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Trainee do Itaú Unibanco

O maior desafio da seleção de trainee, segundo 11 aprovados

Por Rafael Carvalho

Veja as dificuldades da competição e as dicas para ter sucesso nos processos seletivos de trainee, segundo quem chegou lá

Estes 11 jovens venceram disputas acirradas e deixaram para trás centenas de candidatos que, todos os anos, tentam conquistar uma oportunidade de trainee em programas de grandes empresas como Ambev, 3M, BTG Pactual, Natura, Whirlpool, entre outras.

Para se destacar, os trainees e ex-trainees que você vai conhecer nesta matéria enfrentaram (e superaram) desafios para chamar atenção de gestores – sobretudo nas etapas finais da seleção — em meio a outras tantas pessoas bem preparadas. Alguns aprovados, inclusive, citam que o principal desafio foi manter a autoconfiança frente a concorrentes tão talentosos.

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Confira a seguir quais foram as principais dificuldades dos processos seletivos, segundo 11 aprovados e o que eles fizeram para superá-las e, enfim, conquistar a tão sonhada vaga de trainee.

Roger Halmenschlager da Silva, 27 anos, trainee do BTG Pactual

Quando foi aprovado: janeiro de 2015

Área de trabalho: finance

Roger BTG Pactual
Roger Silva, trainee do BTG Pactual [divulgação] 

Maior desafio do processo seletivo: “com formação em engenharia elétrica pela UFRGS e em engenharia de produção pela École Centrale de Nantes, na França, minha maior dificuldade durante o processo foi me diferenciar e mostrar como poderia contribuir para o banco, uma vez que minhas experiências de estágio e trabalho eram como engenheiro no setor aeronáutico”, diz o trainee.

Competindo com candidatos que tinham experiência e formação no mercado financeiro, seu foco, para se diferenciar, residiu na sua capacidade analítica como engenheiro e no alinhamento à cultura do banco. Buscou informações na mídia sobre o BTG Pactual e estudou sobre as diferentes áreas para entender a estrutura do negócio e cada um dos valores do banco.

“Nas entrevistas, trouxe exemplos de projetos e ideias inovadoras que tive e pude executar, ressaltando os principais aprendizados e qualidades transferíveis para o banco”, diz.

Como não poderia obter o conhecimento em finanças próprio de um economista ou de um administrador, ele conta que procurou se manter atualizado sobre o cenário econômico e político do Brasil e do mundo.

“Lia diariamente jornais e revistas focadas em economia e, durante as entrevistas, sempre demonstrei minha disposição em aprender e conhecer mais sobre o mercado como um todo”, diz.

Amanda Ferreira, 23 anos, trainee da 3M

Quando foi aprovada: dezembro de 2014

Área de trabalho: gerenciamento de projetos

Maior desafio do processo seletivo: manter a autoconfiança na dinâmica em grupo. Segundo Amanda, aquela foi a primeira vez que viu seus concorrentes frente a frente. “Descobri que todos tinham um nível muito elevado e essa foi uma percepção que eu não tinha tido até então, já que as entrevistas e testes tinham sido individuais”, conta.

Outra dificuldade foi a etapa do painel, que era bastante técnico no caso da 3M. “Não conhecia muito bem o tema do caso, marketing e vendas, então optei por ser sincera, dizer que não tinha experiência no assunto”, diz. “Tive um feedback positivo por assumir que não tinha pleno conhecimento”.

Guilherme Hashimoto, 25 anos, trainee da Whirlpool

Quando foi aprovado: novembro de 2014

Área de trabalho: engenharia de qualidade

Maior desafio do processo seletivo: nas fases finais, todos os candidatos possuíam um ótimo currículo e experiências interessantes. “Assim, o maior desafio para mim foi conseguir me destacar em um curto período de tempo, demonstrando minhas habilidades e competências e destacando minha identificação com a cultura e os valores da Whirlpool”, diz Hashimoto.

“Nesses casos em que temos pouco tempo para mostrar todo o nosso potencial, estar bem preparado é fundamental. Para mim, o que ajudou foi estudar mais sobre a empresa, seus produtos e o mercado em que atua, além de ensaiar uma boa apresentação pessoal”, diz Hashimoto.

De acordo com ele, a preparação prévia foi crucial para transmitir as mensagens claramente, com calma e confiança, em uma situação que ele define como “ de altíssima pressão e em que todos querem ser os escolhidos”.

Thomaz Cecílio, 25 anos, ex-trainee da Ambev

Quando foi aprovado: ingressou em janeiro de 2014

Área de trabalho: trade marketing

Maior desafio do processo seletivo: manter a calma e confiança na hora de se apresentar diante do presidente e dos vice-presidentes da cervejaria.

Thomaz também cita uma fase em que os candidatos precisam se dividir em grupos, como se fossem empresas, e tomar decisões estratégicas. “Nessa etapa da seleção você se vê no meio de muita gente boa, então é necessário mostrar um bom desempenho no trabalho em equipe para se destacar”, afirma.

Guilherme Moliterno de Morais, 26 anos, trainee da Natura

Quando foi aprovado: dezembro de 2013 ( para início em janeiro de 2014)

Área de trabalho: inovação comercial

Maior desafio do processo seletivo: etapa de Painel, em que os candidatos formam grupos para resolver um case e apresentar recomendações para gestores presentes na sala.  “Após nossa apresentação, tivemos que responder a uma série de questionamentos dos gestores sobre a estratégia que criamos”, diz Morais. Além do case, um grande desafio, segundo ele, foi lidar com pessoas de perfis totalmente distintos. “Os diferentes comportamentos exigem muita concentração e jogo de cintura para conseguir se destacar sem criar algum tipo de desgaste. No final somos concorrentes, mas naquele momento, se não trabalharmos juntos, ninguém passa”, diz o trainee.

A preparação, com antecedência, para esta etapa foi importante para vencer o desafio, de acordo com ele. “Procurei por pessoas que já haviam prestado processos de trainee para entender um pouco da experiência vivida. Nesta hora toda dica é válida. Entendi que é muito importante conhecer a cultura da empresa antes das dinâmicas. Assim, você poderá realizar as atividades de acordo com os comportamentos valorizados pela empresa”, conta.

Ele também usa uma tática que traz resultado no trabalho em equipe. “Nos trabalhos em grupo, sempre levo alguns minutos observando as pessoas a minha volta. Dessa forma saberei como me relacionar com cada um durante a dinâmica”, diz ele que recomenda não menosprezar as ideias que surgem durante a dinâmica. “Mesmo que ela não seja utilizada integralmente, ela pode gerar algum insight no futuro”, diz.

Enrico Betoni, 23 anos, trainee do Itaú Unibanco

Quando foi aprovado: final de 2013

Área de trabalho:
comercial

Maior desafio do processo seletivo: entrevistas. Além de raciocínio e conhecimento, você precisa provar que está alinhado com os valores da empresa durante a conversa.

“A etapa das entrevistas é quando os melhores candidatos estão disputando entre si, ou seja, é necessário que a régua suba e os assuntos sejam mais complexos”, afirma Enrico. “Tanto conhecimento quanto jogo de cintura são colocados à prova, e o espaço para erro é muito baixo”.

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Matheus de Mendonça Barra, 26 anos, trainee da VLI

Quando foi aprovado: em 2013 para início em 2014

Área de trabalho: supervisão de operações do Terminal Integrado Santa Luzia.

Maior desafio do processo seletivo: O fato de não poder falhar, segundo ele. “Foram várias etapas e com dinâmicas que exigiam uma rápida tomada de decisão”, conta o trainee. Por isso, a preparação para lidar com a pressão e conseguir manter o foco em cada atividade proposta foi tão importante para ele.

Além dessa atenção quanto às questões comportamentais, Barra conta que identificou conhecimentos específicos que poderiam ser úteis para os testes. “Li muito sobre a empresa e seu negócio. Também fiquei atento em relação à necessidade de transmitir mensagens-chave em exercícios que demandavam algum tipo de apresentação com tempo limitado. No fim das contas, você tem apenas uma chance para deixar claro o que tem a dizer e o que pode oferecer à companhia”, diz.

Keyssi Schmidt, 22 anos, trainee da EY

Quando foi aprovada: maio de 2015

Área de trabalho:
assurance

Maior desafio do processo seletivo:
a dinâmica em grupo. “Foi preciso assimilar e administrar em pouco tempo não só as minhas próprias ideias, mas também as de toda uma equipe”, explica.

“Quanto vemos tanta diversidade de conhecimentos, colocamos em dúvida o que sabemos”. O segredo para se dar bem, segundo Keyssi, é absorver a energia do grupo. “É importante saber quando ouvir, quando falar, quando liderar e jamais tentar chefiar”, afirma.

Carlos Valone, 26 anos, ex- trainee da Ericsson

Quando foi aprovado: maio de 2013, terminou o programa em maio de 2015

Área de trabalho: TI

Maior desafio do processo seletivo: assessment, processo (teste) aplicado também aos novos gestores da Ericsson. Trata-se de uma simulação de um dia como gestor em uma empresa. “A simulação é bem completa e vai desde decisões estratégicas até coaching para um funcionário desmotivado”, conta. O objetivo deste teste, explica, é observar o comportamento do candidato em diferentes situações, bem parecidas com o dia a dia na empresa.

“Colocando em perspectiva, foi um ótimo teste, porque me fez lidar com várias situações que depois enfrentei na vida profissional. É importante estar bem preparado, ser resiliente para enfrentar todas as etapas do processo seletivo e o mais importante estar alinhado com a visão e os valores da empresa a que você está se candidatando”, diz o ex-trainee.

Felipe Massucato, 26 anos, trainee da Unilever

Quando foi aprovado: fevereiro de 2014

Área de trabalho: Supply chain

Maior desafio do processo seletivo: a dinâmica em grupo. “Em pouco tempo, você recebe um projeto totalmente novo, trabalha com pessoas desconhecidas e deve estruturar em conjunto uma solução apropriada”, explica Felipe.

“Você está trabalhando junto com pessoas que são seus concorrentes diretos , tem ótimo nível e experiência, e deve encontrar formas de influenciá-los em pouquíssimo tempo”.

Este artigo foi originalmente publicado em EXAME.com

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