Educação: a chave para um Brasil melhor

Conheça os avanços e os desafios do setor, além das áreas que oferecem as melhores oportunidades no mercado atualmente

Luiza Vieira, para o , em 14.08.2014
Livros empilhados [shutterstock]

Em 1991, apenas 30% da população brasileira com até 18 anos tinha concluído o ensino fundamental. Vinte anos depois, esse percentual era de 55%. Atualmente, o Brasil tem 50 milhões de estudantes matriculados no ensino fundamental e médio – 83% deles na rede pública. Para os mais jovens, o cenário é ainda melhor: o percentual de crianças com 5 e 6 anos frequentando a escola subiu de 37% para 91% no mesmo período.

Também evoluímos no ensino superior. Grande parte do movimento aconteceu no setor privado, que hoje absorve 70% dos alunos. As matrículas em cursos de graduação aumentaram de 4 milhões para 7 milhões na última década, mas ainda há muito a avançar quando nos comparamos a outros países. Apenas 27% dos nossos jovens estão nas universidades, contra 59% no Chile e 71% na Argentina. Mestres e doutores são menos de 0,5% da população brasileira.

Leitura e aprendizado
Se antes o desafio era colocar os jovens na escola, hoje é fazer com que eles aprendam. O Brasil ficou na posição 38 entre os 44 países participantes de um teste de raciocínio lógico aplicado recentemente pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa). O principal problema está na leitura, porque nossos alunos têm dificuldades em interpretar o enunciado das questões.

Nesse contexto, não há dúvidas de que a competitividade do Brasil no mercado internacional depende de avanços importantes no ensino. O trabalhador brasileiro tem um quinto da produtividade do trabalhador americano, e boa parte da diferença se justifica pela falta de preparo da força de trabalho. Assim, os jovens que se sentem motivados a construir um país melhor podem encontrar seu caminho na educação, mesmo que desafiador.

Mercado de trabalho
Na indústria de educação, o Brasil não só precisa de bons professores, mas também de gestores que tragam visão de negócio e estratégia para as instituições de ensino. Uma formação desejável para quem pensa em construir uma carreira como líder de uma empresa de ensino é administração. Ela pode ser complementada com um curso de especialização em pedagogia, focado em melhorar os processos de aprendizagem.

Conheça áreas que oferecem as melhores oportunidades no mercado:

Ensino superior: nos últimos cinco anos, o pulverizado mercado de instituições de ensino, com mais de 2.000 empresas, começou a se consolidar no Brasil. Há um ano, duas das maiores empresas brasileiras no setor, Kroton e Anhanguera, se juntaram para formar o maior grupo de educação do mundo – são 1 milhão de alunos. Outros grandes grupos são Estácio, Unip, Laureate (Anhembi Morumbi e FMU) e Uninove. Estruturar esses gigantes de maneira a garantir a qualidade do ensino é o desafio dos gestores dessas empresas.

Sistemas de ensino: de duas décadas para cá começaram a se popularizar no ensino fundamental e médio a adoção dos chamados sistemas de ensino. Eles são conjuntos de apostilas adotados em sala de aula para guiar o trabalho do professor que servem como material didático para os alunos. É como se a escola terceirizasse o trabalho de pensar sua proposta pedagógica para empresas que prometem mais qualidade e produtividade em sala de aula. Muitas vezes o trabalho vai além do professor: o sistema dá suporte para escola em ações de comunicação e marketing para chamar novos alunos, e em como usar novas tecnologias de maneira eficiente. Entre as empresas responsáveis por produzir, atualizar e vender para as escolas esses materiais estão: Objetivo, Abril Educação (dos sistemas Anglo, pH, Ser), COC, Pitágoras e Positivo.

Ensino à distância (EAD): não faz muito tempo que cursos online eram vistos como apenas formação complementar. Hoje, a maioria das universidades que são referência no mundo oferecem cursos à distância – algumas delas dão a seus alunos diplomas iguais àqueles dos alunos de aulas presenciais. Por causa do avanço da tecnologia e da comodidade de estudar de casa, o EAD é a modalidade de ensino que mais cresce no Brasil: em uma década passou de 100.000 matrículas para mais de 5 milhões seja graduação, pós, cursos livres ou executivos. Empresas como Anhanguera/Kroton, Unip e Estácio têm centenas de milhares de alunos no EAD. Mas se trata de um campo vasto de trabalho que também está sob a mira de startups, como a Veduca, que oferece cursos online de escolas estrangeiras renomadas como MIT e Yale, traduzidos para o português, e a Descomplica, que funciona como um cursinho de pré-vestibular e ENEM online.

Educação executiva: hoje é esperado que um profissional volte várias vezes à sala de aula para se manter competitivo e atualizado. A exigência para isso nunca foi tão grande. A boa notícia é que há muitas opções – desde os cursos rápidos, de uma semana, até os mestrados profissionais. Entre as principais escolas de negócios brasileiras estão a Fundação Dom Cabral, o Insper, a Saint Paul Escola de Negócios, a Fundação Instituto de Administração (FIA) e a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Todas elas oferecem módulos internacionais para complementar o curso, experiência desejável no mercado.

Esta reportagem faz parte da seção Explore, que reúne uma série de conteúdos exclusivos sobre carreira em negócios. Nela, explicamos como funciona, como é na prática e como entrar em diversas indústrias e funções. Nosso objetivo é te dar algumas coordenadas para você ter uma ideia mais real do que vai encontrar no dia a dia de trabalho em diferentes setores e áreas de atuação.