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Thiago Alvarez, CEO do GuiaBolso

CEO do GuiaBolso, fintech com mais de três milhões de usuários, fala sobre empreendedorismo e desafios

Por Redação, do Na Prática

Cofundador e presidente do GuiaBolso, Thiago Alvarez relembra os momentos iniciais do aplicativo, destaca sua importância na crise e fala sobre o futuro das fintechs brasileiras

Em 2014, os empreendedores Thiago Alvarez e Benjamin Gleason lançaram o GuiaBolso, um aplicativo de controle financeiro pessoal. Hoje com 130 funcionários, a fintech, como são conhecidas as startups que atuam no setor financeiro, tem 3,5 milhões de usuários e já expandiu seus negócios para oferecer crédito.

A trajetória de sucesso, no entanto, não foi tão linear: a dupla começou investindo o próprio dinheiro e enfrentou a rejeição de dezenas de investidores. Em dado ponto, esteve às vésperas de fechar.

“Tivemos de convencer os investidores de que a nossa ideia era viável e tinha potencial de transformar a vida financeira dos brasileiros”, lembra Thiago, destacando que seus usuários passam a economizar até 2,5 vezes mais com a ajuda do app.

Em entrevista ao NaPrática.org, Thiago, que lidera uma das principais startups do país, fala sobre os desafios iniciais e as características necessárias para quem quer empreender no setor financeiro.

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A história do GuiaBolso

Por que decidiram criar uma fintech?

Thiago Alvarez: A experiência profissional que tivemos antes do GuiaBolso nos mostrou que havia um enorme espaço para melhorar os serviços financeiros no Brasil, então foi natural seguir por esse caminho.

Há cinco anos, nós começamos a perceber que muitos brasileiros estavam entrando no mercado consumidor. Obviamente, controlar as finanças sempre foi um desafio para os brasileiros em meio às crises econômicas e hiperinflação dos anos 1980 e começo de 1990. Com o aumento da renda e do acesso a produtos e serviços até então inéditos, o controle financeiro se tornou ainda mais importante.

Quais foram os maiores obstáculos iniciais?

TA: Primeiro, tivemos de convencer os investidores de que a nossa ideia era viável e tinha potencial de transformar a vida financeira dos brasileiros.

No começo, eu e Benjamin colocamos dinheiro do próprio bolso para começar o negócio. Antes de receber a primeira rodada de investimento estivemos literalmente a um dia de não ter dinheiro para pagar os funcionários. Hoje, cinco anos depois, já levantamos R$ 90 milhões.

Outra parte do desafio foi criar do zero a tecnologia de conexão bancária do GuiaBolso. É uma coisa que nunca havia sido feita no Brasil e exigiu muitas horas de trabalho e esforço. O aprimoramento dessa tecnologia é um trabalho constante de nossos desenvolvedores.

Os nossos usuários conseguem organizar em dois minutos suas transações, porque o aplicativo faz essa classificação automaticamente. É muito mais fácil do que alimentar uma planilha. Essa facilidade ajuda a identificar os excessos e onde é possível controlar gastos para melhorar a saúde financeira.

Uma vez que o app estava no ar, como foi a recepção do público?

TA: Em 2014, pouco após o lançamento, a Apple colocou o nosso aplicativo em destaque em sua loja. Rapidamente, o aplicativo foi subindo no ranking dos mais baixados, ultrapassando Facebook e WhatsApp. Isso nos deu confiança de que estávamos no caminho certo. Depois, ele chegou a ultrapassar o Tinder e aí realmente entendemos o tamanho do impacto do nosso trabalho. Hoje temos 3,5 milhões de usuários e prevemos chegar a 20 milhões nos próximos cinco anos.

O que mudou com a crise econômica brasileira?

TA: A importância do nosso aplicativo ganha mais força em momentos de crise: é a hora de controlar ainda mais os gastos para conseguir enfrentar esses tempos mais complicados. Entre os usuários mais antigos do aplicativo, nós identificamos que realmente fazemos diferença no controle das finanças e que esse impacto vai se multiplicando no longo prazo. Embora a crise afete o orçamento de todo mundo, quem está aqui há mais tempo tem a tendência de já estar mais controlado com os gastos.

Qual é o perfil de quem trabalha na empresa?

TA: O perfil dos funcionários é bastante variado em termos de aptidões e faixa etária. Mas sempre buscamos alguns pontos em comum, como funcionários empreendedores e que se sintam donos dos projetos que estão tocando. É muito importante que todos aqui entendam o impacto do nosso trabalho e tomem decisões para sempre melhorar a vida do usuário.

Que momento o GuiaBolso vive hoje?

TA: Depois de criar e consolidar o aplicativo, começamos a compreender que era hora de começar a resolver outros aspectos da vida financeira dos usuários.

Identificamos que um problema recorrente era o uso de cheque especial e cartão de crédito e, em 2016,  lançamos o Just, uma plataforma de crédito pessoal online que funciona dentro do aplicativo do GuiaBolso e também de maneira independente (justonline.com.br).

O motivo foi criar uma plataforma para oferecer empréstimos com taxas de juros menores e com uma experiência 100% digital. Já emprestamos R$ 150 milhões desde então e levantamos recentemente mais R$ 120 milhões para expandir a nossa oferta de crédito.

Por que o Brasil vê um boom de fintechs? 

TA: O tamanho do sistema financeiro brasileiros e as ineficiências do modelo com que trabalhamos tornam o mercado brasileiro naturalmente muito promissor para as fintechs. Há muito espaço para criar e melhorar experiências e acredito que seja por isso que diversas fintechs tenham surgido nos últimos anos.

Quais são as habilidades e competências que um empreendedor precisa ter para sobreviver no setor financeiro?

TA: Aqui no GuiaBolso nós sempre colocamos o consumidor em primeiro lugar. A experiência e satisfação com os nossos serviços são o que orientam o nosso trabalho. Já recusamos diversas oportunidades que iam contra os nossos princípios de ajudar o usuário, mesmo que no curto prazo houvesse a possibilidade de um retorno financeiro relevante.


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