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Intercâmbio voluntário: como, onde e por que fazer

Por Marcela Marcos

O voluntariado proporciona experiências transformadoras e enriquece o currículo. O intercâmbio voluntário, por sua vez, ainda permite contato com outras culturas e o desenvolvimento pessoal acelerado. No Dia Internacional do Voluntário, confira seleção de oportunidades!

Envolver-se com diferentes culturas e desenvolver competências pessoais enquanto realiza uma boa ação: esses são só alguns dos benefícios do intercâmbio voluntário. Sempre que nos doamos em prol de uma causa, não só deixamos algo no local, mas também trazemos de volta as vantagens imateriais que cada troca proporciona.

Para além do enriquecimento pessoal, o voluntariado também é uma boa oportunidade de enriquecer o currículo, já que esse tipo de experiência é bem vista por recrutadores.

Existem diversas agências e ONGs que oferecem programas de intercâmbio voluntário, para trabalhos que vão desde ajudar a cuidar de animais, até cuidar de crianças em situação precária.Também não faltam opções em lugares diferentes do globo – alguns, inclusive, com paisagens paradisíacas onde ainda é possível aproveitar momentos de lazer!

O Estudar Fora reuniu algumas dessas opções, mas, antes de planejar seu intercâmbio, saiba quais os tipos de voluntariado existentes e o que é preciso para ser um voluntário.

Perfil de voluntário

Afinal, quem pode fazer trabalho voluntário? Existe um “perfil ideal”? Segundo Mariana Serra, idealizadora e cofundadora do VV (Volunteer Vacations), que oferece opções nacionais e internacionais para voluntariado, qualquer um pode ser voluntário, desde que tenha consciência da responsabilidade que está prestes a abraçar.

 “Ajudar e está ao alcance de todos, mas o voluntário precisa ser treinado para entender os princípios de ajuda humanitária, como neutralidade, imparcialidade. Precisa também entender o contexto histórico cultural em que vai atuar e sua ação em campo de modo geral”.

Entretanto, é preciso entender que existem opções de voluntariado que não envolvem, necessariamente, o trabalho em comunidades carentes, apesar de se encaixarem no chamado “volunturismo”. Eduardo Mariano, presidente e fundador da Exchange do Bem, agência de intercâmbio social, esclarece essa questão.

(O volunturismo) é uma viagem em que você não escolhe apenas o destino, mas um projeto social de que deseja participar. A ideia é você se conectar com a população local e ajudá-la de alguma maneira, enquanto ela te ajuda a entender melhor o ambiente. Isso pode ser em um local extremamente carente, como interior de Gana, ou um destino mais desenvolvido como Cape Town na África do Sul ou Chiang Mai na Tailândia”.

Onde fazer intercâmbio voluntário

Agora que você já sabe o que envolve ser voluntário, confira algumas opções selecionadas pelo Estudar Fora para viver uma experiência transformadora!

(É importante destacar que a maioria delas cobra uma taxa para tal, que é destinada a cobrir as despesas quando se trata de uma organização sem fins lucrativos)

AIESEC:

México e Itália como alguns dos destinos

AIESEC oferece um programa de voluntariado global, em que o jovem se candidatam na oportunidade de seu interesse e, a partir do momento em que é aprovado pela AIESEC do país de destino (o que acontece praticamente no mesmo dia), já pode começar a se planejar com a organização. Nessa experiência a acomodação é garantida, mas nem todas as oportunidades de voluntariado disponíveis têm alimentação inclusa.
O processo de admissão é simples – ter entre 18 e 30 anos é o único requisito – e o programa custa cerca de R$ 1.625, o que dá acesso às vagas e o suporte da organização, bem como auxílio na obtenção de itens essenciais para a viagem (como seguro de saúde), mas não inclui passagens aéreas e fatores externos, como a variação da moeda local. Os destinos são Colômbia,  Argentina, Peru, México e Itália.

 

CI Intercâmbio:

Trabalhos sociais e ambientais

CI Intercâmbio oferece opções de volunturismo em 7 países para cuidar de animais, ajudar na conservação do meio ambiente ou desenvolver ações humanitárias. O programa de voluntariado inclui acomodação, refeições, transfer de chegada, suporte local 24h durante a estada e treinamento inicial, além de um certificado de participação.

De acordo com a coordenadora de produtos Jéssica Carvalho, responsável pela área de voluntariado da CI, os trabalho sociais com crianças são os mais procurados. Os requisito são ter 18 anos, ser um pessoa engajada e saber se comunicar em inglês (sendo indicado nível intermediária no idioma, mas alguns projetos aceitam níveis mais baixos). As opções e tarifas devem ser consultadas com a própria empresa.

Exchange do Bem:

Dezenas de opções, destaque para África do Sul

No caso do Exchange do Bem, são mais de 50 opções de projetos em diversos países, sendo que a agência de intercâmbio social destina 10% do seu lucro para investimentos ligados à educação no Brasil. A maior procura, segundo o fundador Eduardo Mariano é pela África do Sul, que serve como porta de entrada para conhecer o continente africano por ser o país com melhor infraestrutura dentro dele. “Dificilmente alguém vai fazer a primeira viagem para a África direto para Uganda, por exemplo. Normalmente as pessoas começam com países que, embora mais desenvolvidos, também precisam de ajuda”.

Ainda de acordo com Mariano, o Peru é outro destino que atrai muitos voluntários brasileiros, por ser mais próximo e ter passagens mais baratas. Em geral, aliás, as passagens aéreas não costumam estar inclusas nos pacotes de intercâmbio voluntário em diferentes agências, e não é diferente com a Exchange do Bem.

Os custos das opções de volunturismo no exterior com a organização custam a partir de 590 dólares e incluem, no mínimo, acomodação. Parte do valor pago é destinada à hospedagem, que pode ser em hostel, guest house, casa de família ou casa de voluntários. A agência também auxilia o intercambista com relação a visto e vacinas necessárias (outro ponto a se considerar para voluntariar no exterior). As atividades vão desde recreação com crianças em hospitais, até construir um sistema de drenagem em Gana. O requisito normalmente é ter 18 anos e falar inglês. Entretanto, algumas opções não exigem nenhum conhecimento no idioma, como as viagens em grupo para Gana e para a Índia.

Leia também: 5 coisas que você precisa saber antes de trabalhar como voluntário

Volunteer Vacations:

Mais de 30 programas; Quênia como um dos mais procurados

A agência VV (Volunteer Vacations) é especialista em férias voluntárias e conta com mais de 30 programas em 20 países. Dos destinos internacionais, o Quênia é o mais procurado. Uma das razões é o fato de que o país africano tem o inglês como língua oficial e, segundo Mariana Serra, idealizadora da VV, também oferece relativa segurança quando comparado a outros da Eastern Africa.

Os custos variam conforme o projeto escolhido – e podem ser consultados nesta página -, sendo que a agência dá desconto para quem já viajou com a VV antes e também faz diversas campanhas promocionais (nesse caso, os interessados precisam ficar ligados nas redes sociais da organização). As passagens aéreas não estão inclusas, embora a VV tenha uma parceria com uma operadora de viagens que doa a alguma ONG parceira uma porcentagem de cada passagem emitida. Todos os voluntários, porém, contam com um treinamento da equipe da Volunteer Vacations.

Já com relação aos pré-requisitos, estes também variam – conforme o programa – entre idioma, vacina, visto e, para alguns projetos específicos, é preciso ser estudante de medicina ou médico.

Rotary:

Estudos pela paz, com bolsas

Se o seu sonho é ajudar a promover a paz e a compreensão entre os povos, então um programa de voluntariado que seja mais direcionado a esse assunto pode ser o ideal para você! A boa notícia é que a organização Rotary International oferece, anualmente, até 100 bolsas para se aperfeiçoar nessa área.

O apoio financeiro é para os chamados “Estudos pela Paz”, subcategoria dos “Estudos da Paz e Conflitos”, que são um campo que analisa mecanismos de conflitos sociais, bem como identifica comportamentos violentos e não violentos na interação entre pessoas e sociedades. No caso dos estudos pela paz, há um esforço interdisciplinar que pretende prevenir e resolver conflitos em escala, em contraste com os estudos da guerra, direcionados à busca de vitória em conflitos. As bolsas da Rotary são destinadas a cursos de mestrado e aperfeiçoamento nesse subcampo, e compreendem, além das mensalidades e taxas escolares, as despesas com passagens aéreas até o país, moradia e alimentação durante o curso.

A entidade também tem outros dois programas de voluntariado, que são os Núcleos Rotary de Desenvolvimento Comunitário e Prêmios Rotários de Liderança Juvenil.

 

 

Esta matéria foi originalmente publicada no portal Estudar Fora, que também é da Fundação Estudar.

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