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Entenda a nova tendência social: o investimento de impacto

Por Rafael Carvalho

"Existem diversas oportunidades para os investidores desenvolverem soluções sociais e ambientais através de investimentos que também produzem retornos financeiros”

O Portal Draft continua a série que explica as principais palavras do vocabulário dos empreendedores da nova economia. São termos e expressões que você precisa saber: seja para conhecer as novas ferramentas que vão impulsionar seus negócios ou para te ajudar a falar a mesma língua de mentores e investidores. O verbete de hoje é investimento de impacto

O que acham que é

O mesmo que investimento de responsabilidade social. Ou algum tipo de filantropia.

O que realmente é

Investimentos de Impacto (da tradução literal do inglês impact investing) são aqueles  que causam impacto socioambiental além de objetivar lucro. Isso significa que podem abranger atividades de cunho específico socioambiental e também projetos de empresas, fundações, institutos e governos com foco em resultado econômico, mas com possibilidade de gerar um impacto social positivo quantificável.

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“Investimentos de Impacto são investimentos realizados em projetos ou, no caso da Vox Capital, em empresas que possuem a intenção de causar impacto social e/ou ambiental positivo, além de retorno financeiro, diz Daniel Izzo, co-fundador e diretor executivo da Vox Capital, primeiro fundo de investimento de impacto do Brasil, e professor convidado do curso executivo de investimentos de impacto da Said Business School, da Universidade de Oxford. De acordo com a definição da Investopedia, Investimento de Impacto é um subgrupo de Investimento Socialmente Responsável (SRI, na sigla em inglês) mas enquanto o SRI abrange evitar danos, o Investimento de Impacto procura ativamente causar impactos positivos.

O site da GIIN (Global Impact Investing Network) diz que o Investimento de Impacto desafia a  visão antiga,  de que as questões sociais e ambientais devem ser tratadas apenas por doações filantrópicas e que os investimentos do mercado devem concentrar-se exclusivamente na obtenção de retornos financeiros: “O mercado de Investimento de Impacto oferece diversas e viáveis oportunidades para os investidores para desenvolver soluções sociais e ambientais através de investimentos que também produzem retornos financeiros”.

Quem inventou

Izzo diz que o conceito investimento para benefícios sociais não é novo, ele sempre existiu. “Mas o setor de Investimento de Impacto, com esse nome e reconhecido como uma iniciativa conjunta de diversos atores, surgiu de forma mais organizada com o lançamento do relatório Impact Investments: An Emergent Asset Class, do J.P. Morgan e da Rockfeller Foundation em parceria com a GIIN”, afirma.

Quando foi inventado

Em novembro 2010, data do lançamento do relatório “Impact Investments: An Emergent Asset Class”.

Para que serve

De acordo com Izzo, esses investimentos são uma nova maneira de se fazer negócios com uma camada adicional de responsabilidade à gestão da empresa: o impacto positivo. “Não se trata de filantropia ou de iniciativas desconectadas com o negócio. São empresas que efetivamente estão desenvolvendo negócios (em seu core business) que impactam positivamente a sociedade, resolvendo problemas reais que enfrentamos, tanto sociais quanto ambientais”, diz.

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Quem usa

Empreendedores, investidores, grandes empresas e institutos empresariais. Segundo William Eid Junior, professor e coordenador do Centro de Estudos em Finanças (GVCEF) da FGV – EAESP, em geral, o caminho são fundos de investimentos. “Mas também há instituições com áreas específicas, como o banco Itaú, por exemplo, que tem a área de sustentabilidade muito desenvolvida e banco Santander, com o Universidades, para citar dois”, afirma.

Efeitos colaterais

“Achar que toda empresa que possui impacto é um investimento de impacto. Isso é um erro, pois toda atividade humana gera algum tipo de impacto. Só pode ser considerado um investimento de impacto aquele que é gerido em busca da maximização deste. E não aquele que causa impacto como um efeito colateral”, diz Izzo.

Quem é contra

Nenhum dos dois entrevistados acredita que haja quem seja abertamente contra Investimentos de Impacto. “Idealmente, ninguém com senso de responsabilidade ambiental ou social é contra. Só uma pessoa ou organização com interesses escusos poderia ser contra”, diz Eid Júnior. Izzo concorda, mas faz uma ponderação. “Podemos citar dois possíveis ‘inimigos indiretos’ dos investimentos de impacto: a burocracia, que dificulta a criação e o desenvolvimento de novas empresas no Brasil, e os cartéis e grupos de interesse, que criam leis e bloqueios para o surgimento de soluções inovadoras que possam trazer mudanças profundas para setores ineficientes, mas ainda dominados por grandes grupos”, afirma o diretor da Vox Capital.

Para saber mais

Assista ao vídeo Impact Capital Is The New Asset Class, painel que aconteceu no Forbes 400 Summit On Philanthropy com Marc Andreessen da Andreessen Horowitz, Jim Breye dda Accel Partners, Marc Benioff, CEO da Salesforce.com e Cheryl Dorsey da Echoing Green; leia, na Forbes, o texto Is Social Impact Investing The Next Venture Capital? publicado em setembro do ano passado; assista ao vídeo “Turn your money into real change” na página do Social Impact Investment. No site há também uma série de reports sobre o assunto; leia, na Bloomberg, BlackRock Targets Idealistic Millennials With Do-Good Investing sobre como dois millennials vislumbraram um nicho em Investimento de Impacto.

 

Este artigo foi originalmente publicado em DRAFT


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