De onde vêm as melhores ideias de startups?

A partir dos principais cases de sucesso na área de tecnologia, especialista faz algumas hipóteses sobre as origens da inovação, organizadas livremente em "escolas de pensamento"

Fernando de la Riva, para , em 17.11.2014
mao segurando pen drive [shutterstock]

No seu livro The Innovator’s Dilemma, Clayton Christensen categorizou três tipos de inovação: a que ele chamou de “melhorias de performance”, que substitui antigos produtos por modelos novos e melhores; a “inovação de eficiência”, que faz com que produtos já estabelecidos sejam vendidos melhores e por maiores preços; e, por fim, as inovações “market-creating”, que transformam produtos caros e complicados tão radicalmente, que acabam criando uma nova classe de consumidores, ou um novo mercado.

A partir dessas definições e dos principais cases de sucesso na área de tecnologia, podemos fazer algumas hipóteses sobre de onde vem a inovação, organizadas livremente por mim em “escolas de pensamento” – não há nenhum documento que as classifique como tal. Acredito que, observando como grandes nomes do mercado enxergam a questão de inovação e ideias no setor de tecnologia e a simples reflexão de todos esses pensamentos pode ajudar, e muito, você a encontrar seu próprio caminho.

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1. Emocional, de Marty Cagan: o criador do Silicon Valley Product Group chamou seu livro de Inspired: How To Create Products Customers Love, ou seja, “como desenvolver produtos que seus consumidores amam”. De acordo com ele, as pessoas irritadas definem o futuro da tecnologia. Quanto maior o nível de raiva ou frustração que o setor causa ao cliente (como telecom, bancos, burocracia, empresas aéreas, planos de saúde, etc), maior a chance de sucesso do produto que resolva esses problemas.

2. Mecanicista, de Steve Blank: ele diz que a inovação não é apenas implementar uma ideia criativa, mas procurar uma forma de transformar algum aspecto da ideia em algo que os consumidores querem tanto que pagariam para ter. Para ele, portanto, a ideia é irrelevante. Blank traz uma visão de empirismo extremo, na qual existe um processo sistemático de experimentos e validação de hipóteses que fará com que você chegue ao sucesso, se estiver em um mercado suficientemente grande. O problema é que você pode ficar sem dinheiro antes de terminar esta trajetória e chegar à validação do seu modelo de negócio.

Para atacar este tema, Eric Ries trouxe o movimento Lean (traduzido como enxuto) para estender o trabalho de Blank. A ideia é que você deve ser o mais enxuto possível para ser eficiente nesta busca e conseguir chegar ao ajuste produto x mercado antes que o dinheiro acabe.

3. Financeira, de Steve Denning: Denning afirma que a raiz do problema da falta de inovação de mercado é que as variáveis pelas quais os executivos são avaliados são relacionadas a lucros de curto prazo, e não sobre ROIC ou ROA (Retorno sobre Capital Investido e Retorno sobre Ativos).

A falta de inovação de mercado e a busca de ganhos de curto prazo fazem com que se precise de cinco vezes mais capital para ter o mesmo retorno financeiro. Se medimos a coisa errada, induzimos o comportamento errado e temos o resultado errado.

4. Cultural, de Mark Zuckerberg: quando dizemos que o Facebook tem uma “Cultura de Hacking” a ideia não é que os funcionários ficam invadindo sistemas para se divertir. Hackear um sistema, segundo o Facebook, é entender a diferença entre realidade percebida, ou o que as pessoas acham que são as regras, e realidade, as regras reais que explicam o sistema.

Neste contexto, a inovação aparece quando você hackeia o sistema e faz produtos que entrem nessa brecha. No prospecto do IPO do Facebook, o próprio Zuckerberg definiu o “Hacker Way” como construir algo rápido ou testar os limites do que pode ser feito.

5. Dinâmica, de Eric Schmidt: a inovação para ele está na busca por mudança com o uso de talento criativo. Em um mundo no qual as mudanças são cada vez mais numerosas e rápidas, as inovações vêm das próprias pessoas, que o Google chama de “smart creatives”, ou talento criativo.

Para esta escola, o problema das empresas atuais é querer minimizar riscos ao invés de maximizar a liberdade e a velocidade. A única forma de inovar, segundo Schmidt, é atrair talentos criativos e criar um ambiente no qual eles possam prosperar com escalabilidade. Para eles, a inovação não pode ser apropriada ou determinada, mas permitida.

6. Radical, de Peter Thiel e Elon Musk, integrantes da “Máfia do PayPal”: para Thiel, um negócio inovador deve responder a sete questões: “você tem uma tecnologia que é um avanço?”; “seu “timing” está certo?”; “alguém mais faz isso?”; “você tem as pessoas certas?”; “você pode vender seu produto?”; “seu produto ainda estará disponível em dez anos?”; e, por fim, “você sabe de algo que ninguém mais sabe?”.

Segundo eles, quanto mais respostas para essas sete perguntas o seu negócio tiver, mais chance de sucesso ele tem. Mas se você não consegue responder a maior parte das dúvidas, aumenta a chance de fracasso.

Fernando de La Riva é diretor-executivo da Concrete Solutions, consultoria global de TI.