibanco na revista The Economist. Era uma multinacional brasileira que tinha metas ambiciosas na América Latina e estava com processo de trainee aberto.

Sai do governo e voltei pra Belo Horizonte, mas minha ideia de voltar para o escritório de advocacia ficou em cheque com a chance de ir para o Itaú, o que demandaria mudar de cidade. Foi difícil sair da minha cidade natal, de um lugar onde eu gostava de trabalhar e tinha um ambiente fantástico. Só resolvi ir para São Paulo depois de falar com a família e com o sócios do escritório, que foram ultra generosos comigo.

No trainee do Itaú me vi no tipo de ambiente que gostava, tinha muita gente boa do Brasil todo. Os anos seguintes no banco foram de muito aprendizado com várias coisas novas e a velocidade e pressão do mercado financeiro.

Três anos depois de formar, me juntei com uns outros ex-alunos para lançar a associação Amigos da Vetusta (Vetusta é o apelido do Direito da UFMG), uma rede de ex-alunos para aproximar bons exemplos da escola e aumentar as oportunidades dos atuais estudantes por meio de mentoria e bolsas de estudos. Essa tem sido uma experiência fantástica e uma forma de retribuir tudo que recebi da UFMG, focando no seu maior ativo, os alunos.

Seguindo os exemplos dos amigos do grupo de internacional na UFMG, eu também queria fazer mestrado fora. Como me envolvi desde 2013 no banco com projetos ligados a inovação, vi no Vale do Silício o lugar natural para ir. Lá estavam os melhores exemplos. Com generoso apoio do Itaú e de duas instituições incríveis: o Instituto Ling e a Fundação Estudar estou cursando atualmente mestrado na Uiversidade da California em Berkeley. Na volta ao Brasil vou para a área de tecnologia do Itaú tocar um projeto que fundei com trainees do meu ano focado na interação do banco com start-ups. No futuro, quero continuar perto de gente boa fazendo coisa que impacte a vida das pessoas. Assim como cresci num país melhor do que aquele que meus pais cresceram, quero ajudar a criar um país com mais oportunidades para meus filhos e as próxima gerações de brasileiros. Acho que o governo e políticos podem ajudar, mas a responsabilidade principal é nossa, da sociedade, de viabilizar o país futuro.

Este artigo foi originalmente publicado em Formei, e agora?

O que achou do post? Deixe um comentário ou marque seu amigo